LIVRO: COVID-19 UMA VISÃO ALÉM DO ÓBVIO

OPEN ACCESS PEER-REVIEWED BOOK 

BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DURANTE PANDEMIA DO SARS-COV-2

BIOSAFETY IN A CLINICAL ANALYSIS LABORATORY DURING THE SARS-COV-2 PANDEMIC

 2022 Editora Science / Brazil Science Publisher

Vera Kaissa Souza Santos Bacelar

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde Translacional, Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, Recife

http://lattes.cnpq.br/5973329762299128

Eduarda Santos De Santana

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Inovação Terapêutica, Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, Recife – PE

http://lattes.cnpq.br/3824051299037492

Ricardo Sérgio Da Silva

Gestor Educacional UNIFAVENI – Polo Limoeiro, Limoeiro – PE

http://lattes.cnpq.br/8354808367373706

 

Resumo

A biossegurança visa um conjunto de medidas técnicas de suma importância durante a manipulação de agentes e materiais biológicos. Diante do cenário de emergência do Coronavírus (SARS-CoV-2) os laboratórios necessitaram se adaptar na mesma velocidade da pandemia para atender com segurança a demanda. Diante disto, este trabalho tem a intenção de revisar as medidas de prevenção de contaminação pelo covid-19 nos laboratórios clínicos, utilizando como referências base de dados científicos, orientações técnicas de autoridades sanitárias e científicas.  A metodologia utilizada trata-se de uma revisão narrativa, que se deu a partir da pesquisa pelo título, leitura do resumo e seleção dos mais relevantes artigos com base na pergunta norteadora. A pesquisa foi realizada nas bases de dados eletrônicos: Scielo e Google Acadêmico. De maneira rigorosa o laboratorista necessita seguir com êxito as normas de boas práticas laboratorial, condutas gerais e técnicas assépticas, a fim de reduzir os riscos de exposição a qualquer micro-organismo. Os ambientes laboratoriais são respectivamente classificados conforme sua periculosidade segundo os critérios da CTNBio, tratando-se do SARS-CoV-2, assemelha-se a membros da família Coronavírus, tendo a classificação como micro-organismo de classe de risco 3.  Contudo, percebe-se a necessidade de materiais mais específicos para o cenário pandêmico.  Existem manuais e diretrizes que tratam de forma parcial e limitada sobre a biossegurança para o novo cenário em tempos de pandemia, com isso, faz-se necessário a elaboração de manuais ou diretriz que enfatize a biossegurança no laboratório de análises clínicas afim de nortear as boas práticas clínicas referente ao SARS-CoV-2.

Palavras-chave: Biossegurança. Laboratório. Pandemia. SARS-CoV-2.

Abstract

Biosafety aims at a set of extremely important technical measures during the handling of agents and biological materials. Faced with the emergency scenario of the Coronavirus (SARS-CoV-2), laboratories needed to adapt at the same speed as the pandemic to safely meet demand. In view of this, this work intends to review the measures to prevent contamination by covid-19 in clinical laboratories, using scientific databases and technical guidelines from health and scientific authorities as references. The methodology used is a narrative review, which was based on the search for the title, reading the abstract and selecting the most relevant articles based on the guiding question. The research was carried out in electronic databases: Scielo and Google Scholar. Strictly, the laboratory technician needs to successfully follow the rules of good laboratory practices, general conduct and aseptic techniques, in order to reduce the risks of exposure to any microorganism. The laboratory environments are respectively classified according to their dangerousness according to the CTNBio criteria, in the case of SARS-CoV-2, it resembles members of the Coronavirus family, being classified as a risk class 3 micro-organism. There is a need for more specific materials for the pandemic scenario. There are manuals and guidelines that deal in a partial and limited way with biosafety for the new scenario in times of a pandemic, therefore, it is necessary to prepare manuals or guidelines that emphasize biosafety in the clinical analysis laboratory in order to guide the good clinical practices regarding SARS-CoV-2.

Keywords: Biosafety. Laboratory. Pandemic. SARS-CoV-2.

PARA O TRABALHO COMPLETO em .pdf ACESSE O BOTÃO DO LIVRO NA PÁGINA INICIAL
 

CAPÍTULO 6

BIOSSEGURANÇA EM LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS DURANTE PANDEMIA DO SARS-CoV-2

BIOSAFETY IN A CLINICAL ANALYSIS LABORATORY DURING THE SARS-CoV-2 PANDEMIC

 

DOI: https://doi.org/10.56001/22.9786500445497.06

 

Vera Kaissa Souza Santos Bacelar

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde Translacional, Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, Recife

http://lattes.cnpq.br/5973329762299128

Eduarda Santos De Santana

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Inovação Terapêutica, Universidade Federal de Pernambuco-UFPE, Recife – PE

http://lattes.cnpq.br/3824051299037492

Ricardo Sérgio Da Silva

Gestor Educacional UNIFAVENI – Polo Limoeiro, Limoeiro – PE

http://lattes.cnpq.br/8354808367373706

 

 

 

Resumo

A biossegurança visa um conjunto de medidas técnicas de suma importância durante a manipulação de agentes e materiais biológicos. Diante do cenário de emergência do Coronavírus (SARS-CoV-2) os laboratórios necessitaram se adaptar na mesma velocidade da pandemia para atender com segurança a demanda. Diante disto, este trabalho tem a intenção de revisar as medidas de prevenção de contaminação pelo covid-19 nos laboratórios clínicos, utilizando como referências base de dados científicos, orientações técnicas de autoridades sanitárias e científicas.  A metodologia utilizada trata-se de uma revisão narrativa, que se deu a partir da pesquisa pelo título, leitura do resumo e seleção dos mais relevantes artigos com base na pergunta norteadora. A pesquisa foi realizada nas bases de dados eletrônicos: Scielo e Google Acadêmico. De maneira rigorosa o laboratorista necessita seguir com êxito as normas de boas práticas laboratorial, condutas gerais e técnicas assépticas, a fim de reduzir os riscos de exposição a qualquer micro-organismo. Os ambientes laboratoriais são respectivamente classificados conforme sua periculosidade segundo os critérios da CTNBio, tratando-se do SARS-CoV-2, assemelha-se a membros da família Coronavírus, tendo a classificação como micro-organismo de classe de risco 3.  Contudo, percebe-se a necessidade de materiais mais específicos para o cenário pandêmico.  Existem manuais e diretrizes que tratam de forma parcial e limitada sobre a biossegurança para o novo cenário em tempos de pandemia, com isso, faz-se necessário a elaboração de manuais ou diretriz que enfatize a biossegurança no laboratório de análises clínicas afim de nortear as boas práticas clínicas referente ao SARS-CoV-2.

Palavras-chave: Biossegurança. Laboratório. Pandemia. SARS-CoV-2.

Abstract

Biosafety aims at a set of extremely important technical measures during the handling of agents and biological materials. Faced with the emergency scenario of the Coronavirus (SARS-CoV-2), laboratories needed to adapt at the same speed as the pandemic to safely meet demand. In view of this, this work intends to review the measures to prevent contamination by covid-19 in clinical laboratories, using scientific databases and technical guidelines from health and scientific authorities as references. The methodology used is a narrative review, which was based on the search for the title, reading the abstract and selecting the most relevant articles based on the guiding question. The research was carried out in electronic databases: Scielo and Google Scholar. Strictly, the laboratory technician needs to successfully follow the rules of good laboratory practices, general conduct and aseptic techniques, in order to reduce the risks of exposure to any microorganism. The laboratory environments are respectively classified according to their dangerousness according to the CTNBio criteria, in the case of SARS-CoV-2, it resembles members of the Coronavirus family, being classified as a risk class 3 micro-organism. There is a need for more specific materials for the pandemic scenario. There are manuals and guidelines that deal in a partial and limited way with biosafety for the new scenario in times of a pandemic, therefore, it is necessary to prepare manuals or guidelines that emphasize biosafety in the clinical analysis laboratory in order to guide the good clinical practices regarding SARS-CoV-2.

Keywords: Biosafety. Laboratory. Pandemic. SARS-CoV-2.

 

 

Introdução

Biossegurança é o conjunto de ações voltadas para a prevenção, minimização ou eliminação dos riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, que apresenta potencial risco a saúde do homem, animais e do meio ambiente (ZOCHIO, 2009; NEVES et al.2022). A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) define estas ações como um conjunto de medidas técnicas que são de suma importância durante a manipulação de agentes e materiais biológicos. Diante do cenário de emergência do Coronavírus (SARS-CoV-2) os laboratórios necessitaram se adaptar na mesma velocidade da pandemia para atender com segurança a demanda pelos testes diagnostico (BRASIL, 2022).

 A propagação do SARS-CoV-2 ocorre de pessoa para pessoa por inalação ou deposição de aerossóis ou gotículas respiratórias nas superfícies mucosas (GRADEZI et al.2020). Estudos publicado no New England Journal of Medicine demonstram que o vírus SARS-CoV-2 pode sobreviver em superfícies por vários dias, dependendo do tipo, temperatura ou umidade do ambiente (BRASIL, 2022; SBMT, 2022). O mesmo apresenta alto potencial de disseminação, a convivência com pacientes e o manuseio laboratorial seguro de amostras tornou-se uma preocupação a nível mundial, ocasionando estado de alerta especialmente aos profissionais de saúde (MARTINELLO, 2020).

Portanto, é de suma relevância frisar o uso de normais e sinalizações, bem como uso de equipamento de proteção individual (EPI) e equipamento de proteção coletiva (EPC) a depender da demanda e nível de laboratório, uma vez que profissionais que atuam diariamente na linha de frente da pandemia, constituem cerca de 3,8% a 20% dos infectados no Brasil. A utilização de medidas de biossegurança é primordial para que possa conter a disseminação de vírus entre profissionais e pacientes, através de implementação e condições adequadas para higienização, utilização dos equipamentos de proteção individual, políticas direcionadas ao cuidado com os profissionais, além de programas relacionados aos cuidados à saúde mental, treinamento constante referente a exposição aos riscos e suas consequências (RODRIGUES et al., 2021).

Visto a importância do uso da biossegurança no âmbito laboratorial e demais departamento de saúde diante o contexto pandêmico atual, vê-se de forma indispensável o uso de medidas de prevenção e segurança eficazes para evitar a propagação e novas variações (mutações) potencializando o vírus e consequentemente aumentando o risco a qual se sujeita a vida.

Metodologia

O referente estudo trata-se de uma revisão literária afim de rever as medidas de prevenção de contaminação pelo covid-19 nos laboratórios clínicos, utilizando como referências as seguintes bases de dados: PubMed e Scielo, além de orientações técnicas de autoridades sanitárias e cientificas. Os descritores utilizados em ciências da saúde (Decs) para busca foram: Biossegurança, COVID-19 e Laboratório, para a conexão do termo foi utilizado “OR” e “AND”. Os critérios de inclusão se deram a partir de materiais publicados no período de 2010 a 2022. Como critérios de exclusão foram aplicados artigos repetidos ou indisponível de forma integral e fora do período estabelecido. De acordo as orientações de Bardin (2011) foi realizada as análises dos artigos para construção do presente estudo. Todos os trabalhos selecionados passaram por três etapas de avaliação: 1- pré-analítica, 2- exploração do conteúdo e 3- tratamento dos resultados, facilitando a realização da análise de forma organizada e crítica.

Resultados e Discussão

Através da pesquisa realizada foram encontrados cerca de 9,868Dentre estes achados, 13 artigos foram selecionados e analisados, através da leitura minuciosa do conteúdo, foram selecionadas as informações relevantes com relação ao assunto tratado de acordo com o objetivo de pesquisa.

Figura 1.  Fluxograma com a relação da quantidade de artigos encontrados e utilizados.

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Autora, 2022.

Medidas De Biossegurança em Laboratórios

A prática da biossegurança é determinada de acordo as características especificas de cada laboratório, conforme os resultados alcançados através da avaliação de risco laboratorial, avalia-se que todo e qualquer perigo a probabilidade de exposição ao risco (BRASIL, 2021).

Observar-se que isoladamente os perigos não representa riscos ao indivíduo, ou seja, só existe a partir de uma exposição, sendo assim, os equipamentos e procedimentos utilizados devem ser considerados na análise do risco, pois podem aumentar ou diminuir (RUPPENTHAL, 2013). Neste sentido autores relatam que:

 Em ordem crescente de eficiência, as estratégias para controle do risco são: utilização de equipamentos de proteção individual (EPI), medidas administrativas (como normas e sinalizações de segurança), soluções de engenharia (isolar a equipe do perigo), substituir e eliminar o perigo (essas duas últimas não são possíveis no caso da pandemia, cujo perigo é o SARS-CoV-2) (MARTINELLO, 2020).

Dentre as ações estabelecidas de biossegurança, o distanciamento social dentro do laboratório pode reduzir significativamente as infecções por SARS-CoV-2 entre as interações colaborador – colaborador e colaborador – paciente.  Separar os profissionais por equipe, onde os mesmos não mantenham contato pode ser uma estratégia eficaz para que o distanciamento seja obtido. Interações entre a equipe administrativa e a equipe laboratorial é um dos fatores responsáveis por contaminação, a retirada desses colaboradores administrativos destes ambientes para escritórios adequados pode minimizar a exposição e transmissão do agente infeccioso. Solicita-se que os ambientes utilizados para alimentação façam uso de escalas para evitar contato entre um grupo e outro, além da necessidade de implementação da política de imunização contra gripe entre os colaboradores reduzindo a suspeita de infecção (BRASIL a, 2020).

De maneira rigorosa o laboratorista necessita seguir com êxito as normas de boas práticas laboratorial, condutas gerais e técnicas assépticas, pois envolve atividades com agentes biológicos, a fim de reduzir os riscos de exposição, levando em consideração sua interação direta com as amostras coletadas para diagnósticos, onde apresenta potencial ricos de contaminação.  Além da utilização de equipamento de proteção individual (EPIs) e equipamento de proteção coletiva de acordo aos níveis de biossegurança correspondentes recomenda-se uso de ações/noções básicas aos ambientes de laboratório, bem com: calça comprida, sapato fechado, cabelo preso e não utilização de adornos, bem como higiene frequente das mãos e evitar tocar os olhos, nariz e boca são medidas universalmente recomendadas, às quais a equipe do laboratório também deve aderir (BRASIL, 2021).

Níveis de Biossegurança

No Brasil, a legislação de Biossegurança foi instituída pela Lei nº 8.974, de 5 de janeiro de 1995, que criou a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), esta lei denomina os níveis de biossegurança em NB-1, NB-2, NB-3 e NB-4, eles estão relacionados às exigências de segurança na manipulação de agentes biológicos (BRASIL, 1995).

Os ambientes laboratoriais são respectivamente classificados conforme sua periculosidade segundo os critérios da CTNBio, os referentes níveis está associado aos quesitos crescentes de segurança para manuseios de agentes biológicos, concluindo no maior nível de controle e de complexação para segurança (PENNA et al., 2010).

 

 

Tabela 1: Relação das classificações de riscos.

AUTOR

NIVEIS DE BIOSSEGURANÇA (NB)

DESCRIÇÃO

EXEMPLO

ZOCHIO (2009)

 

Nb- 1

O risco individual e para a comunidade é baixo.

Envolve agentes biológicos que possuem probabilidade nula ou baixa de promover infecções no homem ou animais, apresentando risco potencial mínimo tanto para o profissional quanto para o meio ambiente.

 

 

Lactobacillus.

 

PENNA, et  al.

(2010)

 

NB- 2

O risco individual é moderado e para  comunidade é limitado.

Inclui a agentes biológicos que provocam infecções no homem ou nos animais, cujo risco de propagação na comunidade e de disseminação no meio ambiente é limitado (existem medidas terapêuticas e profiláticas eficientes).

 

 

Toxoplasma spp.

 

 

PENNA, et  al.

(2010)

 

NB- 3

O risco individual é alto e para comunidade é limitado.

Aplica-se a agentes biológicos que provocam infecções, graves ou letais, no homem e nos animais e representam um sério risco a que os manipulam. Representam risco se disseminados na comunidade e no meio ambiente, podendo se propagar de indivíduo para individuo (existem medidas de tratamento e prevenção).

 

 

 

Bacillus anthracis.

ZOCHIO (2009)

NB- 4

O risco individual e para a comunidade é elevado.

Engloba agentes biológicos de fácil propagação, altamente patogênicos para o homem, animais e meio ambiente, representando grande risco a quem manipula, com grande poder de transmissibilidade via aerossol ou com riscos de transmissão desconhecido (não existindo medidas profiláticas ou terapêuticas).

 

 

 

Vírus Ebola.

Fonte: Autora, 2022.

 

Tratando-se do SARS-CoV-2, assemelha-se a membros da família Coronavírus. Para coleta, transporte e manipulação de amostras clinicamente suspeitas ou confirmadas com microrganismos, a mesma é classificada como microrganismo de classe de risco 3 (BRASIL b, 2020; BRASIL, 2017).  A alta transmissibilidade da COVID-19 trouxe a importância das boas práticas laboratoriais clássicas tanto para comunidade cientifica/profissional quanto para a população, onde os cuidados relacionados a higiene são primordiais para impedir a proliferação do vírus (PAVÂO et al., 2020).

Higienização do Laboratório

Estudos comprovam que o SARS-CoV-2, em determinadas superfícies pode permanecer viável por horas e até dias, dependendo do tipo de material, Portanto, a limpeza de objetos e superfícies, seguida de desinfecção, são medidas recomendadas para a prevenção da COVID-19 e de outras doenças respiratórias virais em ambientes comunitários (BRASIL, 2022; SBMT, 2022). Segundo Brasil(a) (2020) os termos limpeza e desinfecção recebem significados próprios sendo, limpeza à remoção de micro-organismos, sujeiras e impurezas das superfícies, a limpeza não mata os micro-organismos, mas, ao removê-los, diminui o número e o risco de propagação da infecção. Contudo, a desinfecção se refere ao uso de produtos químicos para matar micro-organismos em superfícies.

A descontaminação de bancadas de trabalho, instrumentos e superfícies frequentemente tocadas no laboratório como maçanetas, refrigeradores, freezers, telefones, telas sensíveis ao toque, teclados, mouse e outros. deve ser realizada com mais frequência, a cada três horas ou quando houver qualquer derramamento (MARTINELLO, 2020). Considerando que a camada externa do envelope do coronavírus é facilmente destruída, os produtos apropriados para assepsia são etanol a 70%, glutaraldeído a 2% ou hipoclorito de sódio com concentração de cloro 0,05% (500 ppm) (BAIN et al., 2020).

Os equipamentos de laboratório, tomadas elétricas e interruptores não devem ser desinfetados com hipoclorito devido ao poder oxidante e corrosivo do mesmo, sendo assim, toalhas de papel embebidas com álcool 70% são preferíveis nesses casos, e os equipamentos elétricos devem estar desconectados da fonte de alimentação durante a desinfecção (MARTINELLO). Paredes e pisos não requerem desinfecção e podem ser limpos com água e sabão comuns, exceto em caso de derramamento de material biológico, nesse caso, os mesmos produtos de desinfecção das bancadas são recomendados (GARDEZI et al., 2020).

Segundo WANG et al., (2020) em caso de derramamento de material infectante, o equipamento ou área devem ser isolados e procedida a desinfecção, caso seja no chão, cobrir o local de derramamento com material absorvente para mini­mizar a área afetada e a produção de aerossóis, cobrir o local com cloro ativo 2%, de forma concêntrica, iniciando pelo exterior da área de derrame e avançando para o centro, deixar em repouso pelo menos trinta minutos para ação do desinfetante, retirar os materiais envolvidos no acidente, inclusive objetos cortantes, utilizando uma pinça ou um pedaço de cartão rígido para recolher o material e colocá-lo em um recipiente resistente para descarte final, ácido peracético (2 g/L) ou H2O2 3% ou dióxido de cloro 100 mg/L podem ser usados para fumigar o laboratório durante a noite, ou desinfetante em aerossol pode ser pulverizado a cada uma a duas horas (WANG et al., 2020; LIPI  et al., 2020).

Considerações Finais

Os laboratórios de análises clínicas corroboram na linha de frente no combate ao SARS-CoV-2, através de testes para diagnostico além de monitoramento dos pacientes infectados, com o surgimento da covid-19 as boas práticas clínicas de biossegurança tornaram-se mais frequente tanto no cotidiano laboratorial quanto da sociedade. No entanto, existe a deficiências de documentos completos referente a biosseguranças voltado para laboratórios clínicos, uma vez que laboratórios com poucos recursos precisaram se adaptar de forma segura e econômica, para garantir o manuseio seguro de amostras. Existem manuais e diretrizes que tratam de forma parcial e limitada sobre a biossegurança. Com isso, faz-se necessário a elaboração de manuais ou diretriz que enfatize a biossegurança no laboratório de análises clínicas afim de nortear as boas práticas clínicas referente ao SARS-CoV-2.

Referências

BAIN W. et al. Practical Guidelines for Collection, Manipulation and Inactivation of SARS-CoV-2 and COVID-19 Clinical Specimens. Curr Protoc Cytom.; v. 93 n.1, 2020.

BARDINI, L. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70. 2011.

BRASIL. Legislação Informatizada - LEI Nº 8.974, DE 5 DE JANEIRO DE 1995 - Publicação Original. Disponível em:< https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1995/lei-8974-5-janeiro-1995-348748-publicacaooriginal-1-pl.html>. Acesso em 25.10.22.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde. Classificação de risco dos agentes biológicos / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento do Complexo Industrial e Inovação em Saúde. – 3ª ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017. 48 p.

BRASIL a, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nota Técnica n° 22. Recomendações e alertas sobre procedimentos de desinfecção em locais públicos realizados durante a pandemia da COVID-19 SEI/COSAN/GHCOS/DIRE3. Brasília: Ministério da Saúde; 2020.

BRASIL b. Organização Pan Americana de Saúde. Orientações de biossegurança laboratorial relativa à doença do coronavírus (COVID-19). Orientação provisória 19 de março de 2020.

BRASIL, Manual de Biossegurança Laboratorial. Quarta Edição. Brasília, D.F.: Organização Pan-Americana da Saúde; 2021. Licença: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. https://doi. org/10.37774/9789275724170.

BRASIL, Fundação Oswaldo Cruz. Quanto tempo o coronavírus permanece ativo em diferentes superfícies? 2022. Disponível em: < https://portal.fiocruz.br/pergunta/quanto-tempo-o-coronavirus-permanece-ativo-em-diferentes-superficies#:~:text=Um%20estudo%20publicado%20no%20New,reduzindo%20o%20risco%20de%20contamina%C3%A7%C3%A3o.>. Acesso em: 07.06.2022.

GARDEZI, S.A.H.; IKRAM, A. Application of biosafety principles in Laboratory Analysis of Clinical Samples from patients with COVID-19. Journal Of Pakistan Medical Association, v. 70, n.5. p. 48-51, 2020.

LIPPI G. et al. Biosafety measures for preventing infection from COVID-19 in clinical laboratories: IFCC Taskforce Recommendations. Clinical Chemistry and Laboratory Medicine. v.58 n.7, 2020.

MARTINELLO, F. Biossegurança laboratorial na pandemia do SARS-CoV-2. A Tempestade do Coronavírus. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 52, n. 2, p. 109-16, 2020.

NEVES, T. P. et al. O conceito de biossegurança à luz da ciência pós-normal: avanços e perspectivas para a saúde coletiva. Saúde e Sociedade [online], v. 16, n. 3, p. 158-168, 2007.

PAVÃO, A. L, et al. Nota Técnica. Considerações sobre o diagnóstico laboratorial da Covid-19 no Brasil (2020).

PENNA, P. M. M. et al. Biossegurança: uma revisão. Arquivos do Instituto Biológico, v. 77, p. 555-565, 2020.

RODRIGUES, M. O. J. et al. O Papel Da Biossegurança Na Prevenção Da Transmissão Do SARS-COV-2. Revista Científica Multidisciplinar, v.2 n.6, 2021.

RUPPENTHAL, J.E. Gerenciamento de riscos. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, Colégio Técnico Industrial de Santa Maria; Rede e-Tec Brasil,120 p. 2013.

SBMT. Sociedade Brasileia de Medicina Tropical. COVID-19: sobrevida do vírus em superfície é afetada por temperaturas tropicais. 2020. Disponivel em:< https://www.sbmt.org.br/portal/covid-19-sobrevida-do-virus-em-superficie-e-afetada-por-temperaturas-tropicais/>. Acesso em: 01.05.2022.

WANG K. et al. Laboratory Biosafety Considerations of SARS-CoV-2 at Biosafety Level 2. Health Security.; v.18, n.3, p. 232-236, 2020.

ZOCHIO, L. B. Biossegurança em Laboratórios de Análises Clínicas. Academia de Ciências e Tecnologia, 2009, p. 11 – 14.