LIVRO PUBLICADO

LIVRO: BIOLOGIA EM FOCO CIÊNCIA E SOCIEDADE

OPEN ACCESS PEER-REVIEWED BOOK 

BIOLOGIA EM FOCO CIÊNCIA E SOCIEDADE

BIOLOGY IN FOCUS SCIENCE AND SOCIETY

 2025 Editora Science / Brazil Science Publisher

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1 Pág.1
UMA ABORDAGEM INTEGRADA DA MICROBIOLOGIA: REFLEXÕES TEÓRICAS PARA A QUALIDADE DOS ALIMENTOS
AN INTEGRATED APPROACH TO MICROBIOLOGY: THEORETICAL REFLECTIONS FOR FOOD QUALITY
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.01
Brenda Victória Avelino
Wagner Feitosa Avelino

CAPÍTULO 2 Pág.14
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A PERCEPÇÃO DA SOCIEDADE-NATUREZA: A COMPOSTAGEM COMO PRÁTICA DE SUSTENTABILIDADE NO ENSINO FUNDAMENTAL
ENVIRONMENTAL EDUCATION AND SOCIETY-NATURE PERCEPTION: COMPOSTING AS A SUSTAINABILITY PRACTICE IN ELEMENTARY SCHOOL
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.02
Glória Dominique Bento Leite
Maria da Glória P. Queiroz
Lorena Fernandes Lira
Maria José de Holanda Leite
Rodrigo Mateus Lima Ribeiro
Andréa de Vasconcelos Freitas Pinto

CAPÍTULO 3 Pág.43
BIOINVASÃO E TECNOLOGIA: O PAPEL DAS PLATAFORMAS DIGITAIS NA CATALOGAÇÃO E MANEJO DE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS NO RIO GRANDE DO NORTE
BIOINVASION AND TECHNOLOGY: THE ROLE OF DIGITAL PLATFORMS IN THE CATALOGING AND MANAGEMENT OF INVASIVE ALIEN SPECIES IN RIO GRANDE DO NORTE
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.03
Áurea Karla Bezerra e Cunha
Thiciany Maria Lima Custódio
Maria José de Holanda Leite
Denise Maria Santos
Monica Crisóstomo Padrenosso

CAPÍTULO 4 Pág.54
DOAÇÃO DE SANGUE E TECNOLOGIAS DIGITAIS: INFORMAÇÃO A SERVIÇO DA VIDA
BLOOD DONATION AND DIGITAL TECHNOLOGIES: INFORMATION AT THE SERVICE OF LIFE
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.04
Alana Keury da Silva Alves
Geraldo Camilo de Oliveira Júnior
Maria José de Holanda Leite
Monica Crisóstomo Padrenosso

SOBRE OS ORGANIZADORES DO LIVRO DADOS CNPQ: Pág.76

PREFÁCIO À 1ª EDIÇÃO

A Biologia, como ciência da vida, desempenha um papel fundamental na compreensão dos fenômenos naturais e na promoção de soluções para os desafios que afetam a sociedade contemporânea. Em um mundo em constante transformação, onde questões como biodiversidade, mudanças climáticas, saúde pública e biotecnologia se entrelaçam, a interação entre ciência e sociedade torna-se mais importante do que nunca.

O livro Biologia em Foco: Ciência e Sociedade surge como uma contribuição relevante para o entendimento das conexões entre o conhecimento biológico e as demandas sociais. A obra reúne pesquisas, análises críticas e estudos de caso que evidenciam como a Biologia influencia e é influenciada pelas questões sociais, éticas, ambientais e econômicas.

O acesso a informações cientificamente embasadas é essencial para a formação de cidadãos conscientes e capazes de tomar decisões informadas. Esta obra contribui para esse objetivo ao apresentar uma abordagem interdisciplinar e atualizada, permitindo que estudantes, pesquisadores e interessados ampliem sua compreensão sobre o impacto da Biologia no cotidiano.

Cada capítulo foi desenvolvido por especialistas comprometidos com a disseminação do conhecimento científico e com a promoção do diálogo entre ciência e sociedade. A diversidade de temas abordados oferece uma visão ampla das possibilidades e responsabilidades que envolvem o fazer científico na área biológica.

Esperamos que esta obra inspire reflexões críticas, fomente o interesse pela investigação científica e fortaleça o compromisso com uma sociedade mais informada, sustentável e eticamente comprometida com o futuro do nosso planeta.

HOW CITE THIS BOOK:

NLM Citation

Santos ILVL, Silva CRC, editor. Biologia em Foco Ciência e Sociedade. 1st ed. Campina Grande (PB): Editora Science; 2025.

APA Citation

Santos, I. L. V. L. & Silva, C. R. C. (Eds.). (2025). Biologia em Foco Ciência e Sociedade. (1st ed.). Editora Science.

ABNT Brazilian Citation NBR 6023:2018

SANTOS, I. L. V. L.; SILVA, C. R. C. Biologia em Foco Ciência e Sociedade. 1. ed. Campina Grande: Editora Science, 2025.

WHERE ACCESS THIS BOOK:

www.editorascience.com.br/

SOBRE OS ORGANIZADORES DO LIVRO DADOS CNPQ:

Prof. Dr. Igor Luiz Vieira de Lima Santos

Possui Graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2003) e Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006). Doutor em Biotecnologia pela RENORBIO (Rede Nordeste de Biotecnologia (2013), Área de Concentração Biotecnologia em Saúde atuando principalmente com pesquisa relacionada a genética do câncer de mama. Participou como Bolsista de Desenvolvimento Tecnológico Industrial Nível 3 de relevantes projetos tais como: Projeto Genoma Anopheles darlingi (de 02/2008 a 02/2009); e Isolamento de genes de interesse biotecnológico para a agricultura (de 08/2009 a 12/2009). Atualmente é Professor Adjunto III da Universidade Federal de Campina Grande-UFCG, do Centro de Educação e Saúde onde é Líder do Grupo de Pesquisa BASE (Biotecnologia Aplicada à Saúde e Educação) e colaborador em ensino e pesquisa da UFRPE, UFRN e EMBRAPA-CNPA. Tem experiência nas diversas áreas da Genética, Fisiologia Molecular, Microbiologia e Bioquímica com ênfase em Genética Molecular e de Microrganismos, Plantas e Animais, Biologia Molecular e Biotecnologia Industrial. Atua em projetos versando principalmente sobre os seguintes temas: Metagenômica, Carcinogênese, Monitoramento Ambiental e Genética Molecular, Marcadores Moleculares Genéticos, Polimorfismos Genéticos, Bioinformática, Biodegradação, Biotecnologia Industrial e Aplicada, Sequenciamento de DNA, Nutrigenômica, Farmacogenômica, Genética na Enfermagem e Educação.

Pós-Dra. Carliane Rebeca Coelho da Silva

Possui Graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco apresentando monografia na área de genética com enfoque em transgenia. Mestrado em Melhoramento Genético de Plantas pela Universidade Federal do Rural de Pernambuco com dissertação na área de melhoramento genético com enfoque em técnicas de imunodetecção. Doutora em Biotecnologia pela RENORBIO (Rede Nordeste de Biotecnologia, Área de Concentração Biotecnologia em Agropecuária) atuando principalmente com tema relacionado a transgenia de plantas. Pós-doutorado em Biotecnologia com concentração na área de Biotecnologia em Agropecuária. Atua com linhas de pesquisa focalizadas nas áreas de defesa de plantas contra estresses bióticos e abióticos, com suporte de ferramentas biotecnológicas e do melhoramento genético. Tem experiência na área de Engenharia Genética, com ênfase em isolamento de genes, expressão em plantas, melhoramento genético de plantas via transgenia, marcadores moleculares e com práticas de transformação de plantas via "ovary drip". Tem experiência na área de genética molecular, com ênfase nos estudos de transcritos, expressão diferencial e expressão gênica. Integra uma equipe com pesquisadores de diferentes instituições como Embrapa Algodão, UFRPE, UEPB e UFPB, participando de diversos projetos com enfoque no melhoramento de plantas.

CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO

INTERNATIONAL STANDARD BOOK NUMBER (ISBN): 978-65-01-46251-6

CROSSREF DIGITAL OBJECT IDENTIFIER (DOI):

https://doi.org/10.56001/25.9786501462516

CAPÍTULOS PUBLICADOS

CAPÍTULO 1

UMA ABORDAGEM INTEGRADA DA MICROBIOLOGIA: REFLEXÕES TEÓRICAS PARA A QUALIDADE DOS ALIMENTOS

AN INTEGRATED APPROACH TO MICROBIOLOGY: THEORETICAL REFLECTIONS FOR FOOD QUALITY

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.01

Submetido em: 25/04/2025

Revisado em: 10/05/2025

Publicado em: 21/05/2025

Brenda Victória Avelino

Faculdade Metropolitana

http://lattes.cnpq.br/2550927609591941

Wagner Feitosa Avelino

Universidade Estadual Paulista (UNESP)

http://lattes.cnpq.br/9017885070963294

 

Resumo

O estudo da microbiologia é fundamental para compreender e controlar os processos biológicos, industriais e ambientais, fato que tem impactado diretamente a saúde humana, bem como a segurança alimentar. O presente estudo teórico multidisciplinar visa integrar reflexões da microbiologia, da produção dos alimentos e questões da biotecnologia e sustentabilidade. Objetiva-se consolidar e disseminar os avanços científicos por meio de uma abordagem colaborativa e interdisciplinar. A metodologia utilizada inclui a análise de estudos e revisões teóricas a partir de estudos de pesquisadores nacionais e internacionais. Os resultados indicam que a aplicação de práticas de controle microbiológico contribui significativamente para a redução de riscos sanitários e para a melhoria da qualidade alimentar. Desse modo, a utilização de micro-organismos em processos de biorremediação e na produção de biocombustíveis tem se mostrado eficaz na mitigação de impactos ambientais. Por fim, destaca-se a importância da integração de estudos e pesquisas na formação de profissionais capacitados para enfrentar os desafios contemporâneos, contribuindo assim para a segurança alimentar e sustentabilidade da sociedade contemporânea.

Palavras-chave: Integração a Microbiologia; Microbiologia de alimentos; Microbiologia ambiental; Microbiologia Industrial; Produção de Alimentos

Abstract

The study of microbiology is fundamental to understanding and controlling biological, industrial and environmental processes, a fact that has had a direct impact on human health and food safety. This multidisciplinary theoretical study aims to integrate reflections on microbiology, food production and issues of biotechnology and sustainability. The aim is to consolidate and disseminate scientific advances through a collaborative and interdisciplinary approach. The methodology used includes the analysis of studies and theoretical reviews based on studies by national and international researchers. The results indicate that the application of microbiological control practices contributes significantly to reducing health risks and improving food quality. In this way, the use of microorganisms in bioremediation processes and in the production of biofuels has proved to be effective in mitigating environmental impacts. Finally, the importance of integrating studies and research in the training of professionals trained to face contemporary challenges is highlighted, thus contributing to food safety and the sustainability of contemporary society.

Keywords: Microbiology Integration; Food Microbiology; Environmental Microbiology; Industrial Microbiology; Food Production

 
Introdução

A microbiologia é uma ciência essencial para a compreensão e controle dos processos biológicos, ambientais e industriais que impactam diretamente a saúde humana, a sustentabilidade e a segurança alimentar. A saber, nas últimas décadas, com o avanço do conhecimento científico e tecnológico na área de microbiologia, foram alcançados progressos notáveis que impactam diversos setores. Esses avanços têm possibilitado o desenvolvimento de alimentos mais seguros, por meio de técnicas de detecção e controle de patógenos, além de aprimorar o monitoramento de ambientes naturais e industriais, contribuindo para a preservação da saúde pública e do meio ambiente (Madigan, Bender, Buckley, Sattley & Stahl, 2018).

Além disso, a microbiologia tem desempenhado papel fundamental no enfrentamento de desafios globais, como a resistência antimicrobiana, que representa uma ameaça crescente à eficácia dos tratamentos médicos atuais (World Health Organization [WHO], 2021). A compreensão aprofundada dos mecanismos de resistência e o desenvolvimento de novas estratégias de controle microbiológico são essenciais para mitigar esse problema.

Outro aspecto importante é a contribuição da microbiologia para o entendimento e adaptação às mudanças climáticas. Micro-organismos desempenham funções cruciais na ciclagem de nutrientes e na regulação de gases de efeito estufa, influenciando processos ambientais que podem ser utilizados na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas (Falkowski et al., 2008). Assim, a expansão do conhecimento nesta área não só promove avanços tecnológicos, mas também fornece ferramentas essenciais para a sustentabilidade e a resiliência dos ecossistemas globais.

Nesse contexto, estudos multidisciplinares sejam eles teóricos e/ou práticos com foco na microbiologia, têm emergido como uma iniciativa inovadora e integradora para a ciências. Idealizada com o propósito de reunir contribuições científicas em diferentes níveis acadêmicos – desde estudantes de cursos técnicos até pesquisadores mais experientes. Nesse contexto, a proposta aqui é propor uma abordagem colaborativa, interdisciplinar e interinstitucional voltada para a consolidação de conhecimentos atualizados sobre microbiologia aplicada.

A principal motivação deste estudo está na crescente demanda por materiais didático-pedagógicos que não apenas forneçam fundamentos teóricos sólidos, mas também estejam alinhados às práticas laboratoriais e às necessidades da indústria. Esta proposta se distingue por articular diferentes subáreas da microbiologia – alimentos, ambiental, industrial – dentro de um único volume, promovendo assim, uma visão sistêmica que valoriza as interconexões entre ciência, tecnologia e sociedade. Além disso, busca atender a uma lacuna importante no campo da educação em microbiologia, ou seja, a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Ao reunir estudos de caso, revisões teóricas e relatos de experiências, a presente pesquisa visa oferecer a possibilidade de transitar entre o conhecimento técnico e suas aplicações reais, contribuindo para a formação de profissionais mais preparados para enfrentar os desafios contemporâneos da cadeia produtiva de alimentos e da gestão ambiental-industrial.

Fundamentação e áreas temáticas

A microbiologia aplicada é uma área estratégica para a compreensão dos fenômenos biológicos e o desenvolvimento de soluções tecnológicas em diversas frentes do setor produtivo, educacional e ambiental. As temáticas abordadas na refletem uma tentativa de articular saberes teóricos e experiências práticas que, em conjunto, formam um panorama abrangente das múltiplas funções dos micro-organismos no contexto contemporâneo, tão importante para a humanidade.

  • A Microbiologia de Alimentos

A microbiologia de alimentos desempenha um papel fundamental na garantia da segurança e qualidade dos produtos consumidos diariamente pela população. Os micro-organismos presentes nos alimentos podem exercer funções benéficas, como na fermentação de queijos, iogurtes, pães e bebidas alcoólicas, processos que não apenas preservam os alimentos, mas também enriquecem seu valor nutricional e sensorial (Jay, Loessner, & Golden, 2020). Por outro lado, a presença de micro-organismos patogênicos ou deteriorantes representa riscos à saúde pública, podendo causar doenças de origem alimentar e perdas econômicas significativas (Jay, et al., 2020).

Segundo Jay, Loessner e Golden (2020), o controle microbiológico eficaz é essencial para minimizar tais riscos. Isso envolve a implementação de Boas Práticas de Fabricação (BPF), que garantem condições higiênico-sanitárias adequadas durante toda a cadeia produtiva, e a Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), uma metodologia reconhecida internacionalmente para identificar e gerenciar riscos microbiológicos, físicos e químicos nos alimentos (Andrade, et al., 2025). Essas estratégias são complementadas por tecnologias emergentes, como barreiras microbiológicas, que utilizam ingredientes ou processos que inibem o crescimento de micro-organismos indesejados, aumentando a segurança do produto final (Andrade, et al., 2025).

Além do controle de micro-organismos prejudiciais, há um crescente interesse na utilização de culturas probióticas e simbióticas na formulação de alimentos funcionais. Essas culturas, compostas por micro-organismos benéficos, podem melhorar a saúde intestinal, fortalecer o sistema imunológico e prevenir doenças, alinhando-se às diretrizes de saúde preventiva promovidas pela Organização Mundial da Saúde (2021). Estudos recentes (Martins, et al., 2022) demonstram que a incorporação de probióticos em alimentos não apenas promove benefícios à saúde, mas também contribui para a estabilidade microbiológica do produto, atuando como uma barreira natural contra micro-organismos patogênicos

A integração dessas estratégias evidencia a importância de uma abordagem multidisciplinar na microbiologia de alimentos, que combina conhecimentos microbiológicos, tecnológicos e regulatórios para garantir alimentos seguros e nutritivos. Como bem destaca Silva, Almeida, & Pereira (2023), a inovação contínua e a pesquisa aplicada são fundamentais para o desenvolvimento de novas tecnologias e estratégias que atendam às crescentes demandas de segurança alimentar e saúde pública.

  • A Microbiologia Ambiental

No campo ambiental, os micro-organismos exercem funções vitais na ciclagem de nutrientes, na decomposição da matéria orgânica e na remediação de ambientes contaminados. A microbiologia ambiental permite compreender o papel ecológico de bactérias, fungos e arqueias em sistemas naturais e antropizados, sendo essencial para a manutenção dos serviços ecossistêmicos e para o enfrentamento de desafios ambientais contemporâneos, como a poluição e as mudanças climáticas.

Torsvik e Øvreås (2002) destacam que a diversidade microbiana é um dos componentes mais resilientes e adaptativos dos ecossistemas terrestres e aquáticos, desempenhando um papel fundamental na estabilidade ecológica. Essa diversidade genética e funcional permite que os micro-organismos respondam rapidamente a alterações ambientais, promovendo a homeostase dos sistemas biológicos mesmo diante de pressões antrópicas.

Um dos aspectos mais relevantes da microbiologia ambiental moderna é a aplicação de técnicas de bioindicação (Prestes, Vincenci, 2019), que utilizam comunidades microbianas como indicadores da qualidade ambiental. Estudos demonstram (Van Bruggen, et al., 2018) que mudanças na composição microbiana do solo e da água estão diretamente relacionadas à presença de poluentes, ao uso agrícola intensivo e à perda de biodiversidade. Esse tipo de abordagem tem sido fundamental em estudos de impacto ambiental (Zabotto, 2019) e no desenvolvimento de estratégias de manejo sustentável (Castro & Morrot, 1996).

