LIVRO PUBLICADO

LIVRO: CONHECIMENTO CIENTÍFICO E PRÁTICO NA MEDICINA VETERINÁRIA

OPEN ACCESS PEER-REVIEWED BOOK 

CONHECIMENTO CIENTÍFICO E PRÁTICO NA MEDICINA VETERINÁRIA

SCIENTIFIC AND PRACTICE KNOWLEDGE IN VETERINARY MEDICINE

 2025 Editora Science / Brazil Science Publisher

Sumário

CAPÍTULO 1 Pág. 1
ANATOMIA DO SISTEMA DIGESTIVO DAS AVES
ANATOMY OF THE DIGESTIVE SYSTEM OF BIRDS
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.01
Nathan Ferreira da Silva
Gabriel Carvalho de Andrade
Nathalie Lima Cezar
Graziele Carvalho de Andrade
Luiz Felipe Diniz Aniceto e Silva
Yasmin Silva Ramos
Maria das Dores Xavier da Silva
Càlita Cabral Martins Silva
Stefany Rodrigues Pereira
Fabiana Ramos dos Santos

CAPÍTULO 2 Pág. 16
PUBLIQUE COM A SCIENCE EM FLUXO CONTÍNUO
PUBLISH WITH SCIENCE IN CONTINUOUS FLOW
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.02
AUTORES
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CAPÍTULO 3 Pág. 18
PUBLIQUE COM A SCIENCE EM FLUXO CONTÍNUO
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DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.03
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CAPÍTULO 4 Pág. 20
PUBLIQUE COM A SCIENCE EM FLUXO CONTÍNUO
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DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.04
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CAPÍTULO 5 Pág. 22
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DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.05
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CAPÍTULO 6 Pág. 24
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DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.06
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CAPÍTULO 7 Pág. 26
PUBLIQUE COM A SCIENCE EM FLUXO CONTÍNUO
PUBLISH WITH SCIENCE IN CONTINUOUS FLOW
DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.07
AUTORES
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SOBRE OS ORGANIZADORES DO LIVRO DADOS CNPQ: Pág. 28

PREFÁCIO À 1ª EDIÇÃO

A medicina veterinária é uma ciência em constante evolução, desempenhando um papel essencial na saúde animal, na segurança alimentar e na prevenção de zoonoses. Em um mundo onde as relações entre humanos, animais e meio ambiente estão cada vez mais interligadas, o avanço do conhecimento científico e a aplicação prática da medicina veterinária tornam-se fundamentais para garantir o bem-estar animal e a saúde pública.

Este livro, Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária, reúne estudos, pesquisas e experiências práticas que abordam diversas áreas da medicina veterinária. Com uma abordagem interdisciplinar, a obra explora temas como clínica e cirurgia veterinária, nutrição animal, reprodução, sanidade, melhoramento genético animal, seleção artificial, evolução, bem-estar animal e inovações tecnológicas aplicadas à área.

A educação veterinária tem um papel essencial na formação de profissionais capacitados para atuar nos mais diversos segmentos do setor. Diante do crescente volume de informações disponíveis, é imprescindível que os futuros veterinários tenham acesso a conteúdos cientificamente embasados, que auxiliem na tomada de decisões assertivas e na adoção de práticas sustentáveis e eficazes.

Cada capítulo desta obra foi escrito por especialistas com experiência acadêmica e profissional, trazendo uma visão abrangente sobre os desafios e avanços da medicina veterinária. A diversidade de perspectivas e a riqueza das informações tornam este livro uma referência valiosa para estudantes, pesquisadores e profissionais da área.

Esperamos que esta leitura inspire novas pesquisas, práticas inovadoras e o aprimoramento da medicina veterinária, contribuindo para a melhoria da saúde animal e humana. Que esta obra sirva como um incentivo à reflexão e à ação, reforçando o compromisso com a excelência na formação e na atuação dos profissionais da área.

Boa Leitura

Os Organizadores

HOW CITE THIS BOOK:

NLM Citation

Santos ILVL, Silva CRC, Silva DMF, editor. Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária. 1st ed. Campina Grande (PB): Editora Science; 2025.

