LIVRO PUBLICADO

LIVRO: CONHECIMENTO CIENTÍFICO E PRÁTICO NA MEDICINA VETERINÁRIA

OPEN ACCESS PEER-REVIEWED BOOK 

CONHECIMENTO CIENTÍFICO E PRÁTICO NA MEDICINA VETERINÁRIA

SCIENTIFIC AND PRACTICE KNOWLEDGE IN VETERINARY MEDICINE

 2025 Editora Science / Brazil Science Publisher

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1 Pág. 1
ANATOMIA DO SISTEMA DIGESTIVO DAS AVES
ANATOMY OF THE DIGESTIVE SYSTEM OF BIRDS
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.01
Nathan Ferreira da Silva
Gabriel Carvalho De Andrade
Nathalie Lima Cezar
Graziele Carvalho De Andrade
Luiz Felipe Diniz Aniceto e Silva
Yasmin Silva Ramos
Maria Das Dores Xavier Da Silva
Càlita Cabral Martins Silva
Stefany Rodrigues Pereira
Fabiana Ramos dos Santos

CAPÍTULO 2 Pág.16
PARVOVIROSE CANINA EM FILHOTE: RELATO DE CASO CLÍNICO
CANINE PARVOVIROSIS IN A PUPPY: CLINICAL CASE REPORT
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.02
Lara Cristine de Lima Vale
Karyne Oliveira Coelho
Osvaldo José da Silveira Neto

CAPÍTULO 3 Pág.27
MASTOCITOMA CUTÂNEO EM CÃO: RELATO DE CASO
CUTANEOUS MAST CELL TUMOR IN A DOG: CASE REPORT
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.03
Ana Quiteria Rebouças Pereira de Medeiros
Lucas dos Santos Rebouças
Lícia Gabrielle Gomes de Oliveira
Aline Gabrielle Gomes da Silva
Marina Crisley Gondim Rebouças
Natanael Silva Félix
Marcielle Michelle Moreira Menezes
Luciana Veras de Aquino Figueirôa
Juliane Nayra Dantas Silva
Náyra Rachel Nascimento Luz

SOBRE OS ORGANIZADORES DO LIVRO DADOS CNPQ: Pág.42

PREFÁCIO À 1ª EDIÇÃO

A medicina veterinária é uma ciência em constante evolução, desempenhando um papel essencial na saúde animal, na segurança alimentar e na prevenção de zoonoses. Em um mundo onde as relações entre humanos, animais e meio ambiente estão cada vez mais interligadas, o avanço do conhecimento científico e a aplicação prática da medicina veterinária tornam-se fundamentais para garantir o bem-estar animal e a saúde pública.

Este livro, Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária, reúne estudos, pesquisas e experiências práticas que abordam diversas áreas da medicina veterinária. Com uma abordagem interdisciplinar, a obra explora temas como clínica e cirurgia veterinária, nutrição animal, reprodução, sanidade, melhoramento genético animal, seleção artificial, evolução, bem-estar animal e inovações tecnológicas aplicadas à área.

A educação veterinária tem um papel essencial na formação de profissionais capacitados para atuar nos mais diversos segmentos do setor. Diante do crescente volume de informações disponíveis, é imprescindível que os futuros veterinários tenham acesso a conteúdos cientificamente embasados, que auxiliem na tomada de decisões assertivas e na adoção de práticas sustentáveis e eficazes.

Cada capítulo desta obra foi escrito por especialistas com experiência acadêmica e profissional, trazendo uma visão abrangente sobre os desafios e avanços da medicina veterinária. A diversidade de perspectivas e a riqueza das informações tornam este livro uma referência valiosa para estudantes, pesquisadores e profissionais da área.

Esperamos que esta leitura inspire novas pesquisas, práticas inovadoras e o aprimoramento da medicina veterinária, contribuindo para a melhoria da saúde animal e humana. Que esta obra sirva como um incentivo à reflexão e à ação, reforçando o compromisso com a excelência na formação e na atuação dos profissionais da área.

Boa Leitura

Os Organizadores

HOW CITE THIS BOOK:

NLM Citation

Santos ILVL, Silva CRC, Silva DMF, editor. Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária. 1st ed. Campina Grande (PB): Editora Science; 2025.

APA Citation

Santos, I. L. V. L.; Silva, C. R. C. & Silva, D. M. F. (Eds.). (2025). Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária. (1st ed.). Editora Science.

ABNT Brazilian Citation NBR 6023:2018

SANTOS, I. L. V. L.; SILVA, C. R. C.; SILVA, D. M. F. Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária. 1. ed. Campina Grande: Editora Science, 2025.

WHERE ACCESS THIS BOOK:

www.editorascience.com.br/

SOBRE OS ORGANIZADORES DO LIVRO DADOS CNPQ:

Prof. Dr. Igor Luiz Vieira de Lima Santos

Possui Graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2003) e Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006). Doutor em Biotecnologia pela RENORBIO (Rede Nordeste de Biotecnologia (2013), Área de Concentração Biotecnologia em Saúde atuando principalmente com pesquisa relacionada a genética do câncer de mama. Participou como Bolsista de Desenvolvimento Tecnológico Industrial Nível 3 de relevantes projetos tais como: Projeto Genoma Anopheles darlingi (de 02/2008 a 02/2009); e Isolamento de genes de interesse biotecnológico para a agricultura (de 08/2009 a 12/2009). Atualmente é Professor Adjunto III da Universidade Federal de Campina Grande-UFCG, do Centro de Educação e Saúde onde é Líder do Grupo de Pesquisa BASE (Biotecnologia Aplicada à Saúde e Educação) e colaborador em ensino e pesquisa da UFRPE, UFRN e EMBRAPA-CNPA. Tem experiência nas diversas áreas da Genética, Fisiologia Molecular, Microbiologia e Bioquímica com ênfase em Genética Molecular e de Microrganismos, Plantas e Animais, Biologia Molecular e Biotecnologia Industrial. Atua em projetos versando principalmente sobre os seguintes temas: Metagenômica, Carcinogênese, Monitoramento Ambiental e Genética Molecular, Marcadores Moleculares Genéticos, Polimorfismos Genéticos, Bioinformática, Biodegradação, Biotecnologia Industrial e Aplicada, Sequenciamento de DNA, Nutrigenômica, Farmacogenômica, Genética na Enfermagem e Educação.

Pós-Dra. Carliane Rebeca Coelho da Silva

Possui Graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco apresentando monografia na área de genética com enfoque em transgenia. Mestrado em Melhoramento Genético de Plantas pela Universidade Federal do Rural de Pernambuco com dissertação na área de melhoramento genético com enfoque em técnicas de imunodetecção. Doutora em Biotecnologia pela RENORBIO (Rede Nordeste de Biotecnologia, Área de Concentração Biotecnologia em Agropecuária) atuando principalmente com tema relacionado a transgenia de plantas. Pós-doutorado em Biotecnologia com concentração na área de Biotecnologia em Agropecuária. Atua com linhas de pesquisa focalizadas nas áreas de defesa de plantas contra estresses bióticos e abióticos, com suporte de ferramentas biotecnológicas e do melhoramento genético. Tem experiência na área de Engenharia Genética, com ênfase em isolamento de genes, expressão em plantas, melhoramento genético de plantas via transgenia, marcadores moleculares e com práticas de transformação de plantas via "ovary drip". Tem experiência na área de genética molecular, com ênfase nos estudos de transcritos, expressão diferencial e expressão gênica Integra uma equipe com pesquisadores de diferentes instituições como Embrapa Algodão, UFRPE, UEPB e UFPB, participando de diversos projetos com enfoque no melhoramento de plantas.