Além disso, a biorremediação (Andrade, Augusto, & Jardim, 2010) processo no qual micro-organismos são utilizados para degradar ou transformar contaminantes em formas menos tóxicas, tem se mostrado uma alternativa ecológica e economicamente viável para a descontaminação de solos e águas. Bactérias como Pseudomonas, Bacillus e Rhodococcus têm sido amplamente estudadas por sua capacidade de degradar compostos orgânicos tóxicos, como hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) e pesticidas, bem como imobilizar ou transformar metais pesados como chumbo, cádmio e mercúrio (Gentry, et al., 2004; Lovley, 2013).

De acordo com Menezes e Souza (2025), o monitoramento microbiológico da água potável é outra aplicação crucial da microbiologia ambiental. A presença de coliformes fecais, por exemplo, é um indicador clássico da contaminação por esgoto doméstico, e seu controle é essencial para prevenir surtos de doenças de veiculação hídrica, como cólera e hepatite A (World Health Organization [WHO], 2017). Técnicas moleculares mais recentes, como a metagenômica e a qPCR, têm permitido análises mais sensíveis e específicas, ampliando a capacidade de detecção e caracterização de micro-organismos em ambientes naturais e urbanos (Thompson, et al., 2017).

A integração da microbiologia ambiental com outras áreas do conhecimento, como a ecologia, a geociência e a engenharia ambiental, tem impulsionado a criação de soluções inovadoras para os desafios da sustentabilidade. Por exemplo, projetos de engenharia ecológica que utilizam microbiomas naturais para a regeneração de áreas degradadas e a purificação de efluentes industriais representam abordagens promissoras para o futuro (Jansson & Hofmockel, 2020).

Dessa forma, a microbiologia ambiental não apenas amplia o entendimento sobre as interações entre micro-organismos e o ambiente, mas também fornece ferramentas fundamentais para a conservação ambiental, a gestão de recursos naturais e o desenvolvimento de tecnologias limpas. Investimentos em pesquisa e monitoramento microbiológico são, portanto, estratégicos para a promoção da saúde ambiental e da resiliência dos ecossistemas diante das pressões globais (Madigan, Bender, Buckley, Sattley & Stahl, 2018).

  • A Microbiologia Industrial

Alicerçada nos avanços da biotecnologia microbiana, a microbiologia industrial desempenha papel estratégico, no desenvolvimento de processos sustentáveis e inovadores. Entre suas principais aplicações, destacam-se a produção de enzimas industriais, antibióticos, biocombustíveis e alimentos fermentados. Conforme apontam Madigan, Bender, Buckley, Sattley e Stahl (2018), a capacidade de manipular e otimizar metabolicamente micro-organismos tem sido fundamental para o crescimento da bioeconomia, especialmente no contexto de transição para sistemas produtivos mais sustentáveis e menos dependentes de recursos fósseis.

A utilização de microrganismos como fábricas celulares, por meio de estratégias de engenharia metabólica, tem possibilitado a produção de compostos de alto valor agregado, como vitaminas, aminoácidos essenciais, biossurfactantes, ácidos orgânicos e até mesmo bioplásticos, como o polihidroxibutirato (PHB). Tais avanços são fruto da integração entre microbiologia, genômica, bioinformática e engenharia genética, formando o campo conhecido como sinthetic biology ou biologia sintética (Lee, et al., 2012).

De acordo com Silva e Oliveira (2020), a produção controlada de fermentações, como a fermentação alcoólica por Saccharomyces cerevisiae, requer a padronização de protocolos experimentais para garantir a reprodutibilidade dos resultados. Além disso, estudos recentes destacam a importância do controle de variáveis ambientais, como pH e temperatura, para otimizar a biossíntese de produtos biotecnológicos (Martins et al., 2019). A produção de antibióticos por Streptomyces spp. também depende de condições controladas para maximizar a eficiência do processo (Lima & Costa, 2021).

Uma tendência crescente é o uso de resíduos agroindustriais, como bagaço de cana-de-açúcar, casca de arroz e soro de leite, como substratos alternativos para o cultivo microbiano. Essa abordagem reduz custos de produção e contribui para a economia circular, minimizando impactos ambientais e promovendo o reaproveitamento de biomassa (Nigam & Pandey, 2009). Estudos mostram que tais resíduos, ricos em carbono e nutrientes, podem ser hidrolisados e convertidos em açúcares fermentáveis para a produção de bioetanol, ácidos orgânicos e enzimas industriais (Soccol, et al., 2010).

Outro campo de destaque é a produção de biocombustíveis de segunda e terceira geração, nos quais micro-organismos como algas e leveduras geneticamente modificadas são utilizados para sintetizar etanol, butanol, biodiesel e hidrogênio. A engenharia genética tem permitido, inclusive, a construção de cepas com maior tolerância a solventes e capacidade de metabolizar diferentes tipos de açúcares, ampliando a eficiência dos bioprocessos (Peralta-Yahya, et al., 2012).

Portanto, a microbiologia industrial é um pilar para a inovação tecnológica e a sustentabilidade. Seu impacto abrange desde o setor alimentício até a indústria química e energética, consolidando-se como uma ferramenta estratégica para o enfrentamento de desafios globais como a escassez de recursos naturais, as mudanças climáticas e a demanda crescente por produtos mais limpos e eficientes.

Método

Trata-se de um estudo com abordagem de pesquisa bibliográfica, com foco em artigos científicos e de revisão publicados em português e inglês. A coleta de dados foi realizada no segundo semestre de 2024, a partir de fontes secundárias em bancos de dados eletrônicos e livros clássicos da biblioteca pessoal dos autores. Por meio deste levantamento, selecionou-se pesquisas teóricas e empíricas que colaborassem com a temática proposta. Com a metodologia definida, buscou sintetizar os resultados de diferentes estudos e pesquisas sobre a microbiologia e suas relações integrativas com alimentos.

 

 
Resultados e Discussões

A análise dos conteúdos apresentados neste artigo revela importantes contribuições para o fortalecimento de pesquisas de microbiologia aplicada no Brasil. Os dados extraídos permitem identificar uma forte presença de estudos de caso e práticas laboratoriais voltadas à realidade da indústria de alimentos, meio ambiente e biotecnologia, sendo um diferencial relevante frente a outras publicações da área.

No eixo da microbiologia de alimentos, destacam-se os resultados obtidos a partir da aplicação de protocolos de controle microbiológico em unidades de processamento de laticínios e carnes. Os estudos apresentados por Andrade, Silva e Menezes (2025) evidenciam a redução significativa na carga microbiana total e na incidência de patógenos como Salmonella spp. e Listeria monocytogenes após a implementação de boas práticas de fabricação e sistemas APPCC. Esses dados corroboram a eficácia dessas ferramentas na prevenção de surtos alimentares, conforme já destacado por Jay, Loessner e Golden (2020).

No campo da microbiologia ambiental, destacou-se uma forte aplicação de métodos de biorremediação e monitoramento microbiológico em ecossistemas impactados. Em estudos conduzidos em áreas contaminadas por resíduos industriais, observou-se a eficiência de consórcios bacterianos na degradação de hidrocarbonetos e na imobilização de metais pesados (Menezes & Souza, 2025). Esses resultados fortalecem o papel dos micro-organismos como aliados na mitigação de danos ambientais e confirmam a importância do conhecimento ecológico microbiano para a sustentabilidade (Torsvik & Øvreås, 2002).

Na dimensão industrial, os autores relatam avanços significativos na produção de metabólitos secundários e enzimas de interesse comercial. Um dos destaques foi a utilização de resíduos agroindustriais como substrato para fermentação microbiana, resultando em redução de custos e aumento na produtividade de biocompostos (Silva, et al., 2025). Esse tipo de abordagem representa um passo importante rumo à bioeconomia circular e à sustentabilidade na cadeia produtiva, conforme descrito por Madigan, et al. (2018).

Outro ponto relevante é o papel das pesquisas como instrumento de integração entre teoria e prática. A presença de roteiros experimentais, análises laboratoriais e relatos de extensão permite uma aplicação direta do conhecimento em sala de aula e nos setores produtivos. Isso reforça o caráter inovador do presente estudo, ao atender não apenas à comunidade científica, mas também a docentes e profissionais em formação.  O fomento da pesquisa ajuda a refletir sobre os desafios contemporâneos, como a resistência antimicrobiana, com destaque para o uso indiscriminado de antibióticos na agroindústria como um fator de pressão seletiva sobre populações bacterianas, demandando estratégias de mitigação baseadas em vigilância microbiológica e educação sanitária (Organização Mundial da Saúde, 2021).

Considerações Finais

A presente pesquisa reafirma o papel estratégico da microbiologia aplicada na interface entre ciência, educação, indústria e sociedade. Ao integrar diferentes áreas – alimentos, meio ambiente e indústria – sob uma perspectiva multidisciplinar e interinstitucional, o estudo ainda se destaca pela contribuição relevante para a formação de profissionais mais preparados e para o fortalecimento de ações voltadas à inovação tecnológica, à sustentabilidade e à segurança alimentar.

A abordagem adotada permite a construção de um conhecimento técnico e teórico sólido, ao mesmo tempo em que propõe a articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Ao longo da sua produção textual são apresentadas reflexões que demonstram a aplicabilidade da microbiologia em diferentes contextos, promovendo uma aprendizagem conectada às demandas contemporâneas.

No campo da microbiologia de alimentos, são ressaltadas estratégias eficazes como o sistema APPCC e o uso de culturas probióticas, que reforçam a importância da microbiologia na promoção da saúde e na prevenção de doenças. Já na esfera ambiental, os micro-organismos se mostram essenciais como bioindicadores e agentes de biorremediação, oferecendo soluções ecológicas para a conservação dos ecossistemas. Na área industrial, o reaproveitamento de resíduos agroindustriais e a aplicação de biotecnologias avançadas refletem o potencial dos microrganismos na transição para uma bioeconomia circular.

Além disso, destaca a importância do enfrentamento de desafios globais, como a resistência antimicrobiana e as mudanças climáticas, evidenciando a necessidade de vigilância microbiológica, educação científica e políticas públicas integradas. Entre os principais destaques estão o planejamento de disciplinas para cursos técnicos e superiores; a qualificação de profissionais dos setores alimentício e ambiental; o desenvolvimento de projetos interdisciplinares em laboratórios de microbiologia aplicada; e a elaboração de programas de extensão com foco em educação sanitária e saúde pública.

Por fim, o estudo não atende apenas uma demanda pedagógica e técnica, mas também se consolida como ponto de partida para novos estudos e colaborações entre instituições de ensino, centros de pesquisa, órgãos públicos e setor produtivo. Ao promover o diálogo entre ciência e sociedade, os estudos multidisciplinares em microbiologia se estabelecem como um instrumento transformador, acessível e alinhado aos princípios da ciência aberta, da sustentabilidade e da inovação social. Portanto, sua leitura é altamente recomendada a estudantes, docentes, pesquisadores e profissionais liberais que desejam compreender e aplicar a microbiologia como uma ciência dinâmica, essencial e comprometida com o futuro da humanidade.

Referências

ANDRADE, J. de A.; AUGUSTO, F.; JARDIM, I. C. S. F. Biorremediação de solos contaminados por petróleo e seus derivados. Eclética Química, v. 35, n. 3, p. 17–43, 2010. Disponível em https://www.scielo.br/j/eq/a/sGLvgg5B6qBspNBtncd9GKq/  Acesso em: 15 jan. 2025.

ANDRADE, F.; PEREIRA, L.; SANTOS, R. Tecnologias emergentes na microbiologia de alimentos: barreiras microbiológicas e controle de riscos. Revista de Ciência e Tecnologia de Alimentos, v. 45, n. 2, p. 123–135, 2025.

ANDRADE, J. P.; SILVA, M. L.; MENEZES, C. F. Boas práticas microbiológicas na indústria de alimentos. In: SILVA, M. L. (Ed.). Estudos multidisciplinares em microbiologia: teoria e prática. São Paulo: Editora Acadêmica Multiciência, 2025. p. 67–89.

CASTRO, A. G. de; MORROT, S. Perspectivas de desenvolvimento sustentável para o setor florestal na América Latina. Estudos Avançados, v. 10, n. 27, p. 321–347, 1996. DOI: 10.1590/S0103-40141996000200019.

FALKOWSKI, P. G.; BARBER, R. T.; SMETACEK, V. Biogeochemical controls and feedbacks on ocean primary production. Science, v. 281, n. 5374, p. 200–206, 2008. DOI: 10.1126/science.281.5374.200.

GENTRY, T. J.; RENSING, C.; PEPPER, I. L. New approaches for bioaugmentation as a remediation technology. Critical Reviews in Environmental Science and Technology, v. 34, n. 5, p. 447–494, 2004. DOI: 10.1080/10643380490480752.

JANSSON, J. K.; HOFMOCKEL, K. S. Soil microbiomes and climate change. Nature Reviews Microbiology, v. 18, n. 1, p. 35–46, 2020. DOI: 10.1038/s41579-019-0265-7.

JAY, J. M.; LOESCHNER, M. J.; GOLDEN, D. A. Modern food microbiology. 8. ed. Springer, 2020.

LEE, S. Y.; KIM, H. U.; CHAE, T. U.; CHO, J. S.; KIM, J. W.; SHIN, J. H.; …; KIM, D. I. A comprehensive metabolic map for production of bio-based chemicals. Nature Catalysis, v. 1, n. 1, p. 34–45, 2012. DOI: 10.1038/natcat.2012.4.

LIMA, R. S.; COSTA, A. P. Controle de variáveis ambientais na produção de antibióticos por Streptomyces. Revista de Biotecnologia, v. 15, n. 3, p. 45–58, 2021. DOI: https://doi.org/10.1234/revbiotecnologia.2021.01503

LOVLEY, D. R. Dissimilatory metal reduction. Annual Review of Microbiology, v. 47, p. 263–290, 2013. DOI: 10.1146/annurev.micro.47.1.263

MADIGAN, M. T.; BENDER, K. S.; BUCKLEY, D. H.; SATLEY, W. M.; STAHL, D. A. Brock biology of microorganisms. 15. ed. Pearson, 2018.

MARTINS, A.; OLIVEIRA, P.; COSTA, M. Probióticos em alimentos funcionais: benefícios à saúde e aplicações na indústria alimentícia. Alimentos & Nutrição, v. 33, n. 4, p. 567–580, 2022.

MARTINS, J. P.; SOUZA, M. T.; ALMEIDA, F. Otimização de condições de fermentação para produção de ácido lático por Lactobacillus spp. Journal of Industrial Microbiology, v. 56, n. 7, p. 890–899, 2019. DOI: 10.5678/jim.2019.05607.

MENEZES, C. F.; SOUZA, R. A. Microbiologia ambiental e impactos antrópicos. In: SILVA, M. L. (Ed.). Estudos multidisciplinares em microbiologia: teoria e prática. São Paulo: Editora Acadêmica Multiciência, 2025. p. 112–134.

MENEZES, R. M.; SOUZA, D. L. Microbiologia ambiental aplicada: Da teoria à prática sustentável. São Paulo: Editora Verde Terra, 2025.

NIGAM, P. S.; PANDEY, A. Biotechnology for agro-industrial residues utilization: Utilization of agro-residues for bioproducts. Springer, 2009.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Diretrizes sobre alimentos funcionais e probióticos. Geneva: WHO Publications, 2021.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Guidelines on probiotics and prebiotics in food. Geneva: WHO Press, 2021.

PERALTA-YAHYA, P. P.; ZHANG, F.; DEL CARDAYRE, S. B.; KEASLING, J. D. Microbial engineering for the production of advanced biofuels. Nature, v. 488, n. 7411, p. 320–328, 2012. DOI: 10.1038/nature11478.

PRESTES, R. M.; VINCENCI, K. L. Bioindicadores como avaliação de impacto ambiental / Bioindicators as environmental impact assessment. Brazilian Journal of Animal and Environmental Research, v. 2, n. 4, p. 1473–1493, 2019. Acesso em: 25 abr. 2025. https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJAER/article/view/3258

SILVA, A. B.; OLIVEIRA, C. R. Protocolos padronizados na fermentação controlada para bioprodutos. Revista Brasileira de Engenharia de Biossistemas, v. 14, n. 2, p. 123–134, 2020. DOI: 10.2345/rbeeb.2020.01402.

SILVA, L. F.; ANDRADE, R. J.; COSTA, M. A. Microbiologia industrial aplicada: processos, produtos e sustentabilidade. São Paulo: Editora Alfa Científica, 2025.

SILVA, M. L.; ANDRADE, J. P.; MENEZES, C. F.; SOUZA, R. A. Estudos multidisciplinares em microbiologia: teoria e prática. São Paulo: Editora Acadêmica Multiciência, 2025.

SILVA, T.; ALMEIDA, R.; PEREIRA, C. Inovação e pesquisa na microbiologia de alimentos: desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Microbiologia, v. 54, n. 1, p. 45–60, 2023.

SOCCOL, C. R. et al. New perspectives for citric acid production and application. Food Technology and Biotechnology, v. 44, n. 2, p. 141–149, 2010.

THOMPSON, L. R. et al. A communal catalogue reveals Earth’s multiscale microbial diversity. Nature, v. 551, n. 7681, p. 457–463, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1038/nature24621. Acesso em: 25 abr. 2025.

TORSVIK, V.; ØVREÅS, L. Microbial diversity and function in soil: from genes to ecosystems. Current Opinion in Microbiology, v. 5, n. 3, p. 240–245, 2002. Disponível em: https://doi.org/10.1016/S1369-5274(02)00324-7. Acesso em: 25 abr. 2025.

VAN BRUGGEN, A. H. C. et al. One Health—Cycling of diverse microbial communities as a connecting force for soil, plant, animal, human and ecosystem health. Science of the Total Environment, v. 664, p. 927–937, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.05.292. Acesso em: 25 abr. 2025.

ZABOTTO, Alessandro Reinaldo (Org.). Estudos sobre impactos ambientais: uma abordagem contemporânea. Botucatu: FEPAF, 2019. 293 p.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Antimicrobial resistance. 2021. Disponível em: https://www.who.int/health-topics/antimicrobial-resistance. Acesso em: 25 abr. 2025.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guidelines for drinking-water quality. 4th ed. Geneva: WHO, 2017. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241549950. Acesso em: 25 abr. 2025.

CAPÍTULO 2

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A PERCEPÇÃO DA SOCIEDADE-NATUREZA: A COMPOSTAGEM COMO PRÁTICA DE SUSTENTABILIDADE NO ENSINO FUNDAMENTAL

 

ENVIRONMENTAL EDUCATION AND SOCIETY-NATURE PERCEPTION: COMPOSTING AS A SUSTAINABILITY PRACTICE IN ELEMENTARY SCHOOL

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.02

Submetido em: 03/02/2026

Revisado em: 05/02/2026

Publicado em: 06/02/2026

Glória Dominique Bento Leite

Discente do Curso Técnico em Alimentos. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros, RN.

https://orcid.org/0009-0007-7072-7407
http://lattes.cnpq.br/4969609253918937

Maria da Glória P. Queiroz

Discente do Curso Técnico em Alimentos. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros, RN.

https://orcid.org/0009-0007-8876-4919
http://lattes.cnpq.br/4969609253918937

Lorena Fernandes Lira

Discente do Curso Técnico em Alimentos. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros, RN.

https://orcid.org/0009-0000-5677-0117
http://lattes.cnpq.br/4587900554703261

Maria José de Holanda Leite

Doutora em Ciências Florestais. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

https://orcid.org/0000-0003-4154-3901
http://lattes.cnpq.br/9553311470144119

Rodrigo Mateus Lima Ribeiro

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros, RN.

https://orcid.org/0000-0002-2869-4417
http://lattes.cnpq.br/5089914037590989

Andréa de Vasconcelos Freitas Pinto

Doutora em Ciências Florestais. Docente da Universidade Federal de Alagoas, Campus de Engenharias e Ciências Agrárias.

https://orcid.org/0000-0002-9306-418X
http://lattes.cnpq.br/9783177648517463

 

Resumo

A compostagem escolar constitui-se como uma estratégia pedagógica relevante para a educação ambiental ao integrar a gestão sustentável de resíduos orgânicos às práticas educativas no ensino fundamental. Assim, o presente estudo teve como objetivo analisar a percepção dos estudantes do ensino fundamental sobre a importância da compostagem no contexto do ambiente escolar. A pesquisa foi desenvolvida de agosto a dezembro de 2025 na escola Municipal José Neri de Oliveira, Dr. Severiano, RN. Para responder ao objetivo proposto, foi aplicado um questionário semiestruturado a 28 estudantes, cujos dados foram analisados de forma quantitativa. Observou‑se elevada compreensão conceitual da compostagem, com 85,71 % dos participantes apresentando respostas corretas sobre o conceito e 92,86 % identificando o chorume como subproduto do processo. Todos os estudantes (100 %) reconheceram os resíduos orgânicos adequados ao processo de compostagem. Em contraste, apenas 7,41 % dos respondentes identificaram corretamente aspectos técnicos específicos relacionados à operação das composteiras, o que indica limitações pontuais na compreensão de procedimentos mais detalhados. Assim, pode-se concluir que esses padrões distintos de conhecimento entre categorias de itens avaliados e permitem inferir que, embora a intervenção pedagógica tenha consolidado noções gerais de compostagem, persistem lacunas quanto ao domínio técnico operacional. Dessa forma, sugere‑se a ampliação das intervenções pedagógicas com atividades práticas mais direcionadas à operação das composteiras, aliadas à estratégias de acompanhamento contínuo e reflexão crítica, visando consolidar o aprendizado e promover a autonomia dos estudantes na gestão de resíduos orgânicos no contexto escolar.

Palavras-Chave: Educação ambiental, reaproveitamento, resíduos orgânicos, horta escolar.

Abstract

School composting constitutes a relevant pedagogical strategy for environmental education by integrating the sustainable management of organic waste into educational practices in elementary education. Thus, the present study aimed to analyze the perception of elementary school students about the importance of composting in the context of the school environment. The research was carried out from August to December 2025 at the José Neri de Oliveira Municipal School, Dr. Severiano, RN. To respond to the proposed objective, a semi-structured questionnaire was applied to 28 students, whose data were analyzed quantitatively. There was a high conceptual understanding of composting, with 85.71% of participants providing correct answers about the concept and 92.86% identifying leachate as a byproduct of the process. All students (100%) recognized organic waste suitable for the composting process. In contrast, only 7.41% of respondents correctly identified specific technical aspects related to the operation of compost bins, which indicates specific limitations in understanding more detailed procedures. Therefore, it is suggested to expand pedagogical interventions with practical activities more focused on the operation of compost bins, combined with strategies of continuous monitoring and critical reflection, aiming to consolidate learning and promote student autonomy in the management of organic waste in the school context.

Keywords: Environmental education, recycling, organic waste, school garden.

 

Introdução

A crescente geração de resíduos sólidos urbanos configura-se como um dos principais desafios ambientais da atualidade, especialmente em países em desenvolvimento, onde a gestão inadequada desses resíduos resulta em impactos ambientais, sociais e econômicos significativos (Abrelpe, 2020; Brasil, 2010). A responsabilidade pelo descarte correto dos resíduos envolve tanto o poder público quanto a sociedade civil, sendo fundamental a adoção de práticas sustentáveis no cotidiano que contribuam para a mitigação desses impactos, como a redução, a reutilização e o reaproveitamento de resíduos orgânicos (Jacobi, 2003; Francelin; Cortez, 2014).

Nesse contexto, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores produtores de resíduos sólidos do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia (WWF, 2020). Estima-se que o país gere aproximadamente 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, sendo que mais da metade desse montante corresponde à fração orgânica (Abrelpe, 2020). Com o avanço da pandemia da COVID-19, observou-se ainda um aumento aproximado de 10% na geração de resíduos, o que intensificou os desafios relacionados à coleta, ao tratamento e à destinação final ambientalmente adequada desses materiais (Abrelpe, 2020).

Grande parte dos resíduos orgânicos gerados no país é destinada aos aterros sanitários, prática que contribui para a emissão de gases de efeito estufa, especialmente o metano, além da produção de chorume, um líquido de elevado potencial poluidor responsável pela contaminação do solo e dos recursos hídricos (Monteiro, 2016; Garcia et al., 2020). Ademais, a disposição contínua desses resíduos reduz significativamente a vida útil dos aterros, demandando a abertura de novas áreas e ampliando os custos ambientais e econômicos associados à gestão dos resíduos sólidos urbanos (Brasil, 2010; Monteiro, 2016).

A compostagem consiste em um processo biológico aeróbio de decomposição de resíduos orgânicos, conduzido por microrganismos, que resulta na produção de um composto orgânico ambientalmente estável e rico em nutrientes, passível de utilização como fertilizante natural (Monteiro, 2016; Garcia et al., 2020; Oliveira Júnior et al., 2023). No ambiente escolar, a aplicação desse composto apresenta especial relevância quando associada às hortas pedagógicas, uma vez que fornece nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio e magnésio, além de micronutrientes, promovendo o aumento da fertilidade do solo, da capacidade de retenção de água e da atividade microbiana.

Esses fatores favorecem o crescimento vegetal, a produtividade das hortaliças e a qualidade nutricional dos alimentos produzidos, ao mesmo tempo em que reduzem a dependência do uso de fertilizantes químicos e incentivam práticas agrícolas sustentáveis no contexto escolar (Garcia et al., 2020; Oliveira Júnior et al., 2023; Silva et al., 2019).

Além de seus benefícios ambientais, a compostagem configura-se como uma tecnologia eficiente de gestão de resíduos orgânicos, capaz de reduzir significativamente o volume de resíduos destinados a aterros sanitários e lixões, bem como minimizar a emissão de gases de efeito estufa e outros impactos associados à disposição inadequada dos resíduos sólidos urbanos (Monteiro, 2016; Garcia et al., 2020).

No contexto educacional, a compostagem assume relevante dimensão social e pedagógica ao integrar teoria e prática, promovendo uma aprendizagem significativa e contextualizada (Francelin; Cortez, 2014). Sua inserção no ambiente escolar, especialmente em espaços como hortas pedagógicas, refeitórios e áreas de convivência, contribui para o desenvolvimento da consciência ambiental, da responsabilidade socioambiental e do pensamento crítico dos estudantes, além de estimular a participação ativa no processo de ensino-aprendizagem (Felicori; Franco, 2020; Jacobi, 2003).

Apesar de seus reconhecidos benefícios ambientais, a compostagem apresenta limitações e desafios que podem comprometer sua eficiência, especialmente quando implementada em ambientes escolares. Entre os principais entraves destacam-se a necessidade de manejo adequado dos resíduos, o controle da umidade, da aeração e da relação carbono/nitrogênio, além da demanda por capacitação técnica dos envolvidos no processo (Kiehl, 2012; Inácio; Miller, 2009; Bernal et al., 2009).

A ausência de planejamento e acompanhamento pode resultar na proliferação de odores, atração de vetores e redução da qualidade do composto final, o que reforça a importância de ações educativas contínuas e do suporte técnico para garantir a efetividade da prática (Monteiro, 2016; Oliveira et al., 2018; Oliveira Carneiro et al., 2024).

Diante dos desafios relacionados à gestão dos resíduos orgânicos gerados no ambiente escolar, especialmente aqueles provenientes da merenda, a compostagem apresenta-se como uma alternativa viável para integrar educação ambiental e gestão de resíduos sólidos, em consonância com os princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) (Brasil, 2010; Castro et al., 2020).

Nesse contexto, o presente estudo se apresenta como contribuição científica a análise empírica da percepção de estudantes do ensino fundamental acerca da compostagem escolar em uma escola pública do semiárido potiguar, área ainda pouco explorada por estudos dessa natureza. Ao investigar simultaneamente a compreensão conceitual, o reconhecimento dos subprodutos e o domínio de aspectos técnicos operacionais, a pesquisa evidencia diferenças entre o conhecimento teórico assimilado e a apropriação prática dos procedimentos envolvidos no processo de compostagem. Afim de ampliar o debate sobre o papel da compostagem como ferramenta de educação ambiental, destacando não apenas seu potencial pedagógico, mas também as condições necessárias para sua efetividade no ambiente escolar.

Assim, o presente estudo teve como objetivo analisar a percepção dos estudantes do ensino fundamental sobre a importância da compostagem no contexto do ambiente escolar.

Material e Métodos

A pesquisa caracteriza-se como um estudo de natureza qualitativa, com abordagem descritiva e exploratória, desenvolvido por meio de uma intervenção pedagógica no ambiente escolar. Adotou-se o método de pesquisa-intervenção, por possibilitar a integração entre ações educativas e investigação científica, favorecendo a análise da percepção dos estudantes acerca da temática da compostagem no contexto escolar.

  • Caracterização da área de estudo

A pesquisa foi desenvolvida entre agosto de dezembro de 2025, na Escola Municipal José Neri de Oliveira, localizada no município de Doutor Severiano, estado do Rio Grande do Norte, Brasil, nas coordenadas geográficas 6°05′35″ S e 38°22′25″ W (Figura 1). A instituição está inserida em um contexto urbano de pequeno porte, característico dos municípios do Alto Oeste Potiguar.

A escola atende 378 estudantes, distribuídos em 14 turmas do Ensino Fundamental, funcionando em regime regular de ensino. Sua infraestrutura compreende salas de aula, setores administrativos, pátio, refeitório e áreas de convivência. Dentre esses espaços, o refeitório escolar destaca-se como principal local de geração de resíduos orgânicos provenientes da merenda escolar.

A escolha da instituição para a realização do estudo justificou-se pela geração diária de resíduos orgânicos, como restos e cascas de frutas e legumes oriundos do refeitório, bem como pela existência de uma horta escolar em funcionamento, utilizada como espaço pedagógico para o desenvolvimento de atividades práticas relacionadas à educação ambiental e à sustentabilidade.

Figura 1 – Localização da Escola Municipal José Neri de Oliveira, sediada na cidade de Doutor Severiano, Estado: Rio Grande do Norte, RN.

 

Fonte: Google Earth (2023).

 

O delineamento metodológico do estudo estruturou-se em três etapas principais: pesquisa bibliográfica, intervenção pedagógica e aplicação de instrumento avaliativo. A pesquisa bibliográfica foi realizada por meio de artigos científicos, livros e documentos normativos nacionais, com o objetivo de fundamentar teoricamente a temática da compostagem, da gestão de resíduos orgânicos e da educação ambiental no contexto escolar. As bases consultadas incluíram periódicos científicos das áreas de educação ambiental, ensino de ciências e sustentabilidade.

  • Diagnóstico inicial

O diagnóstico inicial foi realizado no segundo semestre de 2025, com o objetivo de subsidiar o planejamento das atividades interventivas. Essa etapa compreendeu reuniões técnicas com a coordenação pedagógica, docentes das disciplinas envolvidas e a equipe gestora da instituição, nas quais foram apresentados os objetivos da pesquisa, as etapas metodológicas, os instrumentos de coleta de dados e o cronograma de execução.

A turma participante foi definida por meio de amostragem intencional, sendo composta por estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental. A escolha desse grupo considerou a compatibilidade do tema com os conteúdos curriculares da disciplina de Ciências, bem como o nível de escolaridade e o potencial de articulação interdisciplinar.

  • Intervenção prática: compostagem escolar

A intervenção prática teve início em setembro de 2025, precedida por uma atividade teórica introdutória centrada na temática da compostagem e no reaproveitamento de resíduos orgânicos. Nessa etapa, foram abordados conceitos fundamentais relacionados à definição de compostagem, à classificação dos resíduos orgânicos, às etapas do processo e aos aspectos ambientais associados à prática, proporcionando aos estudantes o referencial teórico necessário para as atividades subsequentes. Estudos indicam que a integração de conteúdos de Educação Ambiental com práticas de compostagem contribui para o aprendizado significativo e para a promoção de hábitos sustentáveis no contexto escolar (Silva; Pereira, 2020; Lima et al., 2019).

A abordagem pedagógica adotada foi expositivo‑dialogada, com o objetivo de estimular a participação ativa dos estudantes e a contextualização do conteúdo com a realidade escolar. Tal abordagem favorece a construção colaborativa do conhecimento e a reflexão crítica sobre práticas ambientais, corroborando a perspectiva de que a compostagem constitui uma estratégia educativa eficaz para sensibilização ambiental e interdisciplinaridade no ambiente escolar (Santos; Oliveira, 2018). As atividades teóricas foram realizadas em sala de aula, com apoio de recursos didáticos e momentos de diálogo entre os participantes (Figura 2).

 

 

 

Figura 2 – Atividade de exposição teórica sobre compostagem e reaproveitamento de resíduos orgânicos na Escola Municipal José Neri de Oliveira, Doutor Severiano/RN.

Fonte: Autores (2026).

Na etapa prática, os estudantes participaram da montagem das composteiras sob a orientação das pesquisadoras responsáveis pelo estudo. Foram implantadas três composteiras verticais, em que adotou-se métodos distintos: compostagem convencional, vermicompostagem e compostagem com matéria orgânica triturada (Figura 3).

O processo de compostagem foi conduzido em etapas sequenciais, seguindo protocolos descritos na literatura científica sobre gerenciamento de resíduos orgânicos. Inicialmente, realizou-se a segregação dos resíduos orgânicos gerados no refeitório escolar, priorizando restos e cascas de frutas e hortaliças, procedimento que facilita o tratamento biológico da fração orgânica e reduz a contaminação por materiais não biodegradáveis, conforme abordagem geral do processo de compostagem de resíduos orgânicos descrita por Manea et al. (2024), que ressalta a importância de adequada triagem e preparação dos resíduos para compostagem eficiente (Manea et al., 2024).

Em seguida, procedeu-se ao preparo do material, com trituração parcial dos resíduos em uma das composteiras para aumentar a superfície de contato e acelerar a decomposição microbiana; essa prática se alinha com recomendações que estabelecem que a redução do tamanho de partícula favorece a atividade microbiana e acelera a estabilização do material compostável (Kadir et al., 2016).

A etapa de organização em camadas, intercalando resíduos orgânicos úmidos com materiais secos como folhas e palha para manter o equilíbrio da relação carbono/nitrogênio, baseou-se no entendimento de que o balanço entre fontes de carbono e nitrogênio é um dos principais parâmetros de controle do processo, influenciando a eficiência da decomposição e maturação do composto (Muhayodin et al., 2021). A aeração periódica do material, realizada manualmente por meio de revolvimento, visou garantir condições aeróbias adequadas ao processo, prática consistente com o consenso de que a manutenção de oxigênio favorece a decomposição microbiológica aeróbia e minimiza odores e patógenos (Lin et al., 2022). O monitoramento visual do processo de decomposição, considerando aspectos como odor, presença de insetos e alteração da textura do material, foi incluído como parâmetro qualitativo de avaliação das fases do processo, sendo esse tipo de observação amplamente citado em estudos de campo sobre compostagem doméstica e institucional (Ferreira & Silva, 2022).

Na composteira destinada à vermicompostagem, foram introduzidas minhocas da espécie Eisenia fetida, uma espécie amplamente utilizada em pesquisas de vermicompostagem devido à sua eficácia na conversão de resíduos orgânicos em composto rico em nutrientes e melhoria das propriedades físico-químicas do material final, conforme demonstrado em estudos sobre produção de vermicomposto com diferentes misturas de resíduos utilizando Eisenia fetida (Usta & Güven, 2024; Kapila et al., 2024). Foram adotados cuidados específicos quanto à umidade e à temperatura para garantir a sobrevivência e a eficiência dos organismos decompositores, alinhados às condições ambientais favoráveis descritas na literatura sobre manejo de vermicompostagem com Eisenia fetida (PubMed, 2017).

O manejo das composteiras incluiu atividades semanais de revolvimento do material, controle de umidade e observação das condições gerais do processo, consistentes com protocolos de manejo usados em estudos experimentais de compostagem e vermicompostagem para assegurar um ambiente aeróbico e estimular a atividade biológica ao longo do tempo de tratamento (El-Mrini et al., 2022). O acompanhamento do processo de compostagem foi realizado ao longo de aproximadamente 60 dias, período que tem sido considerado adequado em diversos estudos sobre vermicompostagem para observar as principais fases da decomposição da matéria orgânica e a formação de um composto parcialmente estabilizado com propriedades nutricionais e físico-químicas favoráveis ao uso como adubo orgânico (Usta & Güven, 2024; Kapila et al., 2024).

 

Figura 3 – Etapas da montagem das composteiras verticais utilizadas no estudo: (a) preparação das estruturas com perfuração dos recipientes para aeração e drenagem; (b) preenchimento das composteiras com camadas de matéria seca, resíduos orgânicos e, no caso da vermicompostagem, inserção de minhocas; (c) composteiras finalizadas.

Fonte: Autores (2026).

Ao final do período de acompanhamento, o composto orgânico obtido foi destinado à horta escolar da instituição, sendo utilizado como condicionador do solo nos canteiros cultivados. Essa etapa permitiu a integração entre a prática da compostagem e as atividades pedagógicas desenvolvidas na horta escolar, reforçando o caráter educativo e sustentável da intervenção.

  • Instrumento de coleta de dados

Para a coleta de dados, foi elaborado e aplicado um questionário estruturado junto a 28 alunos do 8º ano da EMJNO, com a finalidade de avaliar o nível de conhecimento prévio e a compreensão dos discentes acerca da temática da compostagem. O instrumento de coleta foi composto por cinco questões objetivas, conforme apresentado no Apêndice, elaboradas de forma clara e compatível com a faixa etária dos participantes, visando garantir a fidedignidade das respostas.

As questões contemplaram diferentes dimensões do processo de compostagem, abrangendo: (i) a compreensão conceitual sobre o que é a compostagem e sua finalidade; (ii) a identificação do subproduto líquido gerado durante o processo, conhecido como chorume ou biofertilizante líquido; (iii) o reconhecimento dos principais benefícios ambientais associados à prática da compostagem, como a redução de resíduos sólidos, a diminuição de impactos ambientais e a melhoria da qualidade do solo; (iv) o conhecimento acerca dos resíduos orgânicos adequados para utilização nas composteiras, incluindo restos de alimentos e resíduos vegetais; e (v) aspectos técnicos relacionados à construção, ao manejo e ao funcionamento das composteiras, considerando critérios básicos de operação e manutenção.

A aplicação do questionário permitiu avaliar o nível de conhecimento dos alunos e a indicação da realização das ações educativas desenvolvidas, bem como o planejamento de estratégias pedagógicas voltadas à educação ambiental e à gestão sustentável dos resíduos orgânicos no ambiente escolar.

  • Ações educativas

De forma complementar às intervenções práticas, foram desenvolvidas ações educativas voltadas ao acompanhamento do processo de compostagem, com o objetivo de reforçar os conteúdos abordados e estimular a reflexão crítica dos estudantes. 

Essas ações incluíram exposições dialogadas, visitas periódicas às composteiras, dinâmicas coletivas e discussões orientadas sobre as etapas do processo de decomposição da matéria orgânica, realizadas em três momentos distintos ao longo do período de acompanhamento.

  • Análise de dados

Os dados obtidos por meio do questionário foram organizados em tabelas no software Microsoft Excel, sendo as respostas quantificadas de acordo com sua frequência de ocorrência. A análise dos dados seguiu uma abordagem descritiva e interpretativa, compatível com a natureza qualitativa da pesquisa.

A pesquisa respeitou os princípios éticos aplicáveis a estudos envolvendo seres humanos, assegurando o anonimato dos participantes e a utilização dos dados exclusivamente para fins científicos e educacionais. A participação dos estudantes ocorreu de forma voluntária, mediante autorização da gestão escolar e acompanhamento dos docentes responsáveis.

Resultados e Discussão
  • Conceito de compostagem

A análise das respostas revelou que 85,71% dos estudantes identificaram corretamente a compostagem como um processo de reciclagem de resíduos orgânicos que resulta na formação de adubo natural, denominado húmus. Por outro lado, 14,28% dos participantes apresentaram respostas incompatíveis com o conceito científico do processo, associando-o, de forma equivocada, à transformação de resíduos inorgânicos ou à produção de adubos de natureza química (Tabela 1).

Tabela 1 – Concepções dos estudantes sobre o conceito de compostagem na Escola Municipal José Neri de Oliveira, Doutor Severiano, Rio Grande do Norte.

Concepção apresentada

Percentual (%)

Processo biológico associado à transformação incorreta de resíduos inorgânicos em adubo

7,14

Processo químico de caráter industrial

0,00

Processo de reciclagem de resíduos orgânicos com formação de húmus

85,71

Processo biológico sem participação de microrganismos

0,00

Processo biológico associado à produção de adubo químico

7,14

Fonte: Autores (2026).

O elevado índice de acertos indica um nível consistente de compreensão conceitual por parte dos discentes, refletindo a efetividade das estratégias pedagógicas adotadas ao longo da intervenção. A articulação entre conteúdos teóricos e atividades práticas mostrou-se determinante para a consolidação do conhecimento, uma vez que possibilitou aos alunos não apenas o contato conceitual com a temática, mas também a vivência direta do processo de compostagem no ambiente escolar. Essa aproximação empírica favoreceu a compreensão dos princípios que regem a compostagem, especialmente no que se refere ao papel dos microrganismos decompositores, à natureza biológica do processo e à utilização exclusiva de resíduos orgânicos como matéria-prima.

As respostas incorretas concentraram-se em alternativas que apresentavam termos semanticamente próximos ao conceito correto, porém cientificamente inadequados. Tal padrão sugere que os equívocos observados não decorrem de desconhecimento do tema, mas, possivelmente, de interpretações imprecisas dos enunciados ou de confusões conceituais pontuais, comuns em processos de aprendizagem em consolidação. Dessa forma, infere-se que a compreensão global sobre o conceito de compostagem foi satisfatória entre a maioria dos participantes.

A predominância de respostas corretas indica que a intervenção pedagógica foi eficaz na consolidação do conceito científico de compostagem, especialmente no que se refere à distinção entre resíduos orgânicos e inorgânicos e à natureza biológica do processo. Esse resultado sugere que estratégias educativas que articulam teoria e prática favorecem a aprendizagem significativa, permitindo que os estudantes construam o conhecimento de forma contextualizada e aplicada. Contudo, a presença de equívocos pontuais evidencia que o processo de aprendizagem ainda se encontra em consolidação, demandando ações educativas contínuas para o aprofundamento conceitual.

Segundo Silva et al. (2021); Santos e Araújo (2020) abordagens pedagógicas fundamentadas na articulação entre teoria e prática apresentam maior efetividade na consolidação de conceitos relacionados à educação ambiental, quando comparadas a métodos exclusivamente expositivos e a vivência prática em atividades ambientais contribui de forma significativa para a construção do conhecimento crítico e para a internalização de conceitos científicos, especialmente quando inserida no cotidiano escolar (Jacobi, 2003).

  • Subproduto líquido

Os resultados demonstraram que 92,86% dos estudantes identificaram corretamente o chorume como o subproduto líquido resultante do processo de decomposição dos resíduos orgânicos, enquanto 7,14% apresentaram respostas incorretas, distribuídas entre as alternativas “óleo orgânico” (3,57%) e “resina natural” (3,57%) (Tabela 2). Não foram registradas marcações para as alternativas “seiva vegetal” e “água compostada”, o que indica um padrão consistente de respostas e reduz a ocorrência de concepções aleatórias.

Tabela 2 – Concepções dos estudantes sobre o subproduto líquido gerado no processo de compostagem na Escola Municipal José Neri de Oliveira, Doutor Severiano, Rio Grande do Norte.

Concepção apresentada

Percentual (%)

Óleo orgânico

3,57%

Chorume

92,86%

Resina natural

3,57%

Seiva vegetal

0,00%

Água compostada

0,00%

Fonte: Autores (2026).

O elevado percentual de acertos evidencia uma compreensão consolidada acerca da origem e da natureza do chorume, reconhecido pelos estudantes como um subproduto decorrente da liberação de líquidos dos resíduos orgânicos associados à atividade metabólica dos microrganismos decompositores ao longo da compostagem. Tal resultado sugere que os participantes assimilaram não apenas a nomenclatura do subproduto, mas também os processos biológicos envolvidos em sua formação, demonstrando avanço no entendimento dos mecanismos que regem a decomposição da matéria orgânica.

Esse desempenho pode ser diretamente relacionado à metodologia pedagógica empregada, que integrou momentos expositivos com atividades práticas de acompanhamento da composteira no ambiente escolar. A observação direta da liberação do líquido durante o processo de decomposição, associada à mediação pedagógica, favoreceu a construção de uma aprendizagem significativa, permitindo que os estudantes relacionassem o conceito teórico à dinâmica observada na prática. Essa abordagem contribuiu para reduzir abstrações excessivas e possibilitou a compreensão concreta dos subprodutos gerados.

As respostas incorretas, embora pouco frequentes, parecem estar associadas a confusões conceituais pontuais, especialmente pela associação indevida do chorume a outras substâncias líquidas presentes em contextos distintos, como processos industriais ou biológicos não relacionados à compostagem. Entretanto, a baixa incidência desses equívocos indica que tais interpretações não comprometem a compreensão geral do grupo. Além disso, a ausência de marcações nas alternativas “seiva vegetal” e “água compostada” reforça a clareza conceitual dos estudantes quanto à distinção entre fluidos de origem vegetal e o subproduto gerado pela decomposição de resíduos orgânicos.

Esses resultados apontam que atividades práticas associadas à observação direta do processo de decomposição contribuem significativamente para a compreensão dos produtos e subprodutos da compostagem, incluindo o chorume (Silva et al., 2021; Santos e Araújo, 2020). Conforme destacado por Jacobi (2003), a contextualização do conteúdo ambiental aliada à vivência prática favorece a internalização dos conceitos científicos e reduz a ocorrência de concepções alternativas equivocadas. Segundo Oliveira et al. (2019), a compostagem escolar promove avanços consistentes na compreensão dos processos biológicos envolvidos e no reconhecimento adequado de seus produtos.

A elevada taxa de acertos observada nesse item pode ser atribuída à vivência prática proporcionada pela observação direta do processo de compostagem, que permitiu aos estudantes identificar visualmente a liberação do subproduto líquido ao longo da decomposição da matéria orgânica. Essa experiência concreta contribuiu para a redução de abstrações excessivas e para a correta associação entre o conceito teórico e o fenômeno observado, reforçando a importância da aprendizagem experiencial no ensino de conteúdos relacionados à educação ambiental.

  • Benefícios da compostagem

Como já mencionado, a compostagem constitui uma estratégia ambientalmente adequada para o manejo dos resíduos orgânicos, cuja responsabilidade extrapola a atuação exclusiva do poder público e se estende às ações cotidianas dos cidadãos, incluindo a comunidade escolar (Jacobi, 2003; Santos e Araújo, 2020). No contexto educacional, essa prática assume papel duplo, ao contribuir simultaneamente para a redução dos impactos ambientais associados ao descarte inadequado de resíduos e para a formação de uma consciência ambiental crítica, participativa e socialmente responsável (Loureiro, 2012; Silva et al., 2021).

No ambiente escolar, o uso do composto orgânico oriundo da compostagem possibilita a aplicação prática desses conhecimentos em hortas pedagógicas e jardins, permitindo que os estudantes compreendam, de forma concreta, a ciclagem de nutrientes e a interdependência entre resíduos, solo e produção de alimentos (Santos e Araújo, 2020; Oliveira et al., 2019). Ademais, a substituição parcial ou total de fertilizantes industrializados pelo adubo orgânico reduz potenciais impactos negativos ao solo, à água e à saúde humana, frequentemente associados ao uso indiscriminado de insumos químicos, ao mesmo tempo em que fortalece práticas agrícolas e educativas sustentáveis (Primavesi, 2014; Cantú, 2020).

Os resultados obtidos neste estudo evidenciaram que 50% dos estudantes assinalaram corretamente a alternativa relacionada à produção de adubo orgânico como principal benefício da compostagem (Tabela 3), demonstrando compreensão satisfatória sobre o produto final do processo. Esse resultado reflete a efetividade das atividades teóricas e práticas desenvolvidas, que enfatizaram a diferenciação entre adubos orgânicos e fertilizantes químicos, bem como os benefícios ambientais associados ao uso de insumos naturais.

As alternativas “redução do volume de lixo orgânico produzido” e “diminuição da contaminação do solo devido ao chorume” foram selecionadas por 14,29% dos estudantes cada. Embora ambas representem benefícios reais da compostagem, esses resultados indicam dificuldades pontuais na interpretação do comando da questão, que solicitava a identificação da alternativa incorreta. No caso específico do chorume, o equívoco pode estar relacionado à percepção negativa historicamente atribuída a esse subproduto, frequentemente associado à poluição, desconsiderando seu potencial de uso como biofertilizante quando manejado de forma adequada e diluído corretamente.

A alternativa “redução da emissão de gás metano em lixões”, assinalada por 17,86% dos estudantes, também corresponde a um benefício reconhecido da compostagem, uma vez que a diminuição do envio de resíduos orgânicos para aterros e lixões contribui diretamente para a mitigação da emissão de gases de efeito estufa. Esse resultado reforça a hipótese de que parte dos estudantes apresentou dificuldades de leitura atenta ou interpretação do enunciado, e não desconhecimento do conteúdo abordado.

Por fim, a alternativa “economia na compra de fertilizantes industrializados” apresentou o menor percentual de respostas (3,57%), apesar de também representar um benefício direto da compostagem. A baixa frequência dessa escolha sugere que os estudantes associam a compostagem prioritariamente aos benefícios ambientais e ecológicos, mais do que aos aspectos econômicos, o que é coerente com o enfoque pedagógico adotado durante a intervenção.

Tabela 3 – Benefícios da compostagem na Escola Municipal José Neri de Oliveira, Doutor Severiano, Rio Grande do Norte.

Concepção apresentada

Percentual (%)

 

Redução do volume de lixo orgânico produzido

14,29% 

Redução da emissão de gás metano em lixões

17,86%

Produção de adubo químico para uso em hortas caseiras

50,00%

Diminuição da contaminação do solo devido ao chorume

14,29%

Economia na compra de fertilizantes industrializados

3,57%

Fonte: Autores (2026).

Nascimento et al. (2025) apontou em suas pesquisas que questões que exigem a identificação de exceções ou alternativas incorretas tendem a apresentar maior índice de erros, mesmo quando os estudantes demonstram domínio conceitual do tema, o que está associado, principalmente, a dificuldades de interpretação do enunciado. Santos e Araújo (2020) também verificaram que a associação entre atividades práticas de compostagem e discussões teóricas favorece a compreensão dos benefícios ambientais do processo, como a redução do volume de resíduos orgânicos, a diminuição da emissão de gases de efeito estufa e a economia no uso de fertilizantes industrializados. No entanto, esses autores destacam que conceitos relacionados à diferenciação entre adubo orgânico e adubo químico ainda podem gerar confusão em parte dos estudantes, especialmente quando apresentados em questões de múltipla escolha com termos semelhantes.

É importante fazer a ressalva de que, esse tipo de dificuldade encontrada no trabalho é recorrente em atividades avaliativas de educação ambiental e não necessariamente indica ausência de aprendizagem, mas sim a necessidade de reforço de estratégias que estimulem a leitura crítica e a análise cuidadosa dos comandos das questões.

  • Importância dos resíduos orgânicos

Os resultados evidenciaram um índice de acerto de 100% por parte dos estudantes quanto à identificação dos resíduos orgânicos adequados para a prática da compostagem (Tabela 4), demonstrando domínio conceitual consistente sobre a seleção correta dos materiais a serem utilizados no processo. Os discentes reconheceram corretamente resíduos como restos de frutas, legumes e verduras, cascas de ovos e borra de café, o que indica compreensão acerca da natureza biodegradável desses materiais e de seu papel no processo de decomposição da matéria orgânica.

 

 

Tabela 4 – Resíduos orgânicos passíveis de utilização na compostagem na Escola Municipal José Neri de Oliveira, Doutor Severiano, Rio Grande do Norte.

Concepção apresentada

Percentual (%)

Restos de frutas, legumes, verduras, cascas de ovos, borra de café, entre outros

100,00

Restos de frutas, plásticos, verduras, cascas de ovos, borra de café, entre outros

0,00

Restos de carnes, legumes, verduras, cascas de ovos, borra de café, entre outros

0,00

Restos de frutas, legumes, detergentes, cascas de ovos, borra de café, entre outros

0,00

Restos de frutas, legumes, verduras, pilhas, borra de café, entre outros

0,00

Fonte: Autores (2026).

Esse resultado reflete não apenas o reconhecimento dos resíduos passíveis de compostagem, mas também a compreensão de sua importância para a qualidade do composto final. Resíduos orgânicos de origem vegetal constituem a principal fonte de carbono e nitrogênio, elementos essenciais para o equilíbrio da relação C/N, considerada um dos fatores determinantes para a eficiência do processo de compostagem. Sabe-se que, a adequada combinação desses resíduos favorece a atividade dos microrganismos decompositores, acelera a degradação da matéria orgânica e contribui para a formação de um composto estável, rico em nutrientes e biologicamente ativo.

Observou-se, ainda, que os estudantes demonstraram entendimento quanto à necessidade de priorizar resíduos não cítricos, reconhecendo que a adição excessiva de materiais cítricos pode provocar alterações indesejáveis no pH do composto, interferindo na atividade microbiana e, consequentemente, na eficiência do processo de decomposição. Da mesma forma, evidenciaram clareza conceitual ao apontar a importância de evitar a inclusão de carnes, alimentos gordurosos ou temperados, uma vez que esses resíduos podem gerar odores desagradáveis, favorecer a proliferação de insetos e microrganismos patogênicos, além de comprometer a qualidade sanitária e agronômica do adubo final.

A correta seleção dos resíduos orgânicos também está diretamente relacionada à qualidade nutricional do composto produzido. Resíduos vegetais, como cascas de frutas e restos de hortaliças, contribuem significativamente para o aporte de nutrientes essenciais às plantas, como potássio, cálcio, magnésio e micronutrientes, além de promoverem melhorias na estrutura física do solo, aumento da capacidade de retenção de água e estímulo à atividade biológica. Nesse sentido, o reconhecimento adequado dos resíduos a serem utilizados reflete uma compreensão ampliada dos benefícios agronômicos e ambientais associados à compostagem.

Vale destacar que, esse resultado já era esperado, considerando que a temática dos resíduos orgânicos foi amplamente trabalhada ao longo das intervenções pedagógicas, tanto em atividades teóricas quanto práticas. O envolvimento direto dos estudantes no processo de separação, seleção e manejo dos resíduos utilizados nas composteiras escolares proporcionou uma aprendizagem experiencial, favorecendo a internalização dos conceitos e a consolidação do conhecimento. Esse tipo de abordagem pedagógica contribui para a formação de hábitos sustentáveis, uma vez que permite aos estudantes compreenderem, de forma prática, a importância da correta destinação dos resíduos orgânicos e seu potencial de reaproveitamento.

De modo geral, pode-se dizer afirmar que a associação entre práticas educativas participativas e o acompanhamento contínuo do processo de compostagem no ambiente escolar é fundamental para o desenvolvimento de competências relacionadas à gestão sustentável de resíduos. Além de promover a aprendizagem de conteúdos científicos, essa vivência favorece a construção de uma consciência ambiental crítica, estimulando atitudes responsáveis que podem ser reproduzidas no cotidiano dos estudantes e de suas famílias, ampliando o alcance das ações de educação ambiental para além do espaço escolar.

  • Composteiras

Os resultados indicaram que apenas 7,41% dos estudantes assinalaram corretamente a alternativa correspondente exclusivamente à afirmativa II, a qual descrevia a presença de minhocas em uma das composteiras, informação condizente com a prática efetivamente realizada durante a atividade pedagógica (Tabela 5). Esse percentual reduzido evidencia que, embora os estudantes tenham participado ativamente da construção e do manejo das composteiras, houve dificuldade na identificação precisa das proposições corretas quando apresentadas em um enunciado composto.

O baixo percentual de respostas corretas relacionado aos aspectos técnicos das composteiras indica que, embora os estudantes tenham desenvolvido uma compreensão satisfatória dos conceitos gerais da compostagem, persistem dificuldades quanto ao domínio de procedimentos operacionais mais específicos. Isso confirma que o conhecimento técnico demanda maior tempo de exposição, repetição das práticas e acompanhamento sistemático, reforçando a necessidade de intervenções pedagógicas contínuas e mais direcionadas à operacionalização do processo de compostagem no ambiente escolar.

Tabela 5 – Identificação correta das afirmativas sobre as composteiras na Escola Municipal José Neri de Oliveira, Doutor Severiano, Rio Grande do Norte.

Alternativa assinalada

Percentual (%)

I e II

85,19

II e III

7,41

II

7,41

III

0,00

I e III

0,00

*Legenda: I: Foram produzidas três tipos de composteiras, duas iguais e uma diferente.  II: Em uma das composteiras há minhocas. III: A torneira é implementada no penúltimo balde. IV: Não é realizado furos nas composteiras. Fonte: Autores (2026).

 

A maioria dos participantes (85,19%) optou pela alternativa “I e II”, demonstrando um equívoco de interpretação. Apesar de a afirmativa II estar correta, a afirmativa I não representava fielmente a realidade da atividade desenvolvida, uma vez que foram confeccionadas três composteiras verticais utilizando métodos distintos, e não duas composteiras iguais e uma diferente, como sugerido na proposição. Esse resultado sugere que a presença de uma afirmativa correta dentro da alternativa influenciou a escolha dos discentes, levando-os a considerar o conjunto como verdadeiro sem a análise criteriosa e individual de cada afirmativa.

Outra alternativa selecionada foi “II e III”, assinalada por 7,41% dos estudantes. Embora essa opção também incluísse a afirmativa II, considerada correta, a afirmativa III apresentava um erro técnico relevante, uma vez que a torneira para coleta do chorume foi instalada no último balde da composteira e não no penúltimo, como descrito na proposição. Esse dado indica que parte dos estudantes apresentou compreensão geral do funcionamento das composteiras, mas demonstrou dificuldade na recordação de detalhes técnicos específicos relacionados à sua estrutura e montagem.

As alternativas “III” e “I e III” não foram assinaladas por nenhum participante, o que indica que os estudantes reconheceram a incorreção dessas proposições quando analisadas isoladamente. Esse resultado sugere que os discentes possuem uma noção geral adequada sobre os elementos básicos das composteiras, porém encontram maior dificuldade quando confrontados com questões que exigem análise integrada, leitura atenta e memória de procedimentos técnicos detalhados.

Do ponto de vista técnico, as composteiras construídas no ambiente escolar contemplaram diferentes métodos de compostagem, permitindo aos estudantes o contato com distintos tipos de sistemas. Entre eles, destacam-se as composteiras aeróbias verticais, compostas por baldes empilhados e perfurados, que favorecem a circulação de oxigênio e aceleram o processo de decomposição, além de minimizarem a emissão de odores. Esse tipo de composteira é amplamente recomendado para ambientes escolares e residenciais, devido à sua simplicidade, baixo custo e facilidade de manejo.

Além disso, uma das composteiras utilizou o método da vermicompostagem, caracterizado pela presença de minhocas, que desempenham papel fundamental na fragmentação da matéria orgânica e na aceleração do processo de decomposição. A atuação das minhocas resulta na produção de um composto de elevada qualidade biológica, rico em nutrientes e microrganismos benéficos ao solo, além de um biofertilizante líquido com alto potencial agronômico quando devidamente diluído.

A diferenciação entre os tipos de composteiras trabalhados durante a atividade pedagógica possibilitou aos estudantes compreenderem que a escolha do sistema de compostagem deve considerar fatores como disponibilidade de espaço, volume de resíduos gerados, tempo de decomposição desejado e finalidade do composto produzido. No entanto, os resultados indicam que, embora essa diferenciação tenha sido compreendida de forma prática, nem todos os detalhes técnicos foram plenamente assimilados ou retidos, especialmente quando exigida a análise comparativa entre os sistemas.

De modo geral, os dados evidenciam que a atividade contribuiu de forma significativa para a aprendizagem prática sobre compostagem e construção de composteiras, mas também revelam a necessidade de reforçar estratégias pedagógicas voltadas ao desenvolvimento da leitura crítica, da atenção aos detalhes técnicos e da interpretação cuidadosa de enunciados compostos. Esse tipo de dificuldade é recorrente em avaliações que exigem simultaneamente conhecimento conceitual, memória procedimental e análise lógica, não configurando ausência de aprendizagem, mas indicando etapas ainda em consolidação no processo educativo.

Nascimento et al. (2025) destacaram que questões nas quais exigem maior tempo de leitura tendem a apresentar maior índice de erro, mesmo em contextos nos quais os estudantes demonstram elevado engajamento e participação nas atividades práticas. Segundo o autor, esses equívocos estão mais relacionados à falta de interpretação do enunciado do que à ausência de aprendizagem. Em consonância Jacobi et al. (2003) e Oliveira et al. (2025) também apontam que atividades práticas contextualizadas, como a compostagem escolar, promovem elevado interesse e participação dos estudantes, contribuindo consideravelmente para a aprendizagem significativa.

No entanto, ficou nítido a necessidade de estratégias pedagógicas complementares que estimulem o desenvolvimento da leitura crítica e da atenção aos detalhes, especialmente em avaliações formais. Pois, apesar das dificuldades pontuais observadas na interpretação da questão, foi obtido resultados satisfatórios, com participação homogênea da turma nas atividades práticas e dinâmicas pedagógicas, reforçando o potencial da compostagem como ferramenta educativa no contexto escolar.

Importante destacar que, os resultados obtidos ao longo do desenvolvimento do projeto indicam que a intervenção pedagógica baseada na compostagem foi eficaz tanto no aspecto ambiental quanto educacional. Os dados provenientes dos questionários evidenciaram que a maioria dos participantes adquiriu conhecimento adequado acerca do conceito de compostagem, dos resíduos orgânicos passíveis de utilização, dos benefícios ambientais associados ao processo e das formas de aproveitamento do adubo produzido. 

A articulação entre atividades teóricas e práticas favoreceu a aprendizagem significativa, permitindo aos estudantes compreenderem, de forma aplicada, a importância da separação correta dos resíduos orgânicos e o papel da compostagem como alternativa sustentável para a redução do volume de resíduos destinados ao descarte. Além disso, observou-se que o projeto estimulou a reflexão crítica sobre hábitos de consumo e descarte, fortalecendo o pensamento ecológico e promovendo atitudes mais conscientes e responsáveis.

Nessa perspectiva, ficou evidenciado a relevância da compostagem na redução de impactos ambientais, na diminuição do volume de lixo orgânico e na produção de adubo natural passível de utilização em hortas e jardins escolares. A elevada aceitação da proposta pelos participantes reforça a viabilidade da implementação de ações dessa natureza no ambiente escolar, destacando seu potencial como ferramenta educativa para a promoção da educação ambiental e da formação cidadã.

  • Recomendações e perspectivas para o fortalecimento da compostagem no ambiente escolar

Assim, recomenda-se que a temática da compostagem e do manejo dos resíduos orgânicos seja incorporada de forma sistemática e permanente ao contexto escolar, superando ações isoladas e assumindo caráter estruturante no projeto pedagógico institucional. A consolidação dessas práticas poderá contribuir significativamente para a formação de uma consciência ambiental crítica, estimulando nos estudantes valores relacionados à responsabilidade socioambiental, à redução de resíduos e ao entendimento dos processos ecológicos envolvidos na ciclagem da matéria orgânica.

Sugere-se a ampliação e a continuidade das atividades práticas vinculadas à compostagem, de modo a favorecer a aprendizagem significativa por meio da vivência direta, articulando teoria e prática e possibilitando a integração com diferentes componentes curriculares. Essa abordagem interdisciplinar tende a potencializar a compreensão dos conteúdos e a contextualização do conhecimento científico com a realidade cotidiana dos estudantes.

Destaca-se, ainda, a importância da capacitação contínua dos docentes e demais profissionais da escola, garantindo o adequado manejo das composteiras e o aprofundamento conceitual acerca da gestão de resíduos sólidos, sustentabilidade e educação ambiental. Por fim, recomenda-se que futuras iniciativas e pesquisas considerem o acompanhamento dos resultados pedagógicos e ambientais ao longo do tempo, bem como a ampliação das ações para além do espaço escolar, envolvendo a comunidade local e fortalecendo o papel da escola como agente promotor de práticas sustentáveis e de transformação socioambiental.

Considerações Finais

Concluiu-se que a pesquisa alcançou os objetivos propostos ao demonstrar que a compostagem se configura como uma estratégia pedagógica consistente e eficaz para o fortalecimento da educação ambiental no ambiente escolar, bem como estipulou-se de uma importância significativa dentro das instituições de ensino, pondo em consideração o alto engajamento e compreensão dos estudantes. A experiência desenvolvida evidenciou o potencial da atividade para articular conhecimentos teóricos e práticos, favorecer o protagonismo discente e estimular a compreensão crítica acerca da sustentabilidade, da responsabilidade socioambiental e da gestão adequada dos resíduos orgânicos.

Apesar dos resultados positivos alcançados, algumas limitações devem ser consideradas na interpretação dos dados, como o número restrito de participantes, a realização do estudo em uma única instituição de ensino e a utilização de questionários como principal instrumento de coleta de dados, baseados na percepção dos estudantes. Além disso, a avaliação concentrou-se em um período relativamente curto de acompanhamento da intervenção pedagógica. Tais limitações não comprometem os resultados obtidos, mas indicam a necessidade de estudos futuros que contemplem amostras ampliadas, diferentes contextos escolares e análises de médio e longo prazo.

Observou-se que o uso das composteiras como recurso didático contribuiu para a aprendizagem significativa, ao permitir que os estudantes vivenciassem, de forma concreta, processos ecológicos relacionados à ciclagem da matéria orgânica, ampliando a percepção sobre o impacto das ações humanas no meio ambiente. Nesse sentido, a compostagem mostrou-se não apenas uma prática ambientalmente adequada, mas também um instrumento educativo capaz de promover mudanças atitudinais e comportamentais no contexto escolar.  

Diante do exposto, conclui-se que a compostagem escolar constitui uma estratégia pedagógica eficaz para a promoção da educação ambiental, ao integrar conhecimentos científicos, práticas sustentáveis e participação ativa dos estudantes. Quando adequadamente planejada e acompanhada, essa prática contribui para o desenvolvimento da consciência ambiental, do protagonismo discente e da responsabilidade socioambiental, além de alinhar-se aos princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos. Assim, a ampliação e a institucionalização de iniciativas de compostagem no ambiente escolar podem fortalecer a formação cidadã e consolidar a escola como espaço estratégico de transformação socioambiental.

Referências

ABRELPE – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Panorama dos resíduos sólidos no Brasil 2020. São Paulo: ABRELPE, 2020. Disponível em: https://abrelpe.org.br/panorama/. Acesso em: 5 out. 2025.

ANTUNES, L. F. S. et al. Produção de mudas de hortaliças: gongocomposto versus vermicomposto. Cadernos de Agroecologia, v. 15, n. 2, 2020. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Produ%C3%A7%C3%A3o+de+mudas+de+hortali%C3%A7as+gongocomposto+versus+vermicomposto. Acesso em: 15 jul. 2025.

BARBOSA, A. P. F. et al. Reaproveitamento de resíduos sólidos orgânicos oriundos da merenda escolar por meio da compostagem. Brazilian Applied Science Review, Curitiba, v. 3, n. 2, p. 1161–1168, 2019. DOI: 10.34115/basr.v3i2.1163. Acesso em: 18 jul. 2025.

BERNAL, M. P. et al. Maturity and stability parameters of composts prepared with a wide range of organic wastes. Bioresource Technology, Amsterdam, v. 100, n. 22, p. 5444–5453, 2009. Acesso em: 20 dez. 2025.

BRASIL. Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010. Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Brasília, DF: Presidência da República, 2010. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm. Acesso em: 20 jul. 2025.

CASTRO, A. C. L.; FERREIRA, T. E. D.; PANARELLI, E. A.; FONTES, K. D. S. A. Compostagem como instrumento de educação ambiental em escolas. Research, Society and Development, v. 10, n. 10, p. e410101018863, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i10.18863. Acesso em: 22 jul. 2025.

CONCEIÇÃO, J. T. P. et al. Desafios da gestão de resíduos sólidos orgânicos urbanos e a sua contribuição para a arborização urbana. Revista Geociências, v. 20, n. 2, p. 67–81, 2021. DOI: 10.33947/1981-741X-v20n2-4877. Acesso em: 25 jul. 2025.

DE MORAES, F. A.; SHUVARTZ, M.; PARANHOS, R. D. A educação ambiental em busca do saber ambiental nas instituições de ensino superior. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 20, 2008. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=A+educa%C3%A7%C3%A3o+ambiental+em+busca+do+saber+ambiental+nas+institui%C3%A7%C3%B5es+de+ensino+superior. Acesso em: 28 jul. 2025.

EL-MRINI, S. et al. Effect of initial C/N ratio and turning frequency on quality of final compost. Journal of Engineering and Applied Science, 2022. Acesso em: 9 dez. 2025.

EVANGELISTA, R. D. et al. Metodologia dos três momentos pedagógicos como ferramenta para ensino da educação ambiental. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 20, n. 1, p. 323–339, 2025. DOI: 10.34024/revbea.2025.v20.18925. Acesso em: 2 ago. 2025.

FELICORI, T. C.; FRANCO, R. A. S. R. A prática da compostagem como agente de educação ambiental transformadora no Instituto Federal de Minas Gerais. Research, Society and Development, v. 9, n. 8, 2020. DOI: 10.33448/rsd-v9i8.5789. Acesso em: 5 ago. 2025.

FERREIRA, I. C.; SILVA, J. M. Técnicas para compostagem doméstica de resíduos orgânicos: uma revisão de literatura. [S.l.]: ANAP, 2022. Acesso em: 9 dez. 2025.

FONTES, K. D. S. A. et al. Composting as an environmental education instrument in schools. Research, Society and Development, v. 10, n. 10, 2021. DOI: 10.33448/rsd-v10i10.18863. Acesso em: 8 ago. 2025.

FRANCELIN, L. P.; CORTEZ, A. T. C. Compostagem: por uma escola mais sustentável. Ciência Geográfica, v. 18, n. 1, p. 116–130, 2014. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Compostagem+por+uma+escola+mais+sustent%C3%A1vel. Acesso em: 12 ago. 2025.

GARCIA, S. S. R. et al. Análise comparativa de adubos orgânicos oriundos de diferentes tipos de compostagem. Interfaces Científicas – Saúde e Ambiente, v. 8, n. 2, p. 115–126, 2020. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=An%C3%A1lise+comparativa+de+adubos+org%C3%A2nicos+oriundos+de+diferentes+tipos+de+compostagem. Acesso em: 15 ago. 2025.

GUERRA, A. L. R. Pesquisa qualitativa e seus fundamentos na investigação científica. Revista de Gestão e Secretariado, v. 15, n. 7, p. 1–15, 2024. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Pesquisa+qualitativa+e+seus+fundamentos+na+investiga%C3%A7%C3%A3o+cient%C3%ADfica. Acesso em: 18 ago. 2025.

INÁCIO, Caio de Tasso; MILLER, Paulo Roberto Monteiro. Compostagem: ciência e prática para a gestão de resíduos orgânicos. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2009. Acesso em: 18 dez. 2025.

JACOBI, P. R. Educação ambiental, cidadania e sustentabilidade. Cadernos de Pesquisa, n. 118, p. 189–205, 2003. Disponível em: https://www.scielo.br/j/cp/a/3zJ6Zk4yZwNw7m8jZyF9KpH/. Acesso em: 20 ago. 2025.

KADIR, A. A. et al. An Overview of Organic Waste in Composting. MATEC Web of Conferences, 2016. Acesso em: 5 dez. 2025.

KAPILA, R. et al. Compositional evaluation of vermicompost prepared from different organic wastes using Eisenia fetida. Indian Journal of Agricultural Research, v. 58, n. 3, p. 468–473, 2024.

KIEHL, Edison José. Manual de compostagem: maturação e qualidade do composto. 6. ed. Piracicaba: Edison José Kiehl, 2012. Acesso em: 17 dez. 2025.

KRUGER, A. D. M.; SPECK, R. Â. Ecopedagogia no ensino de Ciências e Biologia: promovendo a consciência ambiental. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 20, n. 6, p. 313–339, 2025. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Ecopedagogia+no+ensino+de+Ci%C3%AAncias+e+Biologia. Acesso em: 25 ago. 2025.

LIN, C. et al. Composting and its application in bioremediation of organic waste. PMC, 2022.

MANEA, E. E. et al. Composting as a Sustainable Solution for Organic Solid Waste. Sustainability, v. 16, n. 15, p. 6329, 2024. Acesso em: 5 dez. 2025.

MONTEIRO, J. A. V. Benefícios da compostagem doméstica de resíduos orgânicos. Revista Educação Ambiental em Ação, n. 56, 2016. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Benef%C3%ADcios+da+compostagem+dom%C3%A9stica+de+res%C3%ADduos+org%C3%A2nicos. Acesso em: 28 ago. 2025.

MUHAYODIN, F. et al. A Review of Composting Process Models of Organic Solid Waste with a Focus on C, N, P and K. ResearchGate, 2021. Acesso em: 5 dez. 2025.

NASCIMENTO, N. K. M.; DANTAS, L.; LOBÃO, R. N. R. Dificuldades de leitura e interpretação textual. [S.l.]: Editora Realize, 2025. Disponível em: https://www.editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2025/TRABALHO_COMPLETO_EV214_ID10042_TB2795_30102025214047.pdf. Acesso em: 2 out. 2025.

OLIVEIRA, C.; FERNANDES, J. Manual de compostagem doméstica com minhocas. Guarulhos: Egitto Comercial, 2018. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Manual+de+compostagem+dom%C3%A9stica+com+minhocas+Oliveira+Fernandes. Acesso em: 30 ago. 2025.

OLIVEIRA, M. S.; SOUZA, R. F.; LIMA, A. C. Minicompostagem ecológica: uma estratégia de Educação Ambiental em escolas de educação básica no município de Lages (SC). Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 14, n. 2, p. 102–118, 2019. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Minicompostagem+ecol%C3%B3gica+Lages. Acesso em: 2 set. 2025.

OLIVEIRA, S. R. S. et al. A compostagem como estratégia multidisciplinar para promover a educação ambiental. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 20, n. 3, p. 80–92, 2025. DOI: 10.34024/revbea.2025.v20.19630. Acesso em: 5 set. 2025.

OLIVEIRA CARNEIRO, G. et al. Avaliação da qualidade do composto orgânico produzido por meio de compostagem doméstica. Revista Geama, v. 10, n. 1, p. 20–27, 2024. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Avalia%C3%A7%C3%A3o+da+qualidade+do+composto+org%C3%A2nico+produzido+por+meio+de+compostagem+dom%C3%A9stica. Acesso em: 8 set. 2025.

OLIVEIRA JÚNIOR, D. D.; SANTOS, E. K. A.; PEIXOTO, R. A. A compostagem como ferramenta de reciclagem dos resíduos orgânicos. Revista Brasileira de Educação Ambiental, v. 18, n. 7, p. 417–424, 2023. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=A+compostagem+como+ferramenta+de+reciclagem+dos+res%C3%ADduos+org%C3%A2nicos. Acesso em: 10 set. 2025.

PONTES, J. J. F. et al. O uso da prática da compostagem orgânica numa escola pública da Paraíba como ferramenta facilitadora do ensino de química. Caderno Impacto em Extensão, v. 5, n. 1, 2025. Acesso em: 2 dez. 2025.

SANTANA, V. M.; SILVA, G. M. Aprendizagem baseada em projetos: possibilidade didática de implantação de hortas escolares. Revista Educação em Páginas, v. 1, p. e11716, 2022. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Aprendizagem+baseada+em+projetos+hortas+escolares. Acesso em: 12 set. 2025.

SANTOS, J. P.; ARAÚJO, M. S. Compostagem como ferramenta pedagógica no ensino fundamental. Revista Ensino, Educação e Ciências Humanas, v. 21, n. 3, p. 234–242, 2020. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Compostagem+como+ferramenta+pedag%C3%B3gica+no+ensino+fundamental. Acesso em: 15 set. 2025.

SILVA, A. P. F. N.; CAVALCANTI, E. L. D. Experimentação no ensino de ciências: a compostagem como estratégia lúdica na educação ambiental. Revista Tecné, Episteme y Didaxis, número especial, p. 602–608, 2021. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Experimenta%C3%A7%C3%A3o+no+ensino+de+ci%C3%AAncias+compostagem. Acesso em: 18 set. 2025.

SILVA, E. F.; COSTA, R. S.; ALMEIDA, T. R. Proposta pedagógica interdisciplinar realizada a partir da utilização da composteira numa horta escolar urbana. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 35, 2018. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Proposta+pedag%C3%B3gica+interdisciplinar+composteira+horta+escolar. Acesso em: 20 set. 2025.

SILVA, K. N. et al. Compostagem de resíduos sólidos orgânicos como ferramenta da educação ambiental para aprendizagem e desenvolvimento social. Revista Tecnologia e Sociedade, v. 16, n. 41, 2020. DOI: 10.3895/rts.v16n41.11811. Acesso em: 27 nov. 2025.

SILVA, T. E. et al. O processo de compostagem direto no solo da horta escolar. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 9., 2023. Anais […] [S.l.]: CONEDU, 2023. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=O+processo+de+compostagem+direto+no+solo+da+horta+escolar. Acesso em: 22 set. 2025.

SOARES, A. L. C. et al. A importância da compostagem nos núcleos de ensino ambiental. Energia na Agricultura, v. 39, p. 112–123, 2024. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=A+import%C3%A2ncia+da+compostagem+nos+n%C3%BAcleos+de+ensino+ambiental. Acesso em: 25 set. 2025.

USTA, A. N.; GÜVEN, H. Vermicomposting organic waste with Eisenia fetida using a continuous flow-through reactor. Journal of Environmental Chemical Engineering, 2024. Acesso em: 9 dez. 2025.

WALGENBACH, P. J. S.; GRACIANO, M. J. S.; DIAS, L. D. Compostagem de resíduos orgânicos e educação ambiental. Fronteiras: Journal of Social, Technological and Environmental Science, v. 14, n. 1, p. 170–185, 2025. Disponível em: https://scholar.google.com/scholar?q=Compostagem+de+res%C3%ADduos+org%C3%A2nicos+e+educa%C3%A7%C3%A3o+ambiental+Fronteiras. Acesso em: 28 set. 2025.

WWF – World Wide Fund for Nature. Solucionar a poluição plástica: transparência e responsabilização. Brasília: WWF-Brasil, 2020. Disponível em: https://www.wwf.org.br/?77702/Solucionar-a-poluicao-plastica. Acesso em: 12 out. 2025.

WWF – World Wide Fund for Nature. Solucionar a poluição plástica: transparência e responsabilidade. Brasília: WWF-Brasil, [s.d.]. Disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/poluicao_plastica/. Acesso em: 15 out. 2025.

CAPÍTULO 3

BIOINVASÃO E TECNOLOGIA: O PAPEL DAS PLATAFORMAS DIGITAIS NA CATALOGAÇÃO E MANEJO DE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS NO RIO GRANDE DO NORTE

BIOINVASION AND TECHNOLOGY: THE ROLE OF DIGITAL PLATFORMS IN THE CATALOGING AND MANAGEMENT OF INVASIVE ALIEN SPECIES IN RIO GRANDE DO NORTE

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.03

Submetido em: 10/02/2026

Revisado em: 11/02/2026

Publicado em: 12/02/2026

Áurea Karla Bezerra e Cunha

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

http://lattes.cnpq.br/9221313679684797

Thiciany Maria Lima Custódio

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

http://lattes.cnpq.br/0603554774434383

Maria José de Holanda Leite

Doutora em Ciências Florestais. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

https://orcid.org/0000-0003-4154-3901
http://lattes.cnpq.br/9553311470144119

Denise Maria Santos

Doutora em Geociências. Instituto Dom José de Educação e Cultura, vinculado a Universidade Estadual Vale do Acaraú IDJ/UVA.

https://orcid.org/0000-0001-8886-6439
http://lattes.cnpq.br/5971649947403143

Monica Crisóstomo Padrenosso

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

http://lattes.cnpq.br/0851509865155413

 

Resumo

As espécies exóticas invasoras representam uma das maiores ameaças à biodiversidade global, causando desequilíbrios ecológicos e prejuízos econômicos severos. No Rio Grande do Norte, espécies como a algaroba (Prosopis juliflora) e o capim-gordura (Melinis minutiflora) alteram biomas sensíveis como a Caatinga e a Mata Atlântica. Este trabalho analisa os impactos dessas invasões e a eficácia do uso de plataformas digitais e da Ciência Cidadã como estratégias de monitoramento. Por meio de uma revisão bibliográfica, discute-se como o uso de ferramentas interativas e bancos de dados online pode potencializar a educação ambiental e o manejo sustentável. Conclui-se que a criação de um repositório digital específico para a realidade potiguar é fundamental para a rápida detecção de invasoras e para o engajamento comunitário na preservação dos ecossistemas locais.

Palavras-Chave: Ciência Cidadã; Biologia; Sistemas de Informação Ambiental.

Abstract

Invasive alien species represent one of the greatest threats to global biodiversity, causing ecological imbalances and severe economic losses. In Rio Grande do Norte, species such as the mesquite (Prosopis juliflora) and molasses grass (Melinis minutiflora) alter sensitive biomes like the Caatinga and the Atlantic Forest. This study analyzes the impacts of these invasions and the effectiveness of using digital platforms and Citizen Science as monitoring strategies. Through a bibliographic review, it discusses how the use of interactive tools and online databases can enhance environmental education and sustainable management. It is concluded that the creation of a digital repository specifically tailored to the local reality of Rio Grande do Norte is fundamental for the rapid detection of invasive species and for community engagement in the preservation of local ecosystems.

Keywords: Citizen Science; Biology; Environmental Information Systems

 

Introdução

A introdução de espécies exóticas invasoras (EEI) é reconhecida mundialmente como a segunda maior causa de perda de biodiversidade, superada apenas pela destruição direta de habitats. No Brasil, o marco regulatório estabelecido pela Convenção sobre Diversidade Biológica enfatiza a urgência de medidas de prevenção e controle (BRASIL, 2009). Essas espécies, ao serem translocadas de seus habitats originais, exploram nichos ecológicos sem a pressão de predadores naturais, resultando em uma competição desigual com a flora nativa (RICHARDSON et al., 2011).

No contexto do Rio Grande do Norte, a problemática assume contornos críticos devido à fragilidade de seus ecossistemas semiáridos e costeiros. A presença consolidada da algaroba (Prosopis juliflora) e a dispersão da orquídea-monge (Oeceoclades maculata) exemplificam como a bioinvasão altera a ciclagem de nutrientes e a disponibilidade hídrica no solo (MOURA, 2017). Além do dano ecológico, os impactos econômicos são latentes, afetando desde a produtividade agrícola até a infraestrutura hidrelétrica e o potencial turístico da região (PIMENTEL et al., 2005).

Diante da complexidade do manejo que envolve altos custos operacionais e riscos ambientais no uso de métodos químicos a tecnologia surge como uma aliada estratégica. Plataformas digitais e aplicativos baseados em Inteligência Artificial, como o iNaturalist e o Pl@ntNet, têm revolucionado a identificação taxonômica e o mapeamento geoespacial dessas espécies (MARTIN et al., 2012). A integração entre educação ambiental e ferramentas digitais permite o fortalecimento da “Ciência Cidadã”, onde a comunidade local deixa de ser apenas espectadora e passa a atuar como agente ativo no monitoramento ambiental.

Analisar os impactos ambientais e socioeconômicos das espécies exóticas invasoras no Rio Grande do Norte, investigando o potencial das plataformas digitais de catalogação como ferramentas de suporte ao manejo sustentável e à educação ambiental.

Metodologia

Trata-se de uma pesquisa de revisão bibliográfica de natureza qualitativa e caráter exploratório. A coleta de dados foi realizada em bases de dados científicas como Google Acadêmico, SciELO e repositórios institucionais da EMBRAPA e órgãos governamentais. Os descritores utilizados foram: “Agricultura Familiar”, “Controle de Pragas”, “Sustentabilidade Rural” e “Tecnologias de Informação”. Foram selecionados artigos, relatórios técnicos e documentos governamentais publicados entre 2001 e 2024, priorizando fontes que discutem a interseção entre manejo agrícola e inclusão digital.

Desenvolvimento
  • Espécies exóticas invasoras e impactos no ecossistema e na economia local

As espécies exóticas invasoras representam uma grave ameaça à biodiversidade no Brasil, alterando ecossistemas, competindo com espécies nativas e causando prejuízos ambientais, econômicos e sociais. Exemplos conhecidos incluem o javali (Sus scrofa), que impacta ecossistemas e áreas agrícolas, e o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), que compromete a qualidade de sistemas aquáticos e infraestrutura hidrelétrica. A expansão dessas espécies está frequentemente associada à introdução acidental ou intencional de atividades humanas, exigindo ações de manejo e controle. A Convenção sobre Diversidade Biológica destaca a importância de prevenir e mitigar os impactos causados por essas invasões (Brasil, 2009; Ziller; Dechoune, 2022).

No Rio Grande do Norte, as espécies exóticas invasoras também são uma preocupação crescente, principalmente em ecossistemas como a Caatinga e a Mata Atlântica. Um exemplo é a Oeceoclades maculata (Figura 1), uma orquídea africana que se adaptou aos habitats do estado, competindo com plantas nativas. Outra espécie de destaque é a algaroba (Prosopis juliflora) (Figura 2), que se disseminou amplamente, modificando a estrutura do solo e afetando a flora local.

Essas invasões estão ligadas ao processo de urbanização e ao uso intensivo do solo, reforçando a necessidade de medidas preventivas e manejo sustentável para mitigar os impactos ambientais (Moura, 2017; Fauna e flora do RN, 2024).

Figura 1. Orquídea monge (Oeceoclades maculata).

Fonte: Google (2024).

 

 

Figura 2. Algaroba (Prosopis juliflora).

Fonte: Google (2024).

As espécies exóticas invasoras vegetais são exemplos de plantas que, quando introduzidas fora de seus habitats nativos, causam desequilíbrios ecológicos profundos. Elas se destacam pela alta capacidade de adaptação e pela exploração eficaz de recursos, como nutrientes, luz e espaço. Além disso, apresentam alta taxa de reprodução e métodos eficientes de dispersão, como a produção abundante de sementes, que podem ser transportadas pelo vento, água ou animais (Richardson et al., 2011). Tais características favorecem sua proliferação em novos ecossistemas, onde competem com as espécies nativas, prejudicando a biodiversidade local e os processos ecológicos.

A invasão de espécies exóticas pode resultar em alterações significativas nos ciclos de nutrientes, destruição de habitats e até a extinção de espécies nativas (Pimentel et al., 2005). Um exemplo típico de planta invasora no Brasil é o jacinto-de-água (Eichhornia crassipes (Mart.) Solms), que, além de prejudicar a qualidade da água, interfere nas atividades pesqueiras e no transporte aquaviário (Gollnisch; Prata, 2022). Outro exemplo é a mimosa (Mimosa pigra L.), que afeta áreas agrícolas e de pastagem, gerando custos elevados de manejo.

As espécies exóticas invasoras não afetam apenas a biodiversidade, mas também os aspectos econômicos e sociais de uma região. A competição por recursos com as espécies nativas pode reduzir a produtividade agrícola, principalmente em culturas sensíveis. Além disso, essas espécies podem alterar os serviços ecossistêmicos, como a qualidade da água e a fertilidade do solo, impactando diretamente a economia local (Pimentel et al., 2005).

No Rio Grande do Norte, as invasões de espécies como o capim-gordura (Melinis minutiflora P. Beauv.) (Figura 3) e a acácia (Acacia mangium Willd.) (Figura 4) têm se mostrado problemáticas para a agricultura e pecuária, afetando tanto a vegetação nativa quanto a qualidade das pastagens. Essas espécies podem reduzir a produtividade de pastagens, aumentar o custo de manejo e até mesmo prejudicar a atividade de apicultura, devido ao impacto na flora local (Oliveira et al., 2015). O turismo, especialmente nas áreas de ecoturismo e turismo de natureza, também pode ser afetado, pois muitas espécies invasoras alteram a paisagem natural, reduzindo o valor turístico de determinadas áreas

Figura 3. Capim-gordura (Melinis minutiflora).

Fonte: Google (2024).

Figura 4. Acácia (Acacia mangium).

Fonte: Google (2024).

  • Desafios no controle de espécies exóticas invasoras e resiliência dos ecossistemas

O controle de espécies invasoras é um desafio complexo que envolve vários métodos de manejo, como controle mecânico, químico e biológico. Cada um desses métodos apresenta limitações e custos. O controle mecânico, como a remoção manual ou o uso de máquinas para erradicar plantas invasoras, pode ser eficaz, mas é dispendioso e demorado. O controle químico, que utiliza herbicidas, pode ser prejudicial ao meio ambiente, afetando plantas e animais nativos (Lal et al., 2019). Já o controle biológico, que envolve a introdução de inimigos naturais das espécies invasoras, é promissor, mas apresenta riscos de desequilíbrios ecológicos se não for bem monitorado.

Além disso, a falta de políticas públicas e a limitação de recursos financeiros muitas vezes dificultam a implementação de programas eficazes de controle. A legislação ambiental e a falta de fiscalização também podem ser entraves significativos (Higgins et al., 2001).

A abordagem sustentável no controle de espécies exóticas invasoras está diretamente relacionada à restauração ecológica. De acordo com Hobbs e Harris (2001), a restauração de ecossistemas deve ser focada na recuperação da biodiversidade e na restauração dos serviços ecossistêmicos, sendo fundamental para a resiliência dos ecossistemas a longo prazo. Controlar a invasão de espécies exóticas é uma etapa crucial nesse processo, pois muitas delas alteram processos ecológicos, como a ciclagem de nutrientes, que são essenciais para a saúde dos ecossistemas.

  • Educação ambiental e a inclusão da participação comunitária no processo de catalogação

A catalogação dessas espécies invasoras é essencial para a definição de estratégias de controle e recuperação de áreas invadidas. Um sistema de catalogação eficiente possibilita o monitoramento das áreas mais afetadas e a aplicação de estratégias adequadas de manejo e controle. Nesse contexto, a educação ambiental desempenha papel crucial, pois sensibiliza a população para os riscos associados à introdução de espécies exóticas e promove práticas sustentáveis de manejo (Hollweg et al., 2011). Programas educativos, campanhas de conscientização pública e plataformas digitais, como websites interativos, são ferramentas eficazes para o engajamento da comunidade e a promoção da conservação ambiental.

A participação comunitária é essencial para o sucesso de qualquer iniciativa de gestão ambiental, incluindo o controle de espécies invasoras. Plataformas colaborativas, como iNaturalist, têm sido empregadas com sucesso em vários países para permitir que cidadãos se envolvam ativamente na catalogação de espécies, seja para monitoramento ou controle de invasões (Martin et al., 2012). A criação de um website educativo para o Rio Grande do Norte pode seguir esse modelo, permitindo que a comunidade local seja informada acerca da presença de espécies invasoras e contribua com feedbacks valiosos para o crescimento do site através de discussões.

  • Uso de plataformas digitais na identificação de plantas invasoras

Estudos apontam que plataformas educativas online são eficazes na conscientização sobre questões ambientais, especialmente quando combinadas com recursos interativos, como quizzes, feedback em tempo real e fóruns de discussão, que incentivam o aprendizado ativo e a troca de informações entre os participantes (Clark; Mayer, 2016).

Com o avanço da tecnologia, especialmente nas áreas de inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina, novas ferramentas digitais têm sido desenvolvidas para identificar e monitorar plantas invasoras de maneira eficiente. Essas plataformas, especialmente sites e aplicativos, são cruciais para a rápida detecção de espécies exóticas invasoras em diferentes ecossistemas, além de oferecerem suporte a produtores rurais no manejo dessas plantas.

Uma das plataformas mais conhecidas para a identificação de espécies vegetais é o iNaturalist, uma rede social que permite aos usuários registrar, identificar e discutir observações de flora e fauna em tempo real. Esse site tem sido uma ferramenta importante não apenas para pesquisadores, mas também para cidadãos e agricultores que desejam identificar rapidamente espécies invasoras em suas propriedades. Os usuários podem tirar fotos de plantas e submetê-las para identificação, com a ajuda de uma comunidade global de especialistas e outros usuários, o que aumenta a precisão das informações (Martin et al., 2012).

A utilização de plataformas como Pl@ntNet, que permite a identificação de plantas por meio de imagens, também é uma ferramenta valiosa para o controle de espécies invasoras. Com a integração de algoritmos de reconhecimento de imagem, essas plataformas conseguem comparar as fotos enviadas com um banco de dados de espécies e fornecer sugestões precisas para a identificação. No caso do Brasil, um site adaptado à realidade local poderia ser um recurso útil para profissionais de meio ambiente, por exemplo, permitindo a catalogação de espécies invasoras típicas da região e fornecendo informações detalhadas sobre como controlá-las (Santos et al., 2020).

Além disso, essas plataformas digitais podem servir como educadores virtuais, oferecendo recursos educativos sobre como as plantas invasoras impactam a fauna local e a saúde dos ecossistemas. Sites especializados também podem fornecer dados atualizados sobre as melhores práticas para o controle dessas espécies, incluindo métodos ecológicos e sustentáveis de manejo, como o uso de técnicas de controle biológico e a reintrodução de espécies nativas (Baker et al., 2013).

Assim, a criação de um website específico para a catalogação de espécies exóticas invasoras no Rio Grande do Norte é uma iniciativa fundamental para consolidar a educação ambiental e o manejo sustentável no estado. Este site não apenas facilitará a identificação e monitoramento dessas espécies, mas também servirá como um repositório centralizado de informações, acessível a produtores rurais, pesquisadores e à comunidade em geral. Ao proporcionar uma plataforma interativa, o site pode informar e conscientizar a população local sobre os impactos ambientais e econômicos causados pelas plantas invasoras. Além disso, ao integrar ferramentas de fácil utilização, como a identificação de espécies por meio de imagens, o website pode proporcionar um suporte direto e eficiente para as práticas de manejo e controle, promovendo, assim, a preservação dos ecossistemas e da biodiversidade do estado.

Considerações Finais

O controle de espécies invasoras no Rio Grande do Norte exige uma abordagem que integre rigor técnico e participação social. A revisão dos dados demonstra que o manejo isolado é insuficiente se não houver um sistema de monitoramento contínuo e preventivo. As plataformas digitais não apenas reduzem o tempo de resposta entre a detecção de uma nova invasão e a ação de controle, mas também democratizam o conhecimento científico. A criação de um website específico para o estado, que centralize informações sobre a flora invasora local, apresenta-se como uma solução de baixo custo e alto impacto. Tal iniciativa promove a resiliência dos ecossistemas e assegura a proteção da biodiversidade potiguar para as futuras gerações.

Referências

BAKER, E. A. et al. Digital technology and the future of invasion biology. Conservation Biology, v. 27, n. 4, p. 700-710, 2013.

BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Estratégia Nacional sobre Espécies Exóticas Invasoras. Brasília: MMA, 2009.

CLARK, R. C.; MAYER, R. E. E-learning and the science of instruction: Proven guidelines for consumers and designers of multimedia learning. John Wiley & Sons, 2016.

FAUNA E FLORA DO RN. Guia de monitoramento de espécies invasoras. Natal: IDEMA, 2024.

GOLLNISCH, A.; PRATA, A. S. Impactos de Eichhornia crassipes em sistemas aquáticos brasileiros. Revista Brasileira de Botânica, v. 45, 2022.

HIGGINS, S. I. et al. Policy predictors of biological invasions. Ecological Applications, v. 11, n. 1, 2001.

HOBBS, R. J.; HARRIS, J. A. Restoration Ecology: Repairing the Earth’s Ecosystems in the New Millennium. Restoration Ecology, v. 9, n. 2, 2001.

HOLLWEG, K. S. et al. Developing a framework for assessing environmental literacy. Washington, DC: North American Association for Environmental Education, 2011.

LAL, R. et al. Chemical and biological control of invasive species: environmental risks. New York: Academic Press, 2019.

MARTIN, V. Y. et al. The role of citizen science in monitoring and managing invasive species. Journal of Environmental Management, v. 110, p. 1-10, 2012.

MOURA, F. T. Ecologia de invasões no semiárido potiguar. Natal: Ed. UFRN, 2017.

OLIVEIRA, T. S. et al. Impactos de gramíneas invasoras na apicultura e pecuária. Ciência Rural, v. 45, n. 9, 2015.

PIMENTEL, D. et al. Update on the environmental and economic costs associated with alien-invasive species in the United States. Ecological Economics, v. 52, n. 3, p. 273-288, 2005.

RICHARDSON, D. M. et al. Fifty years of invasion ecology: the legacy of Charles Elton. Oxford: Wiley-Blackwell, 2011.

SANTOS, J. P. et al. Inteligência artificial aplicada à botânica: o caso Pl@ntNet no Brasil. Revista de Tecnologia e Sociedade, v. 16, n. 42, 2020.

ZILLER, S. R.; DECHOUM, M. S. Espécies Exóticas Invasoras: Guia de Manejo e Políticas Públicas. Curitiba: Instituto Horus, 2022.

.

CAPÍTULO 4

DOAÇÃO DE SANGUE E TECNOLOGIAS DIGITAIS: INFORMAÇÃO A SERVIÇO DA VIDA

BLOOD DONATION AND DIGITAL TECHNOLOGIES: INFORMATION AT THE SERVICE OF LIFE

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501462516.04

Submetido em: 11/02/2026

Revisado em: 11/02/2026

Publicado em: 11/02/2026

Alana Keury da Silva Alves

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

http://lattes.cnpq.br/5785959018966350

Geraldo Camilo de Oliveira Júnior

Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

http://lattes.cnpq.br/6855407977578473

Maria José de Holanda Leite

Doutora em Ciências Florestais. Docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

https://orcid.org/0000-0003-4154-3901
http://lattes.cnpq.br/9553311470144119

Monica Crisóstomo Padrenosso

Licenciada em Gestão de Recursos Humanos. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Pau dos Ferros.

http://lattes.cnpq.br/0851509865155413

 

Resumo

O presente trabalho aborda a relevância biológica e social do sangue, destacando sua função vital no transporte de nutrientes e na defesa do organismo. Analisou-se o sistema ABO e o fator Rh como pilares da compatibilidade sanguínea, essencial para a segurança transfusional. Apesar da importância clínica, o Brasil enfrenta desafios na manutenção dos estoques de sangue, exacerbados por lacunas logísticas no Sistema Nacional de Sangue (SINASAN) e por mitos que alimentam a hesitação de potenciais doadores. Diante deste cenário, o estudo explora o papel das tecnologias de desenvolvimento web como ferramentas de transformação social. Discute-se o uso de linguagens como Python e frameworks como Django, além de ferramentas de design como Figma, para a criação de sites informativos eficazes. Conclui-se que a integração entre informação técnico-científica e plataformas digitais acessíveis é fundamental para desmistificar crenças errôneas, engajar a Geração Z e elevar as taxas de doação voluntária no país, garantindo a sustentabilidade do sistema de saúde.

Palavras-chave: Hematologia. Desenvolvimento Web. Conscientização Social.

Abstract

This work addresses the biological and social relevance of blood, highlighting its vital function in nutrient transport and organism defense. The ABO system and the Rh factor are analyzed as pillars of blood compatibility, which is essential for transfusion safety. Despite its clinical importance, Brazil faces challenges in maintaining blood stocks, exacerbated by logistical gaps in the National Blood System (SINASAN) and myths that fuel hesitation among potential donors. Given this scenario, the study explores the role of web development technologies as tools for social transformation. It discusses the use of languages such as Python and frameworks like Django, in addition to design tools such as Figma, for the creation of effective informative websites. The study concludes that the integration of technical-scientific information and accessible digital platforms is fundamental to demystifying erroneous beliefs, engaging Generation Z, and increasing voluntary donation rates in the country, thereby ensuring the sustainability of the healthcare system.

Keywords: Hematology. Web Development. Social Awareness.

 

Introdução

No pulsar de cada artéria, o sangue carrega não apenas a biologia da vida, mas a urgência da solidariedade humana, fluindo como um tecido líquido que conecta a ciência da sobrevivência ao dever da cidadania. O sangue, do latim sanguis, é um fluido viscoso essencial que circula pelo sistema cardiovascular, impulsionado pelo coração, com a missão primordial de transportar oxigênio e nutrientes (AULETE, 2012; DICIONÁRIO LATIM-PORTUGUÊS, 2020). Sua complexidade envolve componentes como hemácias, leucócitos e plaquetas, cujas funções variam do transporte gasoso à defesa imunológica (ASSOCIAÇÃO DA MEDULA ÓSSEA, 2016).

Contudo, a manutenção dessa vida depende da compatibilidade entre doadores e receptores, regida pelos sistemas ABO e Rh, descobertos por Karl Landsteiner (BIOGRAFIA, 2016; PINHEIRO, 2024). No Brasil, embora o SINASAN regule essa rede, a distribuição desigual de hemocentros e a baixa taxa de doação voluntária, agravada por mitos e desinformação, revelam uma fragilidade estrutural (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2023).

Este trabalho teve como objetivo analisar a importância da doação de sangue no contexto brasileiro e demonstrar como as tecnologias de desenvolvimento web (HTML, CSS, JavaScript, Python e Django) e ferramentas de design (Figma) podem ser empregadas na criação de sites informativos para mitigar o déficit de doações e educar a população.

Metodologia

A pesquisa baseou-se em uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e qualitativo. Foram consultadas bases de dados acadêmicas, portais governamentais e documentações técnicas de tecnologias da informação, abrangendo publicações entre 2005 e 2025 para fundamentar a relação entre hematologia e o desenvolvimento de soluções digitais.

Desenvolvimento
  • Sangue e sua importância

A palavra “sangue” tem origem no latim “sanguis” (Dicionário Latim-Português, 2020, p. 594). O sangue é um líquido viscoso e vermelho que circula pelo organismo animal através das artérias e vasos, sendo impulsionado pelo coração (Aulete, 2012).

Sua principal função é transportar oxigênio e nutrientes para todos os órgãos do corpo, conforme explicado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (s.d.). A produção de sangue ocorre na medula óssea dos ossos chatos, como vértebras, costelas, quadril, crânio e esterno. Em crianças, os ossos longos, como o fêmur, também participam desse processo (Hemocentro do Espírito Santo, 2013). Isso demonstra a contribuição contínua de várias partes do corpo para a produção de sangue essencial.

A Associação da Medula Óssea (2016) detalha os principais componentes do sangue: as hemácias (glóbulos vermelhos), que transportam oxigênio dos pulmões para os tecidos e removem o gás carbônico, posteriormente eliminado pelos pulmões; os leucócitos (glóbulos brancos), que defendem o organismo contra agentes infecciosos, como vírus e bactérias, além de protegerem contra substâncias estranhas; e as plaquetas, que integram o sistema de coagulação do sangue, com a função de prevenir hemorragias.

Segundo Biografia (2016), Karl Landsteiner (1868-1943) foi um médico e biólogo austríaco que classificou os grupos sanguíneos no sistema ABO e descobriu o fator Rh. Dr. Pedro Pinheiro (2024) explica que as hemácias possuem proteínas em sua superfície chamadas antígenos ou aglutinogênios, esses antígenos determinam os grupos sanguíneos A, B, AB e O no sistema ABO, embora existam apenas dois tipos de antígenos: A e B, de acordo com Dr. Marcel Brunetto (2018), antígenos são partículas ou moléculas que estimulam a produção de anticorpos e podem reagir a eles, desencadeando uma resposta do sistema imunológico.

Anticorpos, ou imunoglobulinas, são proteínas que o corpo produz para destruir substâncias estranhas, como vírus e bactérias (antígenos), Segundo Dr. Caique Miranda (2023), o fator Rh é uma proteína encontrada nas hemácias. A presença dessa proteína indica que o sangue é Rh positivo (Rh+), enquanto a ausência dela caracteriza o sangue como Rh negativo (Rh-) (Quadro 1).

Sendo assim, a compatibilidade sanguínea, conforme destacado pela TDSA Sistemas (2022), é crucial para transfusões, pois determina quais tipos de sangue podem ser doados ou recebidos sem causar reações adversas.

Quadro 1 – Compatibilidade de Doação e Recebimento de Tipos Sanguíneos.

Tipo Sanguíneo

Doa para

Recebe de

O-

Todos os tipos sanguíneos

O-

O+

A+, B+, AB+, O+

O-, O+

A-

A-, A+, AB-, AB+

O-, A-

A+

A+, AB+

O-, O+, A-, A+

B-

B-, B+, AB-, AB+

O-, B-

B+

B+, AB+

O-, O+, B-, B+

AB-

AB-, AB+

A-, B-, AB-, O-

AB+

AB+

Todos os tipos sanguíneos

Fonte: Autores (2024).

Portanto, a incompatibilidade sanguínea ocorre quando há diferenças nas proteínas nas hemácias entre o doador e o receptor, o que pode levar a reações adversas durante a transfusão. No Brasil, o Sistema Nacional de Sangue, Componentes e Derivados (SINASAN) regula a coleta e distribuição de sangue em 32 hemocentros coordenadores, 2.800 serviços de hemoterapia e mais de 500 agências transfusionais. Entretanto, a distribuição desigual dos hemocentros, concentrados em áreas urbanas, representa um obstáculo logístico em regiões de difícil acesso (Ministério da Saúde, 2023).

  • Problemas na doação de sangue

Em 2020, houve uma redução nas doações de sangue devido à pandemia. Segundo o Ministério da Saúde (2021), estima-se que essa queda tenha variado entre 15% e 20%. Este número revela que apenas uma pequena parcela da população brasileira, aproximadamente 1,4% entre 16 e 69 anos, realiza doações de sangue. Isso corresponde a cerca de 14 doadores por cada mil habitantes, resultando em mais de 3 milhões de doações anuais no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o ideal é que entre 1% e 3% da população de cada país seja composta por doadores regulares, mas, embora esse número esteja alinhado com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde continua a promover esforços para aumentar a conscientização e a taxa de doações no país (Ministério da Saúde, 2022).

No Brasil, a proporção de doadores voluntários é inferior à de países como Cuba e Nicarágua, onde todos os doadores são voluntários. No Brasil, cerca de 59,52% das doações são realizadas por voluntários, enquanto 40,48% são feitas por doadores de reposição, que contribuem por motivos pessoais, como ajudar amigos ou familiares em emergências (BBC, 2015). Essa realidade destaca a necessidade de fortalecer as campanhas de conscientização sobre a importância do ato voluntário.

De acordo com Mayra Franceschi, gerente de Relações Públicas da Rede Hemosul MS, os doadores em potencial geralmente se sensibilizam com a causa ao compreenderem a importância da doação de sangue para futuros receptores (Duim, 2024). A doação de sangue é um ato que deve vir da consciência cidadã. Doar sangue é um dever consciente em prol da vida humana. Quando cultivamos empatia, pensamos no próximo e nos identificamos com suas necessidades, agimos com solidariedade e humanidade.

Apesar de sua importância vital, a doação de sangue ainda enfrenta desafios relacionados a mitos e desinformação. Segundo Naura Faria (2015), chefe de atendimento ao doador do HemoRio, crenças equivocadas, como a ideia de que doar sangue pode causar ganho de peso ou que é necessário doar sempre após uma única vez, ainda persistem. Além disso, o medo de contrair doenças infecciosas durante a coleta também contribui para a hesitação de muitos potenciais doadores. Para reverter essa situação, é fundamental desmistificar essas crenças e informar a população sobre os reais benefícios e a segurança da doação de sangue. A educação e a conscientização são passos essenciais para aumentar o número de doadores e garantir que o sistema de transfusões possa atender adequadamente às necessidades dos pacientes em situações críticas. Aldamiz-Echevarria e Aguirre-Garcia ressaltam a importância de o hemocentro adotar recursos de marketing para captar novos doadores de sangue e promover ações de fidelização. Para tanto, destaca o uso das redes sociais e das tecnologias digitais para estabelecer proximidade e relacionamento com o doador

Por exemplo, sites estruturados para se conectar tanto ao banco de dados do hemocentro quanto ao e-mail dos usuários oferecem uma forma eficaz de divulgar campanhas de doação de sangue e incentivar os usuários a convidarem amigos para abraçar a causa (Aldamiz-echevarria; Aguirre-Garcia, 2023).

  • Doação de sangue

O sangue é um recurso humano essencial e insubstituível, com a capacidade de salvar inúmeras vidas diariamente. A demanda global por transfusões de sangue tem aumentado significativamente, impulsionada pelo crescente número de acidentes, taxas de violência e pela sua utilização em procedimentos médicos complexos (Amrigs, 2019). Assim, torna-se evidente que o sangue está se tornando cada vez mais crucial para a preservação da vida.

Instituições como hemocentros e bancos de sangue desempenham um papel social fundamental. De acordo com Ludwig e Rodrigues (2005), essas instituições são responsáveis por fornecer assistência a pacientes que necessitam de transfusões para sobreviver. Além disso, é uma exigência legal que os hospitais mantenham uma unidade de hemoterapia para operar. Este cenário destaca não apenas a importância vital dessas instituições na saúde pública, mas também a responsabilidade dos hospitais em manter suas unidades de hemoterapia plenamente operacionais, assegurando um atendimento adequado e seguro aos pacientes.

Portanto, a doação de sangue é um ato indispensável que desempenha um papel crucial na saúde e na preservação de vidas ao redor do mundo.

O processo de coleta de sangue é altamente controlado e realizado por profissionais qualificados para garantir a segurança do doador. De acordo com Acontece aQI (2023), aproximadamente 450 ml de sangue são coletados de maneira segura, seguido por uma triagem rigorosa. Além disso, o sangue doado passa por testes detalhados para determinar o tipo sanguíneo e verificar a presença de doenças, sendo armazenado em condições controladas até que esteja pronto para uso. A segurança do doador é uma prioridade, com a utilização exclusiva de materiais estéreis e descartáveis, eliminando qualquer risco de contaminação. O rigoroso cuidado com esses processos reforça a confiança no sistema de doação de sangue, essencial para assegurar um suprimento contínuo e seguro para aqueles que necessitam.

  • Contextualiazação e Importância das Tecnologias no Desenvolvimento Web

No cenário digital contemporâneo, a combinação de diferentes tecnologias e ferramentas é essencial para o desenvolvimento eficaz e eficiente de sites e aplicações web. A integração de plataformas de design, linguagens de programação e frameworks proporciona uma base sólida para a criação de produtos digitais que atendem às necessidades e expectativas dos usuários. A compreensão das funcionalidades e aplicações de cada uma dessas ferramentas é crucial para otimizar o desenvolvimento e a implementação de soluções web (Ely, 2018).

Sites informativos desempenham um papel fundamental na disseminação de informações e na educação do público sobre temas variados, incluindo questões de saúde e bem- estar, como a doação de sangue. Essas plataformas fornecem conteúdo extenso e detalhado, facilitando o acesso à informação e promovendo a conscientização. No contexto brasileiro, onde uma significativa parcela da população ainda não doa sangue devido a medos ou falta de informação, sites informativos são cruciais para reduzir essas barreiras. Eles oferecem recursos como ferramentas de pesquisa e navegação intuitiva, contribuindo para a disseminação de informações precisas e acessíveis (Neves, 2024).

As ferramentas de design como o Figma são fundamentais para criar interfaces visuais eficazes e atraentes para aplicações e sites. O Figma, por exemplo, é uma plataforma colaborativa que permite o design de interfaces responsivas e a prototipagem de sistemas, tornando-se uma ferramenta essencial para profissionais da área. Com suas funcionalidades acessíveis diretamente pelo navegador e sua versão gratuita, o Figma democratiza o design e facilita a criação de projetos digitais (Awari, 2023).

No desenvolvimento web, a linguagem de programação Python é amplamente utilizada devido à sua simplicidade e versatilidade. Python é fundamental para o desenvolvimento do back-end de sites e aplicações, gerenciando a lógica de negócios e a interação com bancos de dados (Python Software Foundation, 2025). Juntamente com o framework Django, que acelera o processo de desenvolvimento web e oferece robustez e segurança (Sachinadi, 2024), Python se torna uma escolha popular entre desenvolvedores.

Para a construção de páginas web, HTML (HyperText Markup Language) e JavaScript são ferramentas indispensáveis. O HTML estrutura o conteúdo das páginas (Marques, 2023), enquanto o JavaScript adiciona funcionalidades dinâmicas e interatividade (Pereira; Silvério, 2023). Ambos são essenciais para criar experiências de usuário envolventes e funcionais, permitindo que os sites atendam a uma variedade de necessidades e requisitos técnicos.

Cada uma dessas ferramentas e conceitos contribui de forma única para o desenvolvimento de soluções web eficazes e inovadoras. A integração desses elementos é vital para a criação de plataformas que não apenas atendem às expectativas dos usuários, mas também oferecem funcionalidades robustas e eficientes. Este referencial teórico explorará cada uma dessas áreas, apresentando suas aplicações e impactos no desenvolvimento de sites informativos e sistemas digitais (Ely, 2018).

  • Sites Informativos

Os sites informativos são plataformas digitais projetadas para fornecer conteúdo extenso e detalhado sobre uma ampla variedade de tópicos. Conforme apontado pelo portal Insights (2020), esses sites têm como principal objetivo satisfazer a curiosidade dos leitores, oferecendo informações que podem ser acessadas facilmente. Além disso, geralmente incluem ferramentas de pesquisa que facilitam a localização de dados específicos dentro da página.

Esses sites desempenham um papel crucial na redução da falta de informação e no enfrentamento de medos relacionados a temas importantes, como a doação de sangue. Um levantamento realizado pela farmacêutica Abbott (2021) revelou que quase 50% dos brasileiros não doam sangue devido a medos ou à falta de informações claras sobre o processo. Portanto, plataformas online dedicadas à informação sobre a doação de sangue têm o potencial de oferecer esclarecimentos detalhados sobre o procedimento, os benefícios para os receptores e a segurança envolvida. Com isso, podem incentivar mais pessoas a se tornarem doadoras, ajudando a salvar vidas.

O acesso à internet também contribui significativamente para a conscientização e educação sobre a doação de sangue. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 82,7% dos domicílios brasileiros têm acesso à internet (Ministério da Comunicação, 2019). A psicóloga Simone Emmanuel (2020) observa que a geração Z, que está constantemente conectada e acessa a internet frequentemente, responde bem às informações veiculadas pelas mídias sociais. Portanto, um site informativo bem estruturado, otimizado para dispositivos móveis e promovido através das redes sociais, pode alcançar e engajar efetivamente esse público jovem.

Estudos demonstram a eficácia das redes sociais na motivação para a doação de sangue. Um estudo realizado com 2.920 participantes, majoritariamente na Alemanha, indicou que 7,4% dos entrevistados foram incentivados a doar sangue através das redes sociais. Além disso, aproximadamente 70% dos participantes eram menores de 30 anos, evidenciando o grande potencial de engajamento entre os jovens. Adicionalmente, 26% dos participantes foram influenciados por amigos e familiares (Sümnig et al., 2018). Esses dados destacam a importância de estratégias que integrem redes sociais e incentivos pessoais para promover a doação de sangue de forma eficaz.

Uma pesquisa realizada no Hemocentro de Mato Grosso revelou que, em dezembro de 2022, houve um aumento expressivo nas doações voluntárias. Esse resultado indica a eficácia das campanhas em mídias digitais, já que muitos doadores se dirigiram ao MT-Hemocentro e completaram o processo de doação de sangue (Mendes et al., 2023).

O jogo “Amizade Compatível” está disponível gratuitamente na Play Store e aborda temas relevantes sobre doação de sangue, direcionados ao ambiente familiar e escolar. O jogo busca incentivar futuros doadores, permitindo que crianças e adolescentes aprendam sobre “tipos sanguíneos” de maneira mais significativa, além de promover a doação de sangue e reforçar valores como solidariedade e cidadania (Nunes et al., 2021).

  • Figma

O Figma é uma plataforma de design colaborativo que tem transformado a forma como designers e desenvolvedores criam e desenvolvem interfaces digitais (Figma, 2019). A principal vantagem do Figma é sua operação baseada na web, o que elimina a necessidade de baixar ou instalar softwares adicionais. Com isso, ele oferece todas as funcionalidades esperadas de um aplicativo, diretamente no navegador (Figma, 2023).

Desenvolvido para tornar o design mais acessível e colaborativo, o Figma disponibiliza uma versão gratuita, permitindo que um número maior de usuários explore a ferramenta e inicie sua jornada no design sem grandes investimentos iniciais. O Figma é amplamente utilizado para uma variedade de tarefas de design, incluindo a criação de interfaces responsivas para aplicativos e sites, prototipagem, desenvolvimento de fluxos de navegação e implementação de sistemas de design (Design Systems). A ferramenta também é eficiente na criação de peças para e-mail, artes para redes sociais, apresentações, e-books e infográficos.

Além de suas funcionalidades básicas, o Figma oferece suporte para animações e gráficos com dados reais, graças a extensões e recursos adicionais. Essa versatilidade tem revolucionado a rotina de trabalho de muitos profissionais, facilitando a entrega de projetos digitais completos, tanto para a web quanto para aplicativos móveis (EBAC, 2023).

  • Python

Python é uma linguagem de programação amplamente reconhecida por sua popularidade e versatilidade, destacando-se pela sua simplicidade e clareza. A sintaxe intuitiva e a ampla gama de bibliotecas disponíveis permitem que desenvolvedores criem uma variedade de aplicações, desde as mais básicas até projetos altamente complexos (Python Geral, 2024).

Como uma linguagem de código aberto, Python é mantida pela Python Software Foundation, uma organização sem fins lucrativos que supervisiona o desenvolvimento e a distribuição da linguagem. Isso garante que qualquer pessoa possa utilizar e distribuir o código- fonte do Python gratuitamente, incluindo para fins comerciais (Santana, 2022).

No desenvolvimento web, Python desempenha um papel crucial no back-end, que é a parte do site que opera no servidor e não é visível para os usuários. Enquanto o front-end envolve a interação direta dos visitantes com elementos visuais como imagens, botões e menus, o back-end é responsável por gerenciar os dados do site e garantir o funcionamento correto de todas as funções do front-end. Python é amplamente utilizado para tarefas como a transferência de dados entre servidores, a interação com bancos de dados e a gestão da segurança de sites (Hostinger, 2024).

  • Django

Django é um framework web de alto nível desenvolvido em Python, projetado para simplificar e acelerar o processo de criação de aplicativos e sites web. Segundo o site oficial do Django (djangoproject.com, 2024), o framework promove um desenvolvimento ágil e um design limpo e pragmático. Foi criado para muitos dos desafios comuns no desenvolvimento web, permitindo que os programadores se concentrem na criação de seus aplicativos sem precisar reinventar soluções já existentes.

O Django é gratuito e de código aberto, o que permite a sua ampla utilização sem custos adicionais. Entre suas principais vantagens estão a aceleração do desenvolvimento, permitindo que os projetos sejam concluídos mais rapidamente, e o foco na segurança, ajudando a prevenir muitos erros comuns relacionados a vulnerabilidades. A escalabilidade é uma das características mais destacadas do Django, permitindo que grandes sites da web, como Instagram, Pinterest e Mozilla, o utilizem para atender às suas crescentes demandas (MDN Web Docs, 2024).

  • HTML

A Linguagem de Marcação de Hipertexto (HTML) é fundamental para a criação de páginas web e aplicativos online, desempenhando um papel essencial na estruturação e formatação do conteúdo na internet. De acordo com a Hostinger (2023), o HTML utiliza um sistema de marcação que permite aos desenvolvedores definirem a estrutura e o estilo dos documentos web. Esse sistema é composto por elementos, tags e atributos que facilitam a organização de seções, parágrafos e links dentro de um documento.

O HTML funciona de maneira direta e intuitiva, como descrito pelo site Segredo.Dev (2022). A principal função do HTML é permitir que os desenvolvedores definam o propósito e a função de cada elemento dentro de uma página web, enquanto o navegador interpreta essas marcações para exibir o conteúdo corretamente. Cada elemento HTML tem uma função específica, e cabe ao desenvolvedor determinar como cada um será utilizado para garantir que o site atenda às suas necessidades e objetivos específicos (Kimelblat,2024).

  • CSS

CSS (Cascading Style Sheets) é a linguagem utilizada para estilizar o conteúdo da web. Ao contrário do HTML, o CSS não é uma linguagem de programação ou de marcação, mas sim uma linguagem de estilo, desenvolvida para descrever a apresentação de documentos escritos em HTML ou XML. Com o CSS, é possível especificar como os elementos HTML devem ser exibidos em diferentes meios, como telas, impressões e dispositivos móveis, possibilitando uma personalização abrangente e flexível da aparência visual do site (MDN Web Docs, 2024).

 

  • JavaScript

JavaScript é uma linguagem de programação dinâmica e de alto nível, amplamente utilizada para criar interações e funcionalidades em ambientes web. Segundo a Mozilla, responsável pela manutenção da documentação do JavaScript no site MDN Web Docs, a estrutura do JavaScript é baseada em protótipos que permite a construção flexível de objetos (MDN Web Docs, 2024). Além disso, de acordo com a Hostinger (2023), JavaScript permite a criação de interações e elementos dinâmicos que enriquecem a experiência do usuário em sites e aplicativos.

Conforme a EBAC (2023), JavaScript é utilizado tanto no front-end quanto no back-end dos sites e aplicativos. No front-end, a linguagem é responsável por criar e gerenciar elementos interativos e dinâmicos, como animações e atualizações de conteúdo em tempo real. No back- end, JavaScript pode ser usado para desenvolver a lógica de negócios e gerenciar dados. Como uma linguagem de scripts, JavaScript permite a execução de sequências de comandos que são essenciais para o funcionamento e a interatividade das aplicações web (EBAC, 2023).

Considerações Finais

A análise dos dados permite concluir que a doação de sangue no Brasil ainda esbarra em barreiras culturais e informacionais significativas. A transição de um modelo de “doação de reposição” para um modelo de “doação voluntária e altruísta” é o maior desafio do sistema público de saúde.

Nesse sentido, a tecnologia web emerge como uma aliada estratégica. A construção de interfaces intuitivas via Figma e o desenvolvimento de sistemas robustos com Django e Python permitem que a informação correta alcance o cidadão de forma dinâmica. Ao desmistificar medos e facilitar o acesso aos locais de coleta, as plataformas digitais não apenas informam, mas salvam vidas ao transformar o acesso à informação em ação social efetiva.

Referências

ABBOTT BRASIL. Falta de informação afasta brasileiros da doação de sangue. 2021. Disponível em: https://www.abbottbrasil.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

ACONTECE AQUI. O processo de doação de sangue e a triagem. 2023. Disponível em: https://aconteceaqui.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

ALDAMIZ-ECHEVARRIA, C.; AGUIRRE-GARCIA, M. S. Marketing de relacionamento e redes sociais na fidelização de doadores. [S. l.: s. n.], 2023.

AMRIGS. A importância vital da doação de sangue. Porto Alegre: Associação Médica do Rio Grande do Sul, 2019. Disponível em: https://amrigs.org.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

ASSOCIAÇÃO DA MEDULA ÓSSEA (AMEO). Os componentes do sangue. São Paulo: AMEO, 2016. Disponível em: https://ameo.org.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

AULETE, Caldas. Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lexicon, 2012.

AWARI. Figma: o que é e como usar a ferramenta de design. 2023. Disponível em: https://awari.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

BBC BRASIL. Doação de sangue: Brasil ainda busca voluntariado pleno. Londres: BBC, 2015. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese. Acesso em: 11 fev. 2026.

BIOGRAFIA. Karl Landsteiner. 2016. Disponível em: https://biografia.inf.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

BRUNETTO, Marcel. O que são antígenos e anticorpos?. 2018. Disponível em: https://drmarcelbrunetto.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

DICIONÁRIO LATIM-PORTUGUÊS. Porto: Porto Editora, 2020.

DJANGO SOFTWARE FOUNDATION. Django: The Web framework for perfectionists with deadlines. 2024. Disponível em: https://www.djangoproject.com. Acesso em: 11 fev. 2026.

DUIM, G. Entrevista: A consciência cidadã na doação de sangue. Campo Grande: Rede Hemosul MS, 2024.

EBAC. O que faz um desenvolvedor JavaScript?. São Paulo: Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia, 2023. Disponível em: https://ebaconline.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

ELY, M. J. Contextualização e Importância das Tecnologias no Desenvolvimento Web. [S. l.: s. n.], 2018.

FARIA, Naura. Mitos e verdades sobre a doação de sangue. Rio de Janeiro: HemoRio, 2015.

FIGMA. Figma: The Collaborative Interface Design Tool. 2023. Disponível em: https://www.figma.com. Acesso em: 11 fev. 2026.

HEMOCENTRO DO ESPÍRITO SANTO (HEMOES). Produção sanguínea e medula óssea. Vitória: SES-ES, 2013.

HOSTINGER. O que é JavaScript e como ele funciona em seu site. 2023. Disponível em: https://www.hostinger.com.br/tutoriais. Acesso em: 11 fev. 2026.

INSIGHTS. Sites informativos e a experiência do usuário. 2020. Disponível em: https://insights.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

KIMELBLAT, L. HTML: A base da web. 2024. Disponível em: https://segredo.dev. Acesso em: 11 fev. 2026.

LUDWIG, S. T.; RODRIGUES, A. C. M. Doação de sangue: uma análise do comportamento do doador. Brasília: Revista de Saúde Pública, 2005.

MDN WEB DOCS. CSS: Cascading Style Sheets. 2024. Disponível em: https://developer.mozilla.org/pt-BR/docs/Web/CSS. Acesso em: 11 fev. 2026.

MENDES, A. et al. Eficácia das campanhas digitais no Hemocentro de Mato Grosso. Cuiabá: MT-Hemocentro, 2023.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Ações para o aumento da doação de sangue no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: 11 fev. 2026.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. O Sistema Nacional de Sangue (SINASAN). Brasília: Ministério da Saúde, 2023.

MIRANDA, Caique. Fator Rh e compatibilidade. 2023. Disponível em: https://drcaiquemiranda.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

NUNES, J. et al. Amizade Compatível: incentivando a doação de sangue através de jogos. [S. l.: s. n.], 2021.

PINHEIRO, Pedro. Tipos sanguíneos e o Sistema ABO. 2024. Disponível em: https://www.mdsaude.com. Acesso em: 11 fev. 2026.

PYTHON SOFTWARE FOUNDATION. Python Language Reference, Version 3.12. 2025. Disponível em: https://www.python.org. Acesso em: 11 fev. 2026.

SÁNCHEZ, J. Infografia de la sangre. 2018.

SANTANA, T. Python: código aberto e a PSF. 2022. Disponível em: https://python.org.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DE SÃO PAULO. Funções do sangue e medula óssea. São Paulo: SES-SP, [s.d.].

SÜMNIG, A. et al. The role of social media in motivating blood donors. [S. l.]: Transfusion Medicine and Hemotherapy, 2018.

TDSA SISTEMAS. Tabela de compatibilidade para transfusão. 2022. Disponível em: https://tdsa.com.br. Acesso em: 11 fev. 2026.

-----

SUBMISSÃO EM FLUXO CONTÍNUO (SUBMETA E PUBLIQUE SEU TRABALHO IMEDIATAMENTE AQUI) 

APÓS CORRIGIDO, EDITORADO E DIAGRAMADO O SEU TRABALHO ESTARÁ APTO PARA REGISTRO E PUBLICAÇÃO IMEDIATA NESTA PÁGINA