APA Citation

Santos, I. L. V. L.; Silva, C. R. C. & Silva, D. M. F. (Eds.). (2025). Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária. (1st ed.). Editora Science.

ABNT Brazilian Citation NBR 6023:2018

SANTOS, I. L. V. L.; SILVA, C. R. C.; SILVA, D. M. F. Conhecimento Científico e Prático na Medicina Veterinária. 1. ed. Campina Grande: Editora Science, 2025.

WHERE ACCESS THIS BOOK:

www.editorascience.com.br/

SOBRE OS ORGANIZADORES DO LIVRO DADOS CNPQ:

Prof. Dr. Igor Luiz Vieira de Lima Santos

Possui Graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (2003) e Mestrado em Genética e Biologia Molecular pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2006). Doutor em Biotecnologia pela RENORBIO (Rede Nordeste de Biotecnologia (2013), Área de Concentração Biotecnologia em Saúde atuando principalmente com pesquisa relacionada a genética do câncer de mama. Participou como Bolsista de Desenvolvimento Tecnológico Industrial Nível 3 de relevantes projetos tais como: Projeto Genoma Anopheles darlingi (de 02/2008 a 02/2009); e Isolamento de genes de interesse biotecnológico para a agricultura (de 08/2009 a 12/2009). Atualmente é Professor Adjunto III da Universidade Federal de Campina Grande-UFCG, do Centro de Educação e Saúde onde é Líder do Grupo de Pesquisa BASE (Biotecnologia Aplicada à Saúde e Educação) e colaborador em ensino e pesquisa da UFRPE, UFRN e EMBRAPA-CNPA. Tem experiência nas diversas áreas da Genética, Fisiologia Molecular, Microbiologia e Bioquímica com ênfase em Genética Molecular e de Microrganismos, Plantas e Animais, Biologia Molecular e Biotecnologia Industrial. Atua em projetos versando principalmente sobre os seguintes temas: Metagenômica, Carcinogênese, Monitoramento Ambiental e Genética Molecular, Marcadores Moleculares Genéticos, Polimorfismos Genéticos, Bioinformática, Biodegradação, Biotecnologia Industrial e Aplicada, Sequenciamento de DNA, Nutrigenômica, Farmacogenômica, Genética na Enfermagem e Educação.

Pós-Dra. Carliane Rebeca Coelho da Silva

Possui Graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco apresentando monografia na área de genética com enfoque em transgenia. Mestrado em Melhoramento Genético de Plantas pela Universidade Federal do Rural de Pernambuco com dissertação na área de melhoramento genético com enfoque em técnicas de imunodetecção. Doutora em Biotecnologia pela RENORBIO (Rede Nordeste de Biotecnologia, Área de Concentração Biotecnologia em Agropecuária) atuando principalmente com tema relacionado a transgenia de plantas. Pós-doutorado em Biotecnologia com concentração na área de Biotecnologia em Agropecuária. Atua com linhas de pesquisa focalizadas nas áreas de defesa de plantas contra estresses bióticos e abióticos, com suporte de ferramentas biotecnológicas e do melhoramento genético. Tem experiência na área de Engenharia Genética, com ênfase em isolamento de genes, expressão em plantas, melhoramento genético de plantas via transgenia, marcadores moleculares e com práticas de transformação de plantas via "ovary drip". Tem experiência na área de genética molecular, com ênfase nos estudos de transcritos, expressão diferencial e expressão gênica Integra uma equipe com pesquisadores de diferentes instituições como Embrapa Algodão, UFRPE, UEPB e UFPB, participando de diversos projetos com enfoque no melhoramento de plantas.

Dr. Diogo Manoel Farias da Silva

Possui graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Rural de Pernambuco-UFRPE (2011), mestrado em Ciência Animal Tropical (PPGCAT) pela UFRPE (2014) e Doutorado em Medicina Veterinária pela UFRPE (2019), com ênfase em Fisiologia Animal, Embriologia, Biologia Celular e Molecular ligada a biotecnologia da reprodução e produção animal.

CÂMARA BRASILEIRA DO LIVRO

INTERNATIONAL STANDARD BOOK NUMBER (ISBN): 

978-65-01-38946-2

CROSSREF DIGITAL OBJECT IDENTIFIER (DOI): 

https://doi.org/10.56001/25.9786501389462

CAPÍTULOS PUBLICADOS

CAPÍTULO 1

ANATOMIA DO SISTEMA DIGESTIVO DAS AVES

ANATOMY OF THE DIGESTIVE SYSTEM OF BIRDS

DOI: https://doi.org/10.56001/25.9786501389462.01

Submetido em: 05/03/2025

Revisado em: 20/03/2025

Publicado em: 25/03/2025

Nathan Ferreira da Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

http://lattes.cnpq.br/4631355718717200

Gabriel Carvalho De Andrade

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

 http://lattes.cnpq.br/2482741773192441

Nathalie Lima Cezar

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0004-6437-1086

Graziele Carvalho De Andrade

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0000-3649-950X

Luiz Felipe Diniz Aniceto e Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

http://lattes.cnpq.br/7037997700994728

Yasmin Silva Ramos

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0008-2982-6793

Maria Das Dores Xavier Da Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0003-1324-8582

Càlita Cabral Martins Silva

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0009-0006-9263-1820

Stefany Rodrigues Pereira

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

http://lattes.cnpq.br/5318635353143466

Fabiana Ramos dos Santos

Instituto Federal Goiano Campus Rio Verde, Departamento de Zootecnia,

Rio Verde – GO

https://orcid.org/0000-0002-0287-1681

 

Resumo

O trabalho aborda a anatomia do sistema digestivo das aves, destacando sua importância na avicultura, que tem evoluído com inovações em genética, nutrição e sanidade para melhorar a produção de carne e ovos. O sistema digestivo das aves é adaptado para uma ingestão eficiente de alimentos, diferindo significativamente dos mamíferos. O sistema digestivo é composto por boca, esôfago, papo (inglúvio), estômago glandular (proventrículo), estômago mecânico (moela), intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (cecos e reto) e cloaca, além das glândulas anexas, fígado e pâncreas. O desenvolvimento do trato digestivo começa nas primeiras 24 horas de incubação, com várias fases de formação até o nascimento.

Palavras-Chave: Alimentação, frango, galinha, nutrientes, trato gastrointestinal.

Abstract

The paper discusses the anatomy of the digestive system in poultry, highlighting its importance in poultry farming, which has evolved with innovations in genetics, nutrition and health to improve meat and egg production. The digestive system of birds is adapted for efficient food intake and differs significantly from that of mammals. The digestive system consists of the mouth, esophagus, crop (ingluvium), glandular stomach (proventriculus), mechanical stomach (gizzard), small intestine (duodenum, jejunum and ileum), large intestine (cecum and rectum) and cloaca, as well as the adnexal glands, liver and pancreas. The development of the digestive tract begins in the first 24 hours of incubation, with various stages of formation until hatching.

Keywords: Broiler, chicken, food, gastrointestinal tract, nutrients.

 
Introdução

A avicultura tem se mostrado, ano após ano, uma imprescindível geradora de proteína animal para a sociedade mundial. Por isso, na busca pelo desenvolvimento do setor, a produção de carne de frango e ovos passou por importantes transformações nas últimas décadas (Engel et al., 2023).

As inúmeras inovações na área de genética, nutrição, sanidade e no processo produtivo de forma geral, possibilitaram a produção de aves com mais peso, em menos tempo e com menor consumo de ração são alguns dos diversos fatores que contribuíram para que o setor avícola alcançasse o patamar atual (Vogado et al. 2016).

O sistema digestório das aves de corte e postura apresentam características estruturais que possibilitam a ingestão de alimento, passagem de alimento pelo trato, alterações físicas e químicas do alimento e absorção dos produtos da digestão. Este grupo zoológico se difere fisiologicamente, dos de mamíferos, por diversas particularidades. (Boleli et al., 2002).

O aparelho digestório (Figura 1) é o “compartimento” do organismo responsável pela manutenção da vida, sendo o tubo digestório de cada ave adaptado para processar e utilizar o mais eficientemente possível o alimento disponível em seu habitat (Santos et al. 2016).

 Este sistema compreende os seguimentos: boca, esôfago, inglúvio (papo), estômago glandular (pró-ventrículo), estômago mecânico (moela ou ventrículo), intestino delgado (duodeno, jejuno e íleo), intestino grosso (cecos, cólon e reto) e cloaca, além das glândulas fígado e pâncreas de suma importância (Getty, 1986).

 

 

Figura 1: Sistema digestivo de uma galinha.

Fonte: Autores (2025).

Nas aves, o desenvolvimento do trato digestório inicia nas primeiras 24 horas de incubação. No quinto dia de vida embrionária ocorre a diferenciação da boca, assim como a formação do proventrículo e da moela. No sexto dia, tem-se início a formação do bico. Ao décimo quarto dia de vida embrionária ocorre à introdução do intestino na cavidade abdominal e no décimo sétimo dia ocorre à abertura do divertículo de Meckel e tem-se o início da absorção intestinal (Maiorka e Rocha, 2009).

Desenvolvimento
Boca

Diferente dos mamíferos e característica pertencente ao grupo das aves, a modificação da boca em um bico ceratinoso espesso (Figura 2), mais precisamente a mandíbula, está adaptada para atividades de ciscar ou simplesmente de alimentação. Em galináceas o bico apresenta-se de forma pontuda para apanhar pequenas partes, enquanto em patos e gansos são flexíveis e achatados semelhantes a colheres para a coleta de alimentos na água (Frandson et al., 2016). Durante o desenvolvimento embrionário o bico surge no oitavo dia de incubação (Boleli et al., 2008).

 

 

Figura 2: Demonstração do bico de um frango de corte.

Fonte: Autores (2025).

Bell (2002) relata que as aves não têm palato mole e nem fenda palatina conectando a cavidade oral e a nasal, assim, para beber água, a ave elava a cabeça para que desça ao esôfago por gravidade. O paladar e o olfato das aves são menos desenvolvidos que nos mamíferos devido ao reduzido número de receptores químicos. Esta deficiência é compensada por células sensórias, localizadas no palato superior, chamadas de mecanoreceptores, que respondem ao estímulo do contato com o alimento (Bueno, 2006).

A língua das aves tem forma estreita e cônica, possui um cerne de músculo esquelético, glândulas mucosas e o osso entoglosso, mais caudalmente. A língua não contém músculos, apenas sendo formada pelo osso entoglosso, coberto por uma mucosa espessa cornificada, apresentando formato triangular, porém varia de acordo com os limites da cavidade bucal (Banks, 1991).

As galinhas possuem uma membrana serosa, somente na base do bico, que possui numerosas terminações sensitivas do nervo trigêmeo, que o converte em um órgão tátil. (Colville e Bassert, 2010).

Faringe e Esôfago

Comum ao sistema respiratório e digestório, a faringe inicia-se pela posição caudal a língua, caracterizada por um promontório laríngeo que dá origem a fenda laríngea – conhecida como ádito da laringe – estando conectado ao esôfago caudalmente e ligeiramente dorsal a ele.  O esôfago é um tubo muscular que se estende da faringe até o estômago pelo lado direito do pescoço e desempenha a função de condução do alimento ao estômago (Colville e Bassert, 2010).

É dividido anatomicamente em porção cervical, parte mais longa que segue dorsalmente à traquéia e retorna à linha média na porção imediatamente cranial à entrada torácica (McLelland, 1986) e porção torácica, que passa sobre a bifurcação da traquéia e a base do coração e funde-se com o estômago glandular à esquerda do plano mediano (dyce et al., 1997).

Papo

O papo ou inglúvio (Figura 3) é uma dilatação distensível do esôfago no interior do pescoço, apresentando em patos e gansos forma fusiforme, mas nas galináceas ficando no lado esquerdo do pescoço cranial à fúrcula. O papo assim como o esôfago é revestido por um epitélio descamativo estratificado ceratinizado, quando cheio de alimento é visivelmente palpável (Frandso et al., 2016).

 Receptores de estiramento localizados na parede do inglúvio são estimulados pela distensão do órgão e ajudam no processo regulatório de ingestão (Macari et al., 1994). Segundo Colville e Bassert (2010), o inglúvio tem função de armazenar, lubrificar e regular a passagem do alimento, é onde ocorre alguma fermentação e embebição dos alimentos com mucosidades, preparando-os para a digestão gástrica posterior.

 

 

Figura 3: Língua e Papo/Inglúvio de frango.

Fonte: Autores (2025).

Proventrículo e moela

Nas aves, o estômago é composto por dois compartimentos, o proventrículo (pH= 2,8-4,0) ou estômago glandular e a moela (pH=2,8-4,0) ou estômago muscular. Estes compartimentos são separados por uma região de transição, denominada istmo. O proventrículo corresponde ao estômago do mamífero. Em comparação com a moela, o proventrículo é pequeno e apresenta parede fina (Rutz et al., 1994).

Interno a cavidade corporal, sendo a primeira estrutura de um estômago bipartido, o proventrículo (Figura 4) também denominado de estômago glandular é responsável à digestão química (enzimática) dos alimentos. A camada submucosa possui glândulas digestivas, que secretam pepsina, que inicia a quebra das proteínas, e o ácido clorídrico, que eleva a acidez do estômago para aumentar a ação das enzimas digestivas. É um órgão fusiforme, localizado entre o inglúvio e a moela (Colville e Bassert, 2010; Sturkie, 1991).

 

 

Figura 4: Proventrículo.

Fonte: Autores (2025).

Projetando-se para o lúmen, há várias papilas, baixas e largas, visíveis macroscopicamente, tendo cada uma um ducto de excreção responsável pela liberação de suco gástrico ácido e proteolítico (ácido clorídrico e pepsina) para a digestão química (Dyce et al., 2004).

A moela (Figura 5), formada por dois pares de músculos, uma musculatura mais delgada e outra mais grosseira, cujas contrações rítmicas, homogeneízam-se, maceram e projetam o alimento o alimento para próxima estrutura do trato digestório (Bueno, 2006).

A espessura de sua parede varia conforme a dieta (Colville e Bassert, 2010). Segundo Turk (1982), o tamanho da partícula é o regulador da passagem pela região pilórica, ou seja, o bolo alimentar permanecerá na moela até ser reduzido ao tamanho de 15 – 40µm.

O estômago muscular é bem desenvolvido nos anseriformes (exemplos dos patos e gansos), justificando a observação feita por Borges et al.(2004) que afirmam ser o ventrículo altamente especializado em espécies que se nutrem de alimentos duros. Em todas as ordens, o diâmetro do seu eixo craniocaudal é maior que o dorsoventral, conforme relata Mapeli (2003).

 

 

Figura 5: Moela.

Fonte: Autores (2025).

Intestino
Intestino Delgado

O intestino delgado está dividido em três partes: duodeno, jejuno e íleo, as quais apresentam diferenças funcionais e morfológicas. O duodeno consiste de uma alça intestinal localizada logo após o ventrículo, sendo esta constituída de porção proximal descendente e porção distal ascendente. No duodeno há uma redução na espessura da mucosa, na direção do íleo, em função da diferença do tamanho dos vilos e da profundidade das criptas. Na porção ascedente ocorre a abertura dos ductos biliares e pancreáticos, conduzindo os sucos biliares e pancreáticos para o interior do intestino delgado (Bolei et al., 2008; McLelland, 1975).

O jejuno (Figura 6) assim como nos mamíferos se demostra sendo o maior segmento do intestino delgado, estando em suas principais funções á absorção de nutrientes. Em aves domésticas adultas á requícios de conexão embrionária denominado divertículo de Meckel, que tem como função imunológica após a retração do saco vitelino antes da eclosão. O ílio apresenta-se curto como em outras espécies, tendo um ponto nítido em aves domésticas pela presença dos cecos (Frandson et al., 2016).

 

 

Figura 6: Jejuno.

Fonte: Autores (2025).

Os vilos presentes no duodeno são maiores, mais estreitos e com ápice arredondado, se comparados aos vilos do jejuno; já os vilos do íleo são menores e mais alargados (Mendes et al., 2004). As vilosidades variam de número, forma e tamanho de acordo com a região que se encontram (Junior e Bacha, 2003), sendo que, a mucosa torna-se mais delgada no sentido do duodeno para o íleo, e consequentemente as vilosidades tornam-se mais curtas e a profundidade das criptas de Lierberkuhn diminui (Dukes, 2006). As criptas de Lierberkuhn são ductos que se abrem entre a base do vilo e a muscular da mucosa (Hodges, 1974; Junior e Bacha, 2003), que possuem células-tronco, algumas células absortivas, células caliciformes, e células enteroendócrinas (Junqueira, 1979). Em frangos a proliferação de enterócitos não é restrita à região da cripta, mas também ocorre ao longo do vilo (Uni et al., 1998).

Intestino Grosso

O intestino grosso é um segmento que se estende do final do intestino delgado até a cloaca e sua principal função é reabsorção de água e minerais (De Souza, 2015). Os dois cecos originam-se na junção íleoceco-cólica e acompanham o íleo de modo retrógrado (Consins, 1985).

O par de cecos (Figura 7) apresenta-se em galináceas e patos em tamanho de 10 a 25 cm e em gansos de 22 a 34 cm, fornecendo á espécies domésticas e silvestres um local para a digestão de fibras, resultando em ácidos graxos voláteis que são absorvidos pela parede dos mesmos. O colo apresenta-se curto e reto, terminando em um esfíncter interposto entre o intestino grosso e a cloaca, determinando certa região expandida comum aos tratos gastrointestinal e urogenital (Frandson et al., 2016).

Figura 7: Cecos.

Fonte: Autores (2025).

Cloaca

A área bulbosa no final do trato alimentar (da boca até o ânus) é denominada cloaca. Cloaca, no sentido comum, significa “esgoto comum” e, no caso da galinha, do aparelho digestivo, urinário e reprodutivo, todos desembocam na cloaca. É nesse compartimento que sai as fezes, o ovo, a urina, e por onde o galo deposita o esperma na galinha, porém em locais diferentes. Para facilitar a saída do ovo e para ver os presentes na casa contra microrganismos, na cloaca encontra-se uma glândula que secreta um óleo essencial para as funções relacionadas. O mesmo canal por onde são expelidas as fezes também sai a urina, logo as galinhas exoneram urina e fezes ao mesmo tempo e sobre os mesmos encontros. A abertura (ânus) é a abertura externa da cloaca. Seu tamanho varia muito nas fêmeas, dependendo se a mesma se encontra ou não produz ovos, uma vez que fêmeas em produção possuem uma abertura mais dilatada para a passagem do ovo (Silva, 2020).

Glândulas anexas
Fígado

O fígado (Figura 8) das aves é um órgão relativamente grande, onde se constitui por dois lobos, direito e esquerdo, situados na cavidade corporal ventral. Segundo Figueiredo et al. (2006). Apresenta funções digestórias semelhantes aos mamíferos, assim como o intestino delgado e o pâncreas. O fígado estoca o excesso de gorduras e açucares, produz algumas proteínas, produz a bile para emulsificar gorduras e excreta metabólicos a partir do sangue (Hoffmann e Volker, 1969).

Figura 8: Fígado, pâncreas, baço e vesícula biliar de pintinho de faisão.

Fonte: Autores (2025).

Pâncreas

O pâncreas (Figura 9) é um órgão comprido, estreito e de aspecto claro; está situado dentro da alça duodenal, que apresenta função digestória semelhante aos mamíferos. Está ligada a alças duodenais por meio de ductos, estando em número de três nas galináceas e em número de dois nas anseriformes; pela porção ascendente do duodeno (Hoffmann e Volker, 1969).

Figura 9: Pâncreas.

Fonte: Autores (2025).

Referências

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