Dr. Diogo Manoel Farias da Silva

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE (2011), mestrado em Ciência Animal Tropical (PPGCAT) pela UFRPE (2014) e Doutorado em Medicina Veterinária pela UFRPE (2019), com ênfase em Fisiologia Animal, Embriologia, Biologia Celular e Molecular ligada a biotecnologia da reprodução e produção animal.

CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO

INTERNATIONAL STANDARD BOOK NUMBER (ISBN): 

978-65-01-38946-2

CROSSREF DIGITAL OBJECT IDENTIFIER (DOI): 

https://doi.org/10.56001/25.9786501389462

CAPÍTULOS PUBLICADOS

CAPÍTULO 1

ANATOMIA DO SISTEMA DIGESTIVO DAS AVES

ANATOMY OF THE DIGESTIVE SYSTEM OF BIRDS

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.01

Submetido em: 05/03/2025

Revisado em: 20/03/2025

Publicado em: 25/03/2025

Nathan Ferreira da Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

http://lattes.cnpq.br/4631355718717200

Gabriel Carvalho De Andrade

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

 http://lattes.cnpq.br/2482741773192441

Nathalie Lima Cezar

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0004-6437-1086

Graziele Carvalho De Andrade

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0000-3649-950X

Luiz Felipe Diniz Aniceto e Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

http://lattes.cnpq.br/7037997700994728

Yasmin Silva Ramos

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0008-2982-6793

Maria Das Dores Xavier Da Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0003-1324-8582

Càlita Cabral Martins Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0006-9263-1820

Stefany Rodrigues Pereira

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

http://lattes.cnpq.br/5318635353143466

Fabiana Ramos dos Santos

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0000-0002-0287-1681

 

Resumo

O trabalho aborda a anatomia do sistema digestivo das aves, destacando sua importância na avicultura, que tem evoluído com inovações em genética, nutrição e sanidade para melhorar a produção de carne e ovos. O sistema digestivo das aves é adaptado para uma ingestão eficiente de alimentos, diferindo significativamente dos mamíferos. O sistema digestivo é composto por boca, esôfago, papo (inglúvio), estômago glandular (proventrículo), estômago mecânico (moela), intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (cecos e reto) e cloaca, além das glândulas anexas, fígado e pâncreas. O desenvolvimento do trato digestivo começa nas primeiras 24 horas de incubação, com várias fases de formação até o nascimento.

Palavras-Chave: Alimentação, frango, galinha, nutrientes, trato gastrointestinal.

Abstract

The paper discusses the anatomy of the digestive system in poultry, highlighting its importance in poultry farming, which has evolved with innovations in genetics, nutrition and health to improve meat and egg production. The digestive system of birds is adapted for efficient food intake and differs significantly from that of mammals. The digestive system consists of the mouth, esophagus, crop (ingluvium), glandular stomach (proventriculus), mechanical stomach (gizzard), small intestine (duodenum, jejunum and ileum), large intestine (cecum and rectum) and cloaca, as well as the adnexal glands, liver and pancreas. The development of the digestive tract begins in the first 24 hours of incubation, with various stages of formation until hatching.

Keywords: Broiler, chicken, food, gastrointestinal tract, nutrients.

 
Introdução

A avicultura tem se mostrado, ano após ano, uma imprescindível geradora de proteína animal para a sociedade mundial. Por isso, na busca pelo desenvolvimento do setor, a produção de carne de frango e ovos passou por importantes transformações nas últimas décadas (Engel et al., 2023).

As inúmeras inovações na área de genética, nutrição, sanidade e no processo produtivo de forma geral, possibilitaram a produção de aves com mais peso, em menos tempo e com menor consumo de ração são alguns dos diversos fatores que contribuíram para que o setor avícola alcançasse o patamar atual (Vogado et al. 2016).

O sistema digestório das aves de corte e postura apresentam características estruturais que possibilitam a ingestão de alimento, passagem de alimento pelo trato, alterações físicas e químicas do alimento e absorção dos produtos da digestão. Este grupo zoológico se difere fisiologicamente, dos de mamíferos, por diversas particularidades. (Boleli et al., 2002).

O aparelho digestório (Figura 1) é o “compartimento” do organismo responsável pela manutenção da vida, sendo o tubo digestório de cada ave adaptado para processar e utilizar o mais eficientemente possível o alimento disponível em seu habitat (Santos et al. 2016).

 Este sistema compreende os seguimentos: boca, esôfago, inglúvio (papo), estômago glandular (pró-ventrículo), estômago mecânico (moela ou ventrículo), intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (cecos, cólon e reto) e cloaca, além das glândulas fígado e pâncreas de suma importância (Getty, 1986).

 

 

Figura 1: Sistema digestivo de uma galinha.

Fonte: Autores (2025).

Nas aves, o desenvolvimento do trato digestório inicia nas primeiras 24 horas de incubação. No quinto dia de vida embrionária ocorre a diferenciação da boca, assim como a formação do proventrículo e da moela. No sexto dia, tem-se início a formação do bico. Ao décimo quarto dia de vida embrionária ocorre à introdução do intestino na cavidade abdominal e no décimo sétimo dia ocorre à abertura do divertículo de Meckel e tem-se o início da absorção intestinal (Maiorka e Rocha, 2009).

Desenvolvimento
Boca

Diferente dos mamíferos e característica pertencente ao grupo das aves, a modificação da boca em um bico ceratinoso espesso (Figura 2), mais precisamente a mandíbula, está adaptada para atividades de ciscar ou simplesmente de alimentação. Em galináceas o bico apresenta-se de forma pontuda para apanhar pequenas partes, enquanto em patos e gansos são flexíveis e achatados semelhantes a colheres para a coleta de alimentos na água (Frandson et al., 2016). Durante o desenvolvimento embrionário o bico surge no oitavo dia de incubação (Boleli et al., 2008).

 

 

Figura 2: Demonstração do bico de um frango de corte.

Fonte: Autores (2025).

Bell (2002) relata que as aves não têm palato mole e nem fenda palatina conectando a cavidade oral e a nasal, assim, para beber água, a ave elava a cabeça para que desça ao esôfago por gravidade. O paladar e o olfato das aves são menos desenvolvidos que nos mamíferos devido ao reduzido número de receptores químicos. Esta deficiência é compensada por células sensórias, localizadas no palato superior, chamadas de mecanoreceptores, que respondem ao estímulo do contato com o alimento (Bueno, 2006).

A língua das aves tem forma estreita e cônica, possui um cerne de músculo esquelético, glândulas mucosas e o osso entoglosso, mais caudalmente. A língua não contém músculos, apenas sendo formada pelo osso entoglosso, coberto por uma mucosa espessa cornificada, apresentando formato triangular, porém varia de acordo com os limites da cavidade bucal (Banks, 1991).

As galinhas possuem uma membrana serosa, somente na base do bico, que possui numerosas terminações sensitivas do nervo trigêmeo, que o converte em um órgão tátil. (Colville e Bassert, 2010).

Faringe e Esôfago

Comum ao sistema respiratório e digestório, a faringe inicia-se pela posição caudal a língua, caracterizada por um promontório laríngeo que dá origem a fenda laríngea – conhecida como ádito da laringe – estando conectado ao esôfago caudalmente e ligeiramente dorsal a ele.  O esôfago é um tubo muscular que se estende da faringe até o estômago pelo lado direito do pescoço e desempenha a função de condução do alimento ao estômago (Colville e Bassert, 2010).

É dividido anatomicamente em porção cervical, parte mais longa que segue dorsalmente à traquéia e retorna à linha média na porção imediatamente cranial à entrada torácica (McLelland, 1986) e porção torácica, que passa sobre a bifurcação da traquéia e a base do coração e funde-se com o estômago glandular à esquerda do plano mediano (dyce et al., 1997).

Papo

O papo ou inglúvio (Figura 3) é uma dilatação distensível do esôfago no interior do pescoço, apresentando em patos e gansos forma fusiforme, mas nas galináceas ficando no lado esquerdo do pescoço cranial à fúrcula. O papo assim como o esôfago é revestido por um epitélio descamativo estratificado ceratinizado, quando cheio de alimento é visivelmente palpável (Frandso et al., 2016).

 Receptores de estiramento localizados na parede do inglúvio são estimulados pela distensão do órgão e ajudam no processo regulatório de ingestão (Macari et al., 1994). Segundo Colville e Bassert (2010), o inglúvio tem função de armazenar, lubrificar e regular a passagem do alimento, é onde ocorre alguma fermentação e embebição dos alimentos com mucosidades, preparando-os para a digestão gástrica posterior.

 

 

Figura 3: Língua e Papo/Inglúvio de frango.

Fonte: Autores (2025).

Proventrículo e moela

Nas aves, o estômago é composto por dois compartimentos, o proventrículo (pH= 2,8-4,0) ou estômago glandular e a moela (pH=2,8-4,0) ou estômago muscular. Estes compartimentos são separados por uma região de transição, denominada istmo. O proventrículo corresponde ao estômago do mamífero. Em comparação com a moela, o proventrículo é pequeno e apresenta parede fina (Rutz et al., 1994).

Interno a cavidade corporal, sendo a primeira estrutura de um estômago bipartido, o proventrículo (Figura 4) também denominado de estômago glandular é responsável à digestão química (enzimática) dos alimentos. A camada submucosa possui glândulas digestivas, que secretam pepsina, que inicia a quebra das proteínas, e o ácido clorídrico, que eleva a acidez do estômago para aumentar a ação das enzimas digestivas. É um órgão fusiforme, localizado entre o inglúvio e a moela (Colville e Bassert, 2010; Sturkie, 1991).

 

 

Figura 4: Proventrículo.

Fonte: Autores (2025).

Projetando-se para o lúmen, há várias papilas, baixas e largas, visíveis macroscopicamente, tendo cada uma um ducto de excreção responsável pela liberação de suco gástrico ácido e proteolítico (ácido clorídrico e pepsina) para a digestão química (Dyce et al., 2004).

A moela (Figura 5), formada por dois pares de músculos, uma musculatura mais delgada e outra mais grosseira, cujas contrações rítmicas, homogeneízam-se, maceram e projetam o alimento o alimento para próxima estrutura do trato digestório (Bueno, 2006).

A espessura de sua parede varia conforme a dieta (Colville e Bassert, 2010). Segundo Turk (1982), o tamanho da partícula é o regulador da passagem pela região pilórica, ou seja, o bolo alimentar permanecerá na moela até ser reduzido ao tamanho de 15 – 40µm.

O estômago muscular é bem desenvolvido nos anseriformes (exemplos dos patos e gansos), justificando a observação feita por Borges et al.(2004) que afirmam ser o ventrículo altamente especializado em espécies que se nutrem de alimentos duros. Em todas as ordens, o diâmetro do seu eixo craniocaudal é maior que o dorsoventral, conforme relata Mapeli (2003).

 

 

Figura 5: Moela.

Fonte: Autores (2025).

Intestino
Intestino Delgado

O intestino delgado está dividido em três partes: duodeno, jejuno e íleo, as quais apresentam diferenças funcionais e morfológicas. O duodeno consiste de uma alça intestinal localizada logo após o ventrículo, sendo esta constituída de porção proximal descendente e porção distal ascendente. No duodeno há uma redução na espessura da mucosa, na direção do íleo, em função da diferença do tamanho dos vilos e da profundidade das criptas. Na porção ascedente ocorre a abertura dos ductos biliares e pancreáticos, conduzindo os sucos biliares e pancreáticos para o interior do intestino delgado (Bolei et al., 2008; McLelland, 1975).

O jejuno (Figura 6) assim como nos mamíferos se demostra sendo o maior segmento do intestino delgado, estando em suas principais funções á absorção de nutrientes. Em aves domésticas adultas á requícios de conexão embrionária denominado divertículo de Meckel, que tem como função imunológica após a retração do saco vitelino antes da eclosão. O ílio apresenta-se curto como em outras espécies, tendo um ponto nítido em aves domésticas pela presença dos cecos (Frandson et al., 2016).

 

 

Figura 6: Jejuno.

Fonte: Autores (2025).

Os vilos presentes no duodeno são maiores, mais estreitos e com ápice arredondado, se comparados aos vilos do jejuno; já os vilos do íleo são menores e mais alargados (Mendes et al., 2004). As vilosidades variam de número, forma e tamanho de acordo com a região que se encontram (Junior e Bacha, 2003), sendo que, a mucosa torna-se mais delgada no sentido do duodeno para o íleo, e consequentemente as vilosidades tornam-se mais curtas e a profundidade das criptas de Lierberkuhn diminui (Dukes, 2006). As criptas de Lierberkuhn são ductos que se abrem entre a base do vilo e a muscular da mucosa (Hodges, 1974; Junior e Bacha, 2003), que possuem células-tronco, algumas células absortivas, células caliciformes, e células enteroendócrinas (Junqueira, 1979). Em frangos a proliferação de enterócitos não é restrita à região da cripta, mas também ocorre ao longo do vilo (Uni et al., 1998).

Intestino Grosso

O intestino grosso é um segmento que se estende do final do intestino delgado até a cloaca e sua principal função é reabsorção de água e minerais (De Souza, 2015). Os dois cecos originam-se na junção íleoceco-cólica e acompanham o íleo de modo retrógrado (Consins, 1985).

O par de cecos (Figura 7) apresenta-se em galináceas e patos em tamanho de 10 a 25 cm e em gansos de 22 a 34 cm, fornecendo á espécies domésticas e silvestres um local para a digestão de fibras, resultando em ácidos graxos voláteis que são absorvidos pela parede dos mesmos. O colo apresenta-se curto e reto, terminando em um esfíncter interposto entre o intestino grosso e a cloaca, determinando certa região expandida comum aos tratos gastrointestinal e urogenital (Frandson et al., 2016).

Figura 7: Cecos.

Fonte: Autores (2025).

Cloaca

A área bulbosa no final do trato alimentar (da boca até o ânus) é denominada cloaca. Cloaca, no sentido comum, significa “esgoto comum” e, no caso da galinha, do aparelho digestivo, urinário e reprodutivo, todos desembocam na cloaca. É nesse compartimento que sai as fezes, o ovo, a urina, e por onde o galo deposita o esperma na galinha, porém em locais diferentes. Para facilitar a saída do ovo e para ver os presentes na casa contra microrganismos, na cloaca encontra-se uma glândula que secreta um óleo essencial para as funções relacionadas. O mesmo canal por onde são expelidas as fezes também sai a urina, logo as galinhas exoneram urina e fezes ao mesmo tempo e sobre os mesmos encontros. A abertura (ânus) é a abertura externa da cloaca. Seu tamanho varia muito nas fêmeas, dependendo se a mesma se encontra ou não produz ovos, uma vez que fêmeas em produção possuem uma abertura mais dilatada para a passagem do ovo (Silva, 2020).

Glândulas anexas
Fígado

O fígado (Figura 8) das aves é um órgão relativamente grande, onde se constitui por dois lobos, direito e esquerdo, situados na cavidade corporal ventral. Segundo Figueiredo et al. (2006). Apresenta funções digestórias semelhantes aos mamíferos, assim como o intestino delgado e o pâncreas. O fígado estoca o excesso de gorduras e açucares, produz algumas proteínas, produz a bile para emulsificar gorduras e excreta metabólicos a partir do sangue (Hoffmann e Volker, 1969).

Figura 8: Fígado, pâncreas, baço e vesícula biliar de pintinho de faisão.

Fonte: Autores (2025).

Pâncreas

O pâncreas (Figura 9) é um órgão comprido, estreito e de aspecto claro; está situado dentro da alça duodenal, que apresenta função digestória semelhante aos mamíferos. Está ligada a alças duodenais por meio de ductos, estando em número de três nas galináceas e em número de dois nas anseriformes; pela porção ascendente do duodeno (Hoffmann e Volker, 1969).

Figura 9: Pâncreas.

Fonte: Autores (2025).

Referências

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CAPÍTULO 2

PARVOVIROSE CANINA EM FILHOTE: RELATO DE CASO CLÍNICO

CANINE PARVOVIROSIS IN A PUPPY: CLINICAL CASE REPORT

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.02

Submetido em: 02/07/2025

Revisado em: 08/07/2025

Publicado em: 09/07/2025

Lara Cristine de Lima Vale

Universidade Estadual de Goiás, Medicina Veterinária, São Luís de Montes Belos-GO

http://lattes.cnpq.br/6369907912869065

Karyne Oliveira Coelho

Universidade Estadual de Goiás, Medicina Veterinária, São Luís de Montes Belos-GO

http://lattes.cnpq.br/4493179418459800

Osvaldo José da Silveira Neto

Universidade Estadual de Goiás, Medicina Veterinária, São Luís de Montes Belos-GO

http://lattes.cnpq.br/8630244509530809

 

Resumo

A parvovirose canina é uma doença de relevância na clínica médica de pequenos animais, sendo responsável por infecções intestinais graves em filhotes e apresentando alta taxa de contagiosidade. Foi atendida uma cadela da raça Spitz Alemão, de dois meses de idade, residente do município de São Luís de Montes Belos, Goiás. Na anamnese foi relatado que o animal apresentava apatia, vômito e diarreia sanguinolenta com odor fétido, falta de apetite, e tinha convivência com outros cães em casa e no petshop do tutor. No exame físico apresentou frequência cardíaca de 116 bpm, frequência respiratória de 36 mpm, temperatura retal de 39,3°C, 8% de desidratação e mucosas hipocoradas. Para o diagnóstico foram realizados hemograma, exames bioquímicos e teste rápido para parvovirose, que teve resultado positivo. Após a confirmação do diagnóstico, deu-se início ao tratamento com Citrato de Maropitant, Dipirona, Tramadol, Gastroglobulin, Simeticona ou Dimeticona, Dexametasona, Furosemida, Vitamina B12 diluída em 100 ml de Soro Fisiológico, Enrofloxacino, Domperidona e L-Citrulina + FOS + Glutamina + Zeólita + Zinco Quelatado. O tratamento foi bem-sucedido. Conclui-se que a recuperação do animal esteve diretamente relacionada ao diagnóstico precoce e à condução de um tratamento intensivo. A boa resposta à terapia reforça a importância de se atentar aos sinais clínicos e aos fatores de risco envolvidos no caso.

Palavras-Chave: cães, contagiosa, parvovírus, vacinação

Abstract

Canine parvovirus is a leading cause of severe intestinal infections in dogs, particularly affecting puppies under six months old. It is highly contagious and potentially fatal. A case involved a two-month-old female German Spitz from São Luís de Montes Belos, Goiás, who presented with lethargy, vomiting, foul-smelling bloody diarrhea, and loss of appetite. She lived both at home and in her owner’s pet shop with other dogs. Physical examination revealed a heart rate of 116 bpm, respiratory rate of 36 breaths per minute, rectal temperature of 39.3°C, 8% dehydration, and pale mucous membranes. Diagnostic tests, including a complete blood count, biochemical profile, and a rapid parvovirus test, confirmed the infection. Treatment included a combination of medications such as Maropitant Citrate, Dipyrone, Tramadol, Gastroglobulin, Simethicone or Dimethicone, Dexamethasone, Furosemide, Vitamin B12 in saline, Enrofloxacin, Domperidone, and a supplement with L-Citrulline, FOS, Glutamine, Zeolite, and Chelated Zinc. The intensive therapy led to full recovery. This case highlights the importance of early diagnosis and aggressive treatment in managing parvovirus infections, as well as the need for vigilance regarding clinical signs and risk factors.

Keywords: possimus, ducimus, architecto, distinctio, galisum

 

Introdução

A parvovirose canina é uma doença viral infecciosa e altamente contagiosa que afeta cães domésticos e selvagens, sendo marcada por significativas taxas de letalidade, especialmente, em animais não imunizado, O parvovírus canino do tipo 2 (CPV-2) apresenta elevada resistência no ambiente, sendo a principal via de transmissão a fecal-oral, por meio do contato de animais suscetíveis com fezes contaminadas (MELO et al., 2024).

Quando não tratada de forma adequada, a doença pode evoluir gravemente, resultando em complicações como distúrbios eletrolíticos e infecções secundárias, que podem levar à morte do animal. O agente etiológico é um vírus não envelopado, com dimensões entre 18 e 26 nanômetros, apresentando morfologia semelhante à do vírus da panleucopenia felina. O vírus é identificado como pertencente à família Parvoviridae e classificado como parvovírus canino tipo 2 (CPV-2) (CPV-2), (SANTANA et al., 2019).

Clinicamente, cães infectados podem apresentar sinais de fraqueza extrema, anorexia, febre, vômitos, diarreia frequentemente sanguinolenta, rápida desidratação e alta taxa de mortalidade (RODRIGUES e MOLINARI, 2018). A progressão acelerada dos sintomas, principalmente, em filhotes, torna a doença extremamente perigosa, sendo fundamental o diagnóstico e tratamento precoces para aumentar as chances de recuperação (STROTTMANN et al., 2008).

Segundo Rodrigues e Molinari (2018) o diagnóstico clínico baseado no histórico e nos sinais apresentados é apenas sugestivo de parvovirose, uma vez que os sintomas são inespecíficos e podem se confundir com os de outras doenças. Para confirmação diagnóstica, podem ser utilizados diversos exames laboratoriais, como isolamento viral, microscopia eletrônica (ME), reação de hemaglutinação (HA), inibição da hemaglutinação (HI), testes imunoenzimáticos (ELISA), reação em cadeia da polimerase (PCR), ensaio imunocromatográfico (EIE), teste de imunofluorescência (IF) e análise imunohistoquímica (IHQ).

O tratamento é essencialmente sintomático, com foco principal na fluidoterapia, visando à correção dos distúrbios hidroeletrolíticos de acordo com o grau de desidratação do paciente. O protocolo terapêutico também inclui o uso de antibióticos, para prevenir ou tratar infecções bacterianas secundárias, analgesia nos casos de dor abdominal e administração de antieméticos para controlar os episódios de vômito (SANTANA et al., 2019; ALOMARI et al., 2024).

O monitoramento do paciente durante a internação desempenha um papel essencial para avaliar a evolução do quadro clínico e ajustar a terapia conforme a necessidade. A observação contínua de parâmetros como frequência cardíaca e respiratória, temperatura corporal, coloração das mucosas, sinais de dor, grau de desidratação e indícios de infecção é indispensável. A gravidade e a progressão da infecção por CPV-2 podem variar de acordo com fatores como idade, raça, tipo viral, presença de outras infecções, estresse e condições do ambiente, os quais influenciam diretamente no processo de recuperação do animal (LARSON et al., 2024).

Dik, Gulersoy e Simsek (2024) destacaram que parâmetros hematológicos, como a leucopenia, e biomarcadores prognósticos, como citrulina, INF-γ, IL‑1β, IL‑6, IL‑10, entre outros, podem ser examinados para determinar a duração da internação hospitalar, avaliar a gravidade da doença e prever o prognóstico do paciente. Além disso, os biomarcadores podem auxiliar na tomada de decisões quando os casos clínicos estão sendo discutidos sobre opções de tratamento ou eutanásia.

O prognóstico da parvovirose canina é considerado reservado, embora a maioria dos cães acometidos por enterite viral apresente recuperação quando há manejo adequado da desidratação e das complicações secundárias, como infecções bacterianas. A mortalidade geralmente está associada à endotoxemia. Animais que superam os primeiros 3 a 4 dias de manifestação clínica tendem a evoluir favoravelmente. Com tratamento intensivo, a taxa de sobrevida pode alcançar entre 80% e 95% (RODRIGUES e MOLINARI, 2018).

O objetivo deste relato é descrever o caso de uma cadela de dois meses acometida por parvovirose, abordando os sinais clínicos observados, a terapêutica adotada e a progressão do quadro durante o tratamento.

Metodologia

Foi realizado o atendimento de uma cadela da raça Spitz Alemão, com dois meses de idade e 1,4 kg de peso corporal, em uma clínica veterinária situada no município de São Luís de Montes Belos, GO. Durante a anamnese, relatou-se que a paciente apresentava apatia, vômito, diarreia com presença de sangue e odor fétido, além de falta de apetite. Relatou-se ainda que o animal convivia com outros cães no ambiente domiciliar e tinha contato frequente com cães no pet shop pertencente ao próprio tutor. Segundo ele, a cadela havia recebido duas doses da vacina nacional contra a parvovirose (Pet Imune V11). Foi mencionado, ainda, que os pais dela, também pertencentes ao tutor, são provenientes de um canil localizado em Minas Gerais, nascidos em 2022. A própria paciente nasceu na residência do tutor, que informou que a fêmea reprodutora havia sido previamente vacinada contra o parvovírus canino, seguindo o protocolo recomendado.

No exame físico, foram constatados: frequência cardíaca (FC) de 116 bpm, frequência respiratória (FR) de 36 mpm, temperatura retal (TR) de 39,3 °C, desidratação estimada em 8% e mucosas hipocoradas (Quadro 1). Para confirmação diagnóstica, realizou-se coleta de sangue para a execução do hemograma (Quadro 2) e de exames bioquímicos (ALT, creatinina, ureia e fosfatase alcalina) (Quadro 3). O hemograma evidenciou leve anemia, trombocitopenia, leucopenia e linfopenia. Dentre os exames bioquímicos, destacou-se a elevação significativa da fosfatase alcalina (824,10 U/L). Além disso, foi feito o teste sorológico ELISA (Figura 1), cujo resultado foi positivo para o parvovírus canino.

Quadro 1 – Parâmetros avaliados em cadela da raça Spitz Alemão diagnosticada com parvovirose canina.

Parâmetros

Resultado

Referência (Canino)

Frequência cardíaca

116 bpm

80 – 120 bpm

Frequência respiratória

36 mpm

10 – 40 mpm

Temperatura retal

39,3°C

37,5°C – 39,3°C

Desidratação

8 %

Hidratado

Mucosa

Hipocorada

Normocorada

Fezes

Amolecida com sangue

Normal

 

Quadro 2 – Resultados de avaliação hematológica de cadela da raça Spitz Alemão, de dois meses de idade, diagnosticada com parvovirose

Parâmetros

Valor encontrado

Valor de referência

(0 a 3 meses – Canino)

Eritrócito

4,40 milhões/µL

4,0 – 6,0

Hemoglobina

9,00 g/dL

9,50 – 13,0

Hematócrito

29,0 %

28,0 – 36,0

VCM

65.9 fL

57,0 – 70,0

HCM

20,45 pg

22,0 – 25,0

CHCM

31.3 g/dL

30,0 – 34,0

RDW-CV

14,7 %

12,0 – 15,0

Plaquetas

182 mil/µL

200.000 – 500.000

Células nucleadas

3.800 /μL

9.000 – 17.000

Leucócitos

3.800 /µL

9.000 – 17.000

Bastonete

38 µL

0 – 170

Segmentado

2.888 µL

4.230 – 11.560

Monócito

190 µL

90 – 1.700

Linfócitos

684 µL

2.700 – 8.160

 

Quadro 3 – Resultados de exames bioquímicos de cadela da raça Spitz Alemão, de dois meses de idade, diagnosticada com parvovirose

Parâmetros

Valor encontrado

Valor de referência

(Canino)

ALT

27,90 U/L

10,0 – 88,0

Creatinina

0,50 mg/dL

0,50 – 1,50

Ureia

47,90 mg/dL

21,4 – 59,92

Fosfatase Alcalina

824,10 U/L

20,0 – 156,0

 

 

 

Figura 1 – Teste sorológico ELISA positivo para parvovirose, realizado em cadela da raça Spitz Alemão, de dois meses de idade

Fonte: arquivo pessoal, (2025)

Após a realização dos exames e a confirmação do diagnóstico de parvovirose, a paciente foi internada para tratamento intensivo. Considerando as alterações hematológicas significativas e os sinais clínicos apresentados, foi fundamental o acompanhamento contínuo para monitorar sua evolução e oferecer o suporte necessário. O tratamento incluiu hidratação intravenosa com solução de ringer com lactato e cloreto de sódio 0,9%, controle de vômitos e diarreia, administração de antibióticos para prevenir infecções secundárias e cuidados de suporte para fortalecer o sistema imunológico da paciente, além de minimizar os impactos da infecção.

Durante a internação, foram administrados os seguintes medicamentos: Citrato de Maropitant (Cerenia) 0,14 ml, IV, a cada 12 horas; Dipirona (Pironal) 0,07 ml, IV, a cada 8 horas; Diazepam 0,28 ml, IM, dose única; Cloridrato de Tramadol 0,09 ml, IV, a cada 8 horas; Soro Hiperimune Gastroglobulin 1,4 ml, SC, a cada 24 horas; Simeticona ou Dimeticona (Luftal) 0,74 ml, VO, a cada 12 horas; Dexametasona (Déxium) 0,25 ml, IV, a cada 24 horas; Furosemida 0,7 ml, IV, dose única; Vitamina B12 0,02 ml diluída em 100 ml de Soro Fisiológico, IV, a cada 24 horas; Enrofloxacino (Kinetomax) 0,03 ml, SC, a cada 12 horas; Domperidona 0,14 ml, VO, a cada 12 horas; e suplemento à base de L-Citrulina + FOS + Glutamina + Zeólita + Zinco Quelatado (Enteroff) 1 g, VO, a cada 24 horas.

A paciente permaneceu internada por oito dias, recebendo tratamento intensivo para a parvovirose. No entanto, devido a questões financeiras do tutor, não foi possível manter a internação. Apesar de ainda não estar completamente recuperada, apresentando falta de apetite, episódios esporádicos de vômito e diarreia menos pastosa, o tutor optou por levá-la para casa. A médica veterinária orientou cuidados domiciliares contínuos, com acompanhamento frequente e suporte nutricional para garantir a recuperação gradual da cadela. Foi prescrito para uso domiciliar: Pbiotics 1 g, VO, a cada 24 horas, durante 14 dias; e Domperidona 0,14 ml, VO, a cada 12 horas, enquanto persistisse os vômitos.

Após a transferência para o ambiente domiciliar, a paciente apresentou uma evolução clínica favorável. O tutor seguiu as orientações da profissional e, ao longo de mais cinco dias, observou-se uma melhora progressiva no quadro da paciente, com o retorno do apetite e a suspensão dos episódios de vômito e diarreia. A médica veterinária recomendou ainda, a realização de mais duas doses da vacinação assim que o quadro clínico estivesse totalmente estabilizado, a fim de prevenir futuras infecções virais e garantir a proteção da cadela.

Após orientação do médico-veterinário, o animal foi monitorado periodicamente durante o período pós-tratamento. Até dois meses após o término da terapia, o filhote apresentou evolução clínica satisfatória, encontrando-se completamente recuperado, sem sinais de recaída ou complicações. Ressalta-se, no entanto, que apenas a primeira avaliação bioquímica e hematológica foi realizada, uma vez que o tutor não pôde arcar com os custos das demais análises.

Resultados e Discussão

O presente relato descreve um caso clínico compatível com a parvovirose canina, acometendo uma cadela de dois meses, portanto não era possível ter o esquema vacinal completo. A suscetibilidade aumentada, decorrente da imaturidade imunológica e da exposição a outros cães, favoreceu a infecção. Os sinais clínicos observados foram característicos da enfermidade, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da instituição imediata de suporte terapêutico intensivo para o prognóstico favorável (VEIGA, 2022; LARSON et al., 2024).

O contato direto e indireto com outros animais no pet shop do tutor representou um fator de risco significativo para a infecção, pois esses ambientes podem funcionar como fontes importantes de exposição ao parvovírus, o que eleva a vulnerabilidade de animais não completamente imunizados. Devido à sua alta resistência, o vírus pode permanecer viável por longos períodos no ambiente, favorecendo sua propagação por meio de fômites como fezes, água, calçados e vestimentas. Dessa forma, medidas rigorosas de limpeza e desinfecção são essenciais (MARTINS et al., 2024).

Aproximadamente 60% dos anticorpos maternos contra o parvovírus são transmitidos aos filhotes por meio da amamentação, conferindo imunidade passiva até, aproximadamente, a 10ª ou 14ª semana de vida. Após esse período, há queda da proteção passiva, o que reforça a necessidade da indução da imunidade ativa por meio da vacinação, considerada a principal estratégia preventiva. A imunização deve ser iniciada até a 8ª semana de vida, com duas doses de reforço aplicadas em intervalos de quatro semanas, um reforço adicional aos seis meses e doses anuais de manutenção (ABREU, 2021). Ressalta-se ainda a importância da imunização adequada da matriz reprodutiva, uma vez que a transferência de anticorpos pelo colostro contribui significativamente para a proteção dos filhotes nas primeiras semanas de vida.

Para a confirmação do diagnóstico, além da avaliação clínica baseada nos sinais gastrointestinais evidentes, como vômito e diarreia sanguinolenta com odor fétido, é fundamental a realização de exames laboratoriais; sobretudo quando considerados em conjunto com o histórico de contato frequente com cães em ambientes públicos, como pet shops.

O hemograma pode indicar alterações compatíveis com o quadro, como linfopenia, neutropenia e anemia, enquanto o teste ELISA permite a detecção do antígeno viral nas fezes, oferecendo um diagnóstico rápido e acessível (LIMA e FERREIRA, 2023; ABREU, 2021). No caso descrito, o teste foi escolhido pela praticidade e viabilidade econômica, confirmando o diagnóstico de forma imediata.

O perfil hematológico da paciente apresentou linfopenia, leucopenia, anemia leve, trombocitopenia e sinais de desidratação, compatíveis com os achados esperados em casos de parvovirose. A linfopenia e a leucopenia podem estar relacionadas à destruição de células hematopoiéticas na medula óssea e em tecidos linfoides como timo, linfonodos e baço. Já a anemia, quando presente, costuma ser secundária à perda sanguínea intestinal ou diluição provocada pela fluidoterapia (ABREU, 2021).

O aumento expressivo da fosfatase alcalina (824,10 U/L) pode indicar sofrimento hepático ou ósseo, embora em filhotes esse valor possa estar levemente elevado devido ao crescimento. No entanto, o valor extremamente elevado sugere uma possível reação sistêmica ao quadro viral, sendo um achado que merece monitoramento contínuo.

O tratamento da parvovirose é de suporte, não havendo terapia antiviral específica. As intervenções têm como objetivo restaurar o equilíbrio hidroeletrolítico, corrigir a hipoglicemia, controlar os vômitos, prevenir infecções secundárias e promover a recuperação do paciente (ALOMARI et al., 2024). No presente caso, foi utilizada solução de ringer com lactato, associada ao cloreto de sódio 0,9% com adição de vitamina B12, para a reposição volêmica e suporte metabólico. A fluidoterapia é essencial para reidratar o animal e corrigir casos de hiponatremia e hipocalemia (RODRIGUES e MOLINARI, 2018).

Portanto a melhor maneira de resistir a doença é que os pacientes recebam tratamento conservador, incluindo analgesia, antieméticos, antidiarreicos e nutrição intravenosa. Destaca-se ainda que novas abordagens terapêuticas, como a ozonioterapia e o transplante de microbiota fecal, têm demonstrado efeitos positivos e contribuem para a redução da mortalidade, o que é bastante promissor. Embora não tenham sido utilizadas no presente caso, essas alternativas podem ser valiosas em quadros mais graves, reforçando a importância de se dispor de diferentes recursos terapêuticos (YANG e ZHAO, 2024).

Antieméticos como a metoclopramida, maropitan, ondasentrona ou dolasetrona são administrados para controlar os episódios de vômito, podendo ser administrados por diferentes vias, conforme a gravidade clínica do paciente (MELO et al., 2021). Já a antibioticoterapia tem papel fundamental na prevenção de infecções bacterianas secundárias, uma vez que a destruição da mucosa intestinal facilita a translocação de bactérias entéricas. No caso em questão, foram utilizados antibióticos de amplo espectro, conforme preconizado na literatura (SANTANA et al., 2019).

A prevenção da doença, especialmente em cães filhotes que ainda não completaram o esquema vacinal, baseia-se principalmente em medidas de biossegurança. Entre elas, destacam-se a higienização adequada do ambiente com hipoclorito de sódio, a restrição do contato com outros animais e a evitação de passeios. Quando o filhote convive com outros cães que apresentem sintomas, é fundamental o isolamento dos animais infectados por, no mínimo, uma semana após a recuperação clínica, a fim de evitar a propagação viral (SILVA, 2023). Além disso, recomenda-se iniciar a vacinação dos filhotes a partir dos 45 dias de vida, com reforços a cada 21 dias, totalizando três doses. No caso relatado, o tutor foi orientado quanto às medidas profiláticas e aderiu corretamente às recomendações propostas.

Apesar da internação ter sido interrompida mais cedo devido às limitações financeiras, o tratamento em casa, realizado sob supervisão e com o tutor seguindo bem as orientações, foi fundamental para a recuperação da paciente. A introdução de probióticos, o suporte nutricional adequado e o acompanhamento constante foram determinantes para a estabilização do quadro clínico e a melhora progressiva da saúde do animal.

Após o término da medicação, a paciente continuou sendo acompanhada conforme as orientações do médico veterinário responsável. Durante o período de observação, apresentou evolução clínica favorável, com recuperação progressiva visível. Dois meses após a finalização do protocolo terapêutico, a paciente encontrava-se totalmente recuperada, sem apresentar sinais clínicos residuais ou qualquer complicação decorrente do quadro anterior.

Considerações Finais

O caso apresentado demonstra que o diagnóstico precoce, aliado a um tratamento intensivo e a um acompanhamento adequado, pode levar a uma recuperação satisfatória da parvovirose. Destaca-se a importância de uma higiene ambiental rigorosa e do controle no contato entre animais, especialmente entre filhotes que ainda não completaram o protocolo vacinal devido à idade. Além disso, a adoção de um protocolo terapêutico eficaz, somada à conscientização dos tutores sobre medidas preventivas, é essencial para reduzir a incidência da doença e garantir a saúde dos cães a longo prazo.

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MASTOCITOMA CUTÂNEO EM CÃO: RELATO DE CASO

CUTANEOUS MAST CELL TUMOR IN A DOG: CASE REPORT

 

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.03

Submetido em: 12/02/2026

Revisado em: 18/02/2026

Publicado em: 20/02/2026

 

Ana Quiteria Rebouças Pereira de Medeiros

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0009-0002-9244-3062

Lucas dos Santos Rebouças

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0009-0003-4460-5044

Lícia Gabrielle Gomes de Oliveira

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Mossoró, RN

https://orcid.org/0000-0002-1655-7511

Aline Gabrielle Gomes da Silva

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0000-0002-4308-0157

Marina Crisley Gondim Rebouças

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0000-0002-4944-963X

Natanael Silva Félix

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0000-0002-9631-2847

Marcielle Michelle Moreira Menezes

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0009-0007-0013-9343

Luciana Veras de Aquino Figueirôa

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0000-0002-9039-5557

Juliane Nayra Dantas Silva

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0000-0001-8226-4285

Náyra Rachel Nascimento Luz

Universidade Federal Rural do Semiárido, Mossoró, RN

https://orcid.org/0000-0003-0174-491X

 

Resumo

O mastocitoma cutâneo é uma das neoplasias mais frequentes em cães, predominando na pele, especialmente na derme e tecido subcutâneo. Esta revisão de literatura tem como objetivo explorar as principais teorias e modelos sobre a classificação, diagnóstico e tratamento do mastocitoma canino, com ênfase nos avanços científicos, além de destacar aspectos clínicos, diagnóstico e terapêuticos de mastocitoma canino em região interdigital de membro posterior direito, em  um cão da raça Yorkshire de 3 anos e 10 meses. Foi coletado fragmento do nódulo durante a cirurgia, fixado em formol, montado em parafina, fatiado no micrótomo e corado pela hematoxilina e eosina (H.E.). O diagnóstico foi confirmado pelo exame histopatológico. A conduta adotada para o tratamento do paciente foi exérese cirúrgica do nódulo, sem apresentar necessidade de associação com outros tratamentos, devido ao baixo grau de malignidade. Conclui-se que nesse caso, o exame histopatológico permitiu o diagnóstico, a classificação e o estadiamento do paciente e foi essencial para a determinação do prognóstico e a escolha do tratamento.

Palavras-chave: neoplasia, interdigital, membro posterior, tratamento.

Abstract

Cutaneous mastocytoma is one of the most common neoplasms in dogs, primarily affecting the skin, especially the dermis and subcutaneous tissue. This literature review aims to explore the main theories and models regarding the classification, diagnosis, and treatment of canine mastocytoma, emphasizing scientific advances. Additionally, it highlights the clinical, diagnostic, and therapeutic aspects of a case of canine mastocytoma in the interdigital region of the right hind limb in a 3-year and 10-month-old Yorkshire Terrier. A fragment of the nodule was collected during surgery, fixed in formalin, embedded in paraffin, sectioned using a microtome, and stained with hematoxylin and eosin (H&E). The diagnosis was confirmed through histopathological examination. The chosen treatment was surgical excision of the nodule, with no need for additional therapies due to its low malignancy grade. In this case, histopathological analysis was crucial for diagnosis, classification, and staging, playing a key role in determining the prognosis and guiding treatment selection.

Keywords: neoplasia, interdigital, hind limb, treatment.

 

Introdução

O mastocitoma é uma neoplasia maligna caracterizada pela proliferação descontrolada de mastócitos, células presentes em diferentes tecidos, como epitelial, respiratório, gastrointestinal e linfonodos (De Santana & Prioste, 2021). Os mastócitos têm papel fundamental na resposta imune, sendo responsáveis pela liberação de mediadores como histamina, heparina e citocinas. Contudo, quando sofrem transformação neoplásica, podem desencadear manifestações clínicas locais e sistêmicas, tanto pela agressividade tumoral quanto pela liberação excessiva desses mediadores inflamatórios (Daleck & De Nardi, 2016).

Nos cães, o mastocitoma corresponde à segunda neoplasia cutânea mais comum, abrangendo cerca de 20% dos casos diagnosticados (Furlani et al., 2008). Apesar de sua alta incidência, a etiologia permanece incerta, embora fatores genéticos, moleculares e mutações específicas sejam considerados determinantes no seu desenvolvimento (Daleck & De Nardi, 2016). Clinicamente, pode se apresentar como lesões únicas ou múltiplas, de tamanhos variados, com potencial de infiltração em tecidos adjacentes e, em formas mais agressivas, de metástase para linfonodos e órgãos internos.

O diagnóstico baseia-se em métodos citológicos e histopatológicos associados à avaliação clínica, enquanto o tratamento geralmente envolve a excisão cirúrgica, complementada por terapias adjuvantes como quimioterapia, radioterapia, eletroquimioterapia ou o uso de inibidores de tirosinoquinase (Gomes et al., 2022). A relevância do tema justifica-se pela elevada frequência do mastocitoma cutâneo em cães e pela variabilidade clínica que representa um desafio diagnóstico e terapêutico, exigindo integração entre conhecimento científico atualizado e prática clínica.

 Assim, este trabalho tem como objetivo relatar um caso de mastocitoma cutâneo em cão, revisando a literatura sobre o tema e relacionando-a ao caso clínico apresentado, além de descrever os achados citológicos e histopatológicos envolvidos no diagnóstico

Metodologia
  • Descrição do Caso

Foi atendido no Hospital Veterinário Neo Veterinária um cão da raça Yorkshire, com 3 anos e 10 meses de idade, macho, pesando 4 kg, apresentando uma massa nodular na região interdigital do membro torácico direito. O tutor relatou que a lesão havia sido percebida há um mês, com crescimento progressivo. Não havia histórico de trauma ou outras condições prévias relevantes.

No exame físico apresentou bom estado corporal, com os parâmetros vitais, (frequência cardiorespiratória, mucosas) dentro da normalidade, sem alteração dos linfonodos regionais. Além de parâmetros fisiológicos dentro dos limites normais em exames hematológicos e bioquímicos. Durante o exame físico foi encontrada uma massa de aproximadamente 1 cm de diâmetro, de consistência firme, superfície regular e não aderida aos planos profundos. A palpação dos linfonodos regionais não indicou alteração.

Diante da suspeita de neoplasia, optou-se por realizar o exame citológico da lesão, utilizando do método de aspiração por agulha fina (PAAF) da massa com a auxílio de uma seringa de 3ml e agulha 30×7 e lâmina de vidro, sendo os esfregaços corados com Giemsa e avaliados em microscópio de luz. A análise microscópica evidenciou células redondas com grânulos citoplasmáticos basofílicos, mesenquimais e histiocíticas, com células apresentando núcleo excêntrico e hipercromático, além de discreta anisocariose. A amostra apresentou numerosas hemácias, neutrófilos e restos celulares.

Durante o procedimento cirúrgico foi coletado o material nodular e enviada para realização do exame histopatológico. O exame histopatológico mostrou proliferação de mastócitos organizados em forma de cordões, bem diferenciados se estendendo desde a derme superficial até profunda (Figura 3), com o formato das células variando de redondas a ovais, com citoplasmas abundantes e bem determinados, apresentando acentuada quantidade de grânulos citoplasmáticos, bordas citoplasmáticas distinguíveis e núcleos redondos.

Figura 1 – Aspecto histopatológico da pele evidenciando a ausência de mastócitos na epiderme.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.

Observou-se pouca variação quanto morfologia celular e figuras de mitose raras (Figura 2). Confirmando o diagnóstico de mastocitoma cutâneo grau I. Procedeu-se à excisão cirúrgica da massa com margens de 3cm, seguindo as recomendações de Furlani et al., 2006. O acompanhamento clínico foi realizado bimestralmente durante seis meses, sem evidência de recidiva local ou metástase

Figura 2 – Aspecto histopatológico de mastócitos pouco diferenciados indicando mastocitoma de grau I.

Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.

Discussão

Os tumores de pele, dentro da oncologia veterinária, são os mais estudados, principalmente pela fácil percepção pelo tutor da alteração no animal (Bastos et at., 2017).

Quando utilizamos a revisão feita por Castilho et al., 2022, vemos que no caso objeto de estudo deste relato, a raça é um fator predisponente, mesmo não estando entre as raças mais diagnosticadas com a neoplasia descrita. Já quanto a variante idade, o paciente também não se enquadra na faixa mais comumente relatada, sendo as faixas etárias dos 6 aos 10 anos e dos 11 aos 15 anos os mais acometidos (Ronchi et al., 2018).

A localização anatômica da neoplasia corrobora com Castilho et al., (2022), segundo esses autores, 40% dos cães apresentaram a neoplasia em região de membros, outros 30% em outras regiões, tais como saco escrotal, pescoço e interdigital, tal como o animal deste relato, 20% apresentaram a neoplasia em região torácica e os 10% restante ocorreu em porção toracoabdominal.

Os mastocitomas apresentam sinais clínicos extremamente variáveis, com nódulos cutâneos simples ou múltiplos, eritematosos, firmes ou flutuantes, pruriginosos e, por vezes, ulcerados (Bastos et al., 2017). O que foi observado no caso relatado, com a presença de um único nódulo. O estadiamento clínico e o grau histológico do tumor são os guias para a determinação do melhor tratamento para o paciente.

A exérese cirúrgica sempre é recomendada, mas para tumores com graus II e III já se faz necessário à associação com outros tipos de tratamento, como: quimioterapia, TKI’s, entre outros (Melo et al., 2013). Em casos de mastocitoma grau I, caso relatado, só a remoção cirúrgica foi suficiente, haja vista ter envolvimento dos linfonodos regionais.

Melo et al.,(2013), ao mostrar que a qualidade do prognostico varia em função do grau histológico do mastocitoma; vem corroborar com Patnaik et al., (1984), ao constatarem que o percentual de animais que sobreviveram a mais de 1500 dias, reduzia a medida que aumentava a gradação do tumor: 93% (grau I), 47% (grau II), 6%b (grau I), mostrando a relação inversa entre a graduação histológica e o tempo de sobrevida.

 Conclusão

O mastocitoma é uma neoplasia muito comum na rotina veterinária, devendo ser inserida no rol de diagnósticos de nódulos cutâneos. O seu diagnóstico é simples e a depender do grau histológico, de fácil resolução e bom prognóstico. No caso relatado foi de extrema importância o diagnóstico precoce e a determinação do grau histológico, definindo assim a terapia adequada, e o bom prognóstico.

Referências

BASTOS, R. S. C. et al. Retrospective study of skin neoplasms in dogs in the metropolitan region of Fortaleza. Revista Brasileira de Higiene e Sanidade Animal, v. 11, n. 1, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.5935/1981-2965.20170005

CASTILHOS, T.et al. Cutaneous mastocytoma in dogs – Analysis of 10 cases diagnosed in Caxias do Sul. Research, Society and Development, [S. l.], v. 11, n. 13, p. e134111335337, 2022. DOI: 10.33448/rsd-v11i13.35337. Disponível em: https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/view/35337

DALECK, C. R.; DE NARDI, A. B. Oncologia em cães e gatos, 2. ed. Rio de Janeiro: Roca, v. 1, 2016.

DE NARDI, A. B. et al. Diagnosis, prognosis and treatment of canine cutaneous and subcutaneous mast cell tumors. Cells, [s.l], 10 fev. 2022, v. 11, n. 4, p. 618. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35203268/.

DE SANTANA, B. G.; PRIOSTE, F. E. S. Mastocitoma em cão – relato de caso. Pubvet, 2021. Disponível em: https://repositorio.animaeducacao.com.br/handle/ANIMA/19571. Acesso em: 31 ago. 2025.

EURELL, J. A.; FRAPPIER, B. L. Histologia veterinária de Dellmann. 6. ed. Barueri: Manole, 2012. E-book, p. 330. ISBN 9788520455722. Disponível em: https://app.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520455722/. Acesso em: 16 mar. 2025.

FURLANI, J. M. et al. Mastocitoma canino: estudo retrospectivo. Ciência Animal Brasileira, 2008, p. 242–250.

GOMES, R. O. et al. Cutaneous Mast Cell Tumor in a Bitch. Acta Scientiae Veterinariae, v. 50, supl., 2022. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/ActaScientiaeVeterinariae/article/view/119412.

MELO, I. et al. Mastocitoma cutâneo em cães: uma breve revisão / Cutaneous mast cell tumor in dogs: a brief review. Revista de Educação Continuada em Medicina Veterinária e Zootecnia do CRMV-SP, São Paulo: Conselho Regional de Medicina Veterinária, v. 11, n. 1, p. 38–43, 2013.

PATNAIK, A. K.; EHLER, W. J.; MACEWEN, E. G. Canine cutaneous mast cell tumors: morphologic grading and survival time in 83 dogs. Veterinary Pathology,[s.l], v. 21, p. 469–474, 1984.Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/6435301/.

RONCHI, A. A. M. et al.. Estudo retrospectivo do mastocitoma cutâneo canino e papel do azul de toluidina na graduação histológica de mastocitomas. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer, Goiânia, v. 15, n. 28, p. 1–10, 2018. Disponível em: https://www.conhecer.org.br/enciclop/2018B/AGRAR/estudo%20retrospectivo.pdf